O Dia Internacional do Trabalhador é celebrado para alertar sobre condições dignas de trabalho. O momento de reflexão diz respeito, também, à luta por equidade de gênero. No setor do luto, reconhecidamente masculino, a Funerária São Pedro, de Porto Alegre, adotou um princípio ético para estimular a contratação de mais mulheres no quadro de colaboradores. Há três anos, havia apenas uma mulher. Hoje, elas já são metade da força de trabalho na empresa de 22 funcionários.
As mulheres estão distribuídas nas mais diferentes áreas, como atendimento, administração, tanatopraxia (preparação e conservação dos corpos) e gestão, o que tornou a empresa fundada há 40 anos uma vitrine da equidade de gênero no setor do luto.
De acordo com o CEO, Ruy Neto, a presença feminina se tornou uma bandeira do negócio quando Maria Eunice Ribas, uma das sócias-fundadoras, assumiu o cargo de primeira diretora de uma funerária no Rio Grande do Sul, em 2010. “Maria Eunice abriu caminho para que mais mulheres ocupassem espaços no setor e mostrassem sua competência, profissionalismo e dedicação”, reforça Ruy.
Se antes elas ocupavam apenas os cargos administrativos e de atendimento/cerimonial, agora estão em uma parte essencial no trabalho da funerária: a tanatopraxia - trabalho que consiste na preparação de corpos para as homenagens póstumas. Além do tabu, uma das razões para a baixa contratação das mulheres era a falta de força para manusear os corpos. Mas o problema foi resolvido com a implementação de um sistema de apoio para a movimentação.
A partir desse movimento, o setor de tanatopraxia da São Pedro passou a contar com mais mulheres, que agora são maioria: dos sete colaboradores que atuam no setor, quatro são mulheres. Para Ruy Neto, a implementação do aparelho foi um movimento simples, mas que proporcionou um ganho significativo. “Não falo apenas a nível de negócio, com o trabalho de excelência das mulheres que atuam conosco, mas também de uma luta por um mercado de trabalho mais igual e justo.”
Bióloga formada pela PUCRS, Giovanna Neves, de 25 anos, é uma das profissionais que preparam corpos para a última homenagem e integra uma nova geração na empresa. Ela destaca que o cuidado feminino é diferencial no setor de tanatopraxia.
“As mulheres têm um cuidado muito maior do que os homens, principalmente no que diz respeito à finalização do serviço, como maquiagem, escolha das flores. A sensibilidade feminina, especialmente nesses momentos, é o que nos coloca à frente dos homens”, ressalta.
Há um ano e meio atuando na Funerária São Pedro, Giovanna reforça que, apesar de ser um espaço majoritariamente masculino, as mulheres estão cada vez mais presentes no segmento, inclusive com profissionais que já são referência para o público, como a tanatopraxista e influenciadora Josiane Oliveira. “O ramo é, sim, muito propício à presença feminina”, finaliza.
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