Sócias lideram escritório de advocacia majoritariamente feminino em Porto Alegre

Ideia é proporcionar um ambiente seguro e com remuneração justa para as profissionais

Lauren Fração, Alessandra Velloso e Carolina Haack são sócias no Velloso Advogados & Associados
Lauren Fração, Alessandra Velloso e Carolina Haack são sócias no Velloso Advogados & Associados Foto : Jefferson Bernardes/Agência Preview

Um ambiente de trabalho seguro para o desenvolvimento de mulheres que atuam na aplicação do Direito. É o que busca garantir um escritório de advocacia com sede em Porto Alegre, cujo corpo jurídico tem 95% de participação feminina. À frente da empresa, elas também são maioria: dos quatro sócios que lideram o time, três são mulheres.

“Sabemos da dificuldade do mercado para mulheres e da insegurança que espaços predominantemente masculinos despertam. Buscamos oferecer suporte, não somente em forma de capacitação, mas proporcionando um ambiente seguro”, ressalta Lauren Fração, sócia do Velloso Advogados & Associados.

“Isso passa por apoio na hora da decisão de ter filhos, remuneração justa e exigência de respeito às prerrogativas da advogada na relação com juízes e promotores", completa.

Especializado em direito cível, bancário e cobrança judicial, o escritório está no mercado há 20 anos e possui uma filial em Curitiba, no Paraná, também liderada por uma mulher, que atua como gestora jurídica. Sócia-fundadora, Alessandra Velloso conta que a configuração da empresa, majoritariamente feminina, se deu de forma orgânica.

“Quando começamos a crescer e a contratar pessoas, percebemos o quanto trabalhávamos bem entre mulheres. As escolhas, contudo, sempre foram ancoradas em competência e currículo”, assegura.

Foi com essas credenciais que Carolina Haack, inicialmente advogada contratada, tornou-se sócia do escritório, quatro anos atrás. Hoje, junto dos demais, lidera um time de 40 profissionais que atuam na defesa das instituições financeiras em demandas judiciais — 39 são mulheres.

“Quando o foco é resultado, o preconceito em ambientes mais masculinos tende a se dissipar, a capacidade da mulher fala mais alto que qualquer estereótipo. É isso que buscamos transmitir enquanto líderes”, defende.

Modelo híbrido facilita a rotina

Por vezes pesada, a rotina voltada à resolução de conflitos requer pausas para descontração. Momentos garantidos, segundo Carolina, pelas trocas sobre maternidade, moda e beleza. Em meio a essas conversas, desafios comuns são identificados. A preocupação com o cuidado dos filhos e da casa é um deles — trabalho assumido principalmente pelo gênero feminino, conforme apontam pesquisas.

“Temos que aprender a driblar obstáculos e encontrar formas de contemplar, também, a vida pessoal. É um desafio para qualquer um, especialmente para as mulheres e, mais ainda, para as mulheres com filhos”, observa Carolina.

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Nesse contexto, o formato híbrido de trabalho, impulsionado pela pandemia da Covid-19, foi mantido e aprimorado pelo escritório. Durante o primeiro mês, cada novo profissional recebe um treinamento sobre a matéria, fluxos e a organização do escritório.

Depois, parte da jornada pode ser feita na modalidade home office. “É um facilitador para a mulher, que é multitarefa, tem jornada dupla e precisa levar os filhos à escola. Foi uma possibilidade muito bem recebida e na qual temos apostado”, finaliza a sócia.