Adriana Haas

Vai inventar moda depois dos 40?

Adriana Haas convida as mulheres maduras para uma jornada de aventuras, desafios e descobertas

Reconfigurar a forma como encaramos a maturidade exige certo esforço
Reconfigurar a forma como encaramos a maturidade exige certo esforço Foto : Unsplash

Já que trata-se da minha estreia aqui, vou me apresentar por uma das minhas melhores características: sou Adriana Haas, uma mulher que desabrochou tarde. Não quero dizer, com isso, que tive uma vida sem realizações até os 40 anos. Pelo contrário, conquistei tudo o que planejei enquanto me tornava uma adulta responsável, mas depois percebi que tinha coisa faltando – e eu não sabia o que era. Havia um vazio na minha vida tão bem estruturada.

Como a gente costuma fazer, comecei a buscar causas externas para esse mal-estar que não era do corpo. Quando já estava prestes a condenar como culpado um trabalho que não me realizava, percebi que o buraco era mais embaixo. Será que eu estava passando pela “crise da meia-idade”? Aliás, será que isso existe? Como boa jornalista, decidi investigar e fiz a grande descoberta: a maturidade pode até chegar com aparência de crise, mas traz grandes oportunidades.

O resto é história: me casei aos 40, fiz uma transição de carreira aos 42, embarquei em minha primeira viagem solo aos 45, quando também lancei meu primeiro livro. Nesse tempo, segui investigando e descobri que os desafios de lidar com a passagem do tempo são muito parecidos para a maioria das mulheres. Mas, se é assim, por que sofremos tanto quando percebemos no corpo os sinais do tempo? Meu palpite: porque não conversamos sobre isso. O mundo começa a dizer que estamos perdendo a relevância e, solitárias, acabamos aceitando ou surtando.

E não é apenas sobre a aparência. O que se espera de mulheres maduras é que, a essa altura, tenham feito tudo o que “deveriam” e estejam prontas para “sossegar”. Acontece que as maduras de hoje não se contentam mais com isso. Elas querem novas aventuras, desafios, projetos, romances, experiências – e estreias. Querem peitar essas vozes, internas e externas, que insistem em dizer que estamos velhas demais para começar qualquer coisa bonita depois dos 40 ou 50, quando ainda temos metade da vida pela frente.

Mas reconfigurar a forma como encaramos a maturidade, que ainda vem acompanhada pelas temidas perimenopausa e menopausa, exige certo esforço. Algumas autodefinições precisam ser “colocadas abaixo” para que novas perspectivas sobre o que podemos ser e fazer ocupem o espaço. E quando isso acontece, sempre tem alguém que vai olhar atravessado. Mas na medida em que começamos a dar passos concretos, parece mágica. A gente começa a brilhar e a se importar cada vez menos com o que os outros vão pensar. Em vez de “desaparecer”, nos tornamos inspiração.

É para essa jornada que a convido, em pequenas doses semanais. Caso queira aumentá-las, tenho um livro, um workbook, uma newsletter e muito conteúdo em redes sociais sobre esse assunto. Disseminá-lo tornou-se meu propósito – e cá estou para isso, em mais uma estreia. E vou contar um segredo: quando já vivemos esse tanto, cada pequeno desabrochar fica mais gostoso. Um vai alimentando o outro, que é pra gente só parar de inventar moda se (ou quando) quiser.


Adriana Haas é jornalista, escritora e tradutora da maturidade. Tem dois livros e uma newsletter semanal sobre o assunto, e adora reunir mulheres para conversar sobre ele – porque acredita que, juntas, as maduras são revolucionárias.

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