Claudete Corrêa

Como identificar sinais de desconforto no seu cachorro

Claudete Corrêa explica quais comportamentos indicam desconforto nos cães e como reconhecer esses sinais pode prevenir situações de risco

Observar a linguagem corporal dos cães ajuda a reconhecer quando eles desejam interagir ou precisam de espaço
Observar a linguagem corporal dos cães ajuda a reconhecer quando eles desejam interagir ou precisam de espaço Foto : Magnific / Divulgação / CP

Você está fazendo carinho no seu cachorro. Ele vira o rosto. Você continua. Ele lambe os lábios. Você acha engraçado. Ele boceja. Você pensa que está com sono. Depois ele se afasta. E talvez você nem perceba que, durante todo esse tempo, ele estava tentando dizer: “Eu não estou confortável.”

Nem sempre os sinais de desconforto dos cães são óbvios. E esse é justamente o problema. Nem todo pedido de espaço vem acompanhado de um rosnado. Muitas pessoas só percebem que um cão está desconfortável quando ele rosna, late ou tenta se afastar de maneira mais intensa.

Mas o corpo costuma dar sinais antes. Esses gestos têm até nome na ciência do comportamento: sinais de apaziguamento. Servem para reduzir a tensão de uma situação — e, exatamente por serem discretos e rápidos, são os primeiros a passar batido no dia a dia corrido.

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Um cão pode:

  • virar a cabeça;
  • evitar o contato visual;
  • lamber os lábios;
  • bocejar em uma situação específica;
  • ficar imóvel ou rígido;
  • tentar se afastar;
  • esconder-se;
  • apresentar mudanças na postura.

Esses sinais não significam automaticamente a mesma coisa em todas as situações. Por isso, mais importante do que decorar uma lista é aprender a observar o conjunto e o contexto. “Eu só percebi que ele estava incomodado quando ele já tinha rosnado.” Faz todo sentido: o rosnado é fácil de notar. Mas, quase sempre, ele é a última etapa de uma conversa que já vinha acontecendo em silêncio.

Imagine uma criança abraçando o cachorro Para a criança, aquele abraço pode significar carinho. Mas o cachorro pode não interpretar daquela maneira. Se ele vira o rosto, tenta sair ou fica rígido, talvez esteja pedindo espaço.

É nesse momento que o adulto precisa intervir. Não esperando que o cão rosne. Não esperando que ele tente morder. O melhor momento para agir é quando o cão ainda está apenas dizendo que não está confortável. Isso é prevenção.

E isso vale também para os adultos. Nem todo cachorro gosta de ser abraçado. Nem todo cachorro gosta de receber carinho na cabeça. Nem todo cachorro quer interagir naquele momento.

Amar um animal também significa reconhecer que ele tem limites. E respeitar esses limites não diminui o vínculo. Pelo contrário. Constrói confiança.

Para a mulher que cuida de tudo

Você não precisa se tornar especialista em linguagem canina de um dia para o outro. Comece observando. Quando seu cachorro se afasta? Em quais situações fica mais tenso? O que acontece imediatamente antes?

Não é preciso observar o tempo todo — basta reservar alguns segundos nos momentos de maior estímulo (visita, criança brincando por perto, outro animal). Envolver quem mais convive com o cão, como marido e filhos, também ajuda: quanto mais gente em casa reconhece um sinal cedo, menos situações chegam ao ponto do rosnado.

Quanto mais você observa, mais fácil fica perceber mudanças. E quanto mais cedo percebemos o desconforto, maiores são as possibilidades de ajudar o cão antes que ele precise aumentar a intensidade da comunicação.

Para refletir

  • Seu cachorro precisa chegar ao rosnado para você perceber que algo não está bem?
  • Talvez ele já esteja conversando com você muito antes.

Na próxima conversa...

Falamos muito sobre carinho. Mas existe uma pergunta importante: Quando o carinho é cuidado — e quando pode começar a alimentar uma dependência?

Claudete Corrêa é educadora comportamental canina, adestradora, pet sitter e dog walker. Atua no universo pet há quatro anos, com foco em comportamento e na construção de uma convivência mais equilibrada entre cães e tutores.