Quem não gosta de receber o carinho de um cachorro? Depois de um dia cansativo, chegar em casa e encontrar aquele olhar, aquele rabinho abanando e um animal querendo ficar perto pode ser uma das melhores partes do dia. E dar carinho faz parte da relação.
Mas existe uma pergunta que vale a pena fazer: Meu cachorro consegue ficar bem quando eu não estou por perto? Porque existe uma diferença entre um cão que gosta da companhia da família e um cão que apresenta dificuldade para lidar com a ausência.
Carinho não é o problema
É importante deixar isso claro. Dar carinho não “estraga” um cachorro. O vínculo é importante. O problema pode surgir quando o cão aprende que só consegue se sentir seguro quando está constantemente junto do tutor ou quando toda demanda de atenção é imediatamente atendida.
Ele pode começar a seguir a pessoa pela casa o tempo todo, apresentar dificuldade para descansar sozinho ou demonstrar grande desconforto quando ela sai. “Ele não sai do meu lado nem por um minuto, é tão fofo.”
E nós também participamos dessa relação. Às vezes, sem perceber, reforçamos a dependência. O cachorro pede atenção. Paramos tudo e damos. Ele insiste. Damos novamente. Ele não consegue ficar em outro cômodo. Chamamos para perto.
Fazemos isso por amor. E não há nada errado em querer confortar nosso animal. Mas educação também significa ensinar que estar sozinho por alguns momentos é seguro. “Eu não consigo nem ir ao mercado sem ele chorar a viagem inteira.” Isso não é falha sua como tutora — é, quase sempre, o resultado de um carinho tão presente que, sem querer, não deixou espaço para o cão aprender a se regular sozinho.
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Para uma mulher que tem uma rotina cheia
Isso pode parecer contraditório. Você trabalha, cuida da família e talvez passe pouco tempo em casa. Então, quando está com seu cachorro, quer aproveitar cada minuto. É compreensível. Mas qualidade de vínculo não significa presença constante.
Um cão também precisa desenvolver autonomia. Precisa aprender a descansar. A ocupar-se. A lidar com pequenos períodos sem interação. E isso deve ser construído gradualmente, respeitando cada animal.
Pequenas ausências dentro de casa já ajudam: ir para outro cômodo e fechar a porta por alguns minutos, sem fazer disso um evento. Oferecer um espaço próprio — uma caminha, um cantinho — onde ele possa descansar sem estar fisicamente colado em você também contribui bastante.
Dependência não é amor demais Essa é uma distinção importante. Um cão pode ser muito carinhoso e, ao mesmo tempo, emocionalmente equilibrado.
Um cão com apego saudável sente a sua falta, mas consegue se acalmar. Um cão dependente entra em sofrimento real diante de qualquer ausência, por menor que seja. O problema está quando a ausência do tutor desencadeia sofrimento significativo ou quando o animal não consegue funcionar normalmente sem aquela pessoa.
Nessas situações, não devemos simplesmente “deixá-lo acostumar”. É importante compreender o que está acontecendo e buscar orientação adequada.
Para refletir
Pergunte a si mesma: Meu cachorro gosta de estar comigo ou precisa estar comigo para conseguir ficar bem? São coisas diferentes. E perceber essa diferença também faz parte de uma relação saudável.
Na próxima conversa...
Agora chegamos a uma questão que preocupa muitas famílias: Meu cachorro consegue ficar sozinho?
Claudete Corrêa é educadora comportamental canina, adestradora, pet sitter e dog walker. Atua no universo pet há quatro anos, com foco em comportamento e na construção de uma convivência mais equilibrada entre cães e tutores.
