Lu Brito

A inteligência artificial e o abismo da desigualdade

Lu Brito reflete sobre como a IA reflete e escancara preconceitos e desigualdade de gênero

Presença feminina na área de tecnologia ainda é baixa
Presença feminina na área de tecnologia ainda é baixa Foto : WOCInTech / Nappy

O Dia Internacional da Mulher ou Dia da História das Mulheres celebra as conquistas, sucessos e contribuições ao longo da história. Mas apesar dos avanços, eu sou muito realista quando o assunto é inovação. Estamos em 2025 e enquanto celebramos os avanços da inteligência artificial, robótica e inovação tecnológica, uma sombra ainda paira: a persistente desigualdade de gênero.

Alguns fatores contribuem para a falta de representação do sexo feminino dentro do ecossistema. Sem uma clara representação da força feminina atuando e prosperando em cargos de liderança, as ações têm sido lentas na adoção de pensamentos interseccionais refletidos em suas políticas para incluir mulheres sub-representadas, LGBTQIA+, pessoas com deficiência, negras, indígenas, asiáticas e latinas. A aspiração para uma carreira nas quais não conseguem se ver se torna mais difícil.

A pergunta que ecoa aqui diariamente é: como podemos falar de inovação e futuro se ainda não resolvemos o básico? Não tem ensinamento nas escolas. A base não tem acesso. Como podemos construir um mundo onde robôs e algoritmos tomam decisões, enquanto mulheres talentosas são ignoradas e subestimadas?

Os números estão aí para retratar isso. Eu sempre falo para todos que sou de humanas, sempre corri dos números, mas tenho feito as pazes com eles e principalmente tenho gostado muito, pois é através dos números que conseguimos fazer a transformação.

A inteligência artificial, com seu poder de transformar o mercado e otimizar processos, poderia ser uma ferramenta poderosa para nivelar o campo do jogo. Algoritmos imparciais, treinados com dados diversos, poderiam identificar e apoiar empresas lideradas por mulheres, abrindo portas para oportunidades antes inimagináveis.

No entanto, a realidade é que a IA, que para muitos parece ser um tema comum e corriqueiro, que todos têm acesso e falam sobre como qualquer outra tecnologia, reflete e escancara os preconceitos e desigualdades.

Se não tomarmos medidas conscientes para garantir a inclusão e a diversidade na criação e implementação dessas tecnologias, corremos o risco de perpetuar e até mesmo amplificar as disparidades existentes.

De acordo com dados da Unesco, a presença feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) ainda é baixa. A Unesco aponta que apenas 5% a 10% das mulheres no mundo ascendem às funções de liderança no campo das ciências.

Mulheres são sub-representadas em eventos de inovação. Os painéis de discussão clássicos são compostos por três homens e uma mulher para falar por 15 minutos, ou, por vezes, como já presenciei, quatro homens e nenhuma presença feminina. E quando falamos de mulheres negras na tecnologia, o abismo é absurdo.

Minha provocação hoje é um chamado à ação. Precisamos de um olhar em conjunto envolvendo uma comunidade inteira de investidores, empresas, governos e sociedade civil para criar um ecossistema de inovação mais justo e inclusivo.

Precisamos de programas de mentoria voltados para as mulheres, de políticas públicas que incentivem o investimento em negócios liderados por mulheres e de uma mudança cultural que valorize o talento, visão e habilidade feminina.

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A inteligência artificial e a inovação tecnológica têm essa responsabilidade. Mas essa transformação só será completa quando todas as vozes e classes sociais forem ouvidas e quando todos os talentos forem valorizados na ponta.

Sigo acreditando e ecoando: “Tecnologia é ponte!”. Seguimos acreditando que março segue sendo o mês de reflexão da importância do avanço feminino na história.

Um abraço!


Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.