Lu Brito

Empreendedorismo feminino e saúde mental: como crescer sem adoecer

Na sua coluna no Bella Mais, Lu Brito propõe um novo olhar sobre os negócios e os limites do esgotamento feminino

Lu Brito reflete sobre autocuidado no empreendedorismo feminino a partir de conversa com Sansiara Vargas, CEO da Menvie e da ZIA.
Lu Brito reflete sobre autocuidado no empreendedorismo feminino a partir de conversa com Sansiara Vargas, CEO da Menvie e da ZIA. Foto : Lu Brito / Arquivo Pessoal / CP

Olá, leitoras.

Primeiro quero agradecer a audiência que tenho aqui nas leituras mensais, está sendo muito bom o retorno e eu aqui fico bem feliz e animada a seguir com vocês, trazendo uma visão única sobre empreendedorismo. Hoje o texto foi pensado com muito carinho e atenção no pilar de autocuidado.

Existe uma ideia silenciosa de que a mulher precisa dar conta de tudo. Quando falamos em empreendedoras, esse cenário piora e muito: liderar, vender, inovar, cuidar da casa, da família, da equipe e ainda manter firme e focada em todas as camadas que atua. Mas a verdade é que nenhuma empresa prospera quando sua fundadora está emocionalmente exausta. Não existe negociação quando chegam a essa exaustão por vezes silenciosa.

Nos últimos anos, a pauta ganhou força quando falamos de autocuidado, falar sobre saúde mental no trabalho deixou de ser sinal de fragilidade e passou a ser um ato de inteligência emocional e gestão consciente. A atualização da NR-1, que entrou em vigor recentemente, reforça esse novo momento ao exigir que empresas também identifiquem e gerenciem riscos psicossociais no ambiente de trabalho, incluindo sobrecarga, estresse e fatores que impactam diretamente a saúde emocional.

Quando falamos de empreendedoras, elas também precisam encontrar espaço para cuidar de si mesmas. Muitas vezes, a preocupação com a equipe, os clientes e os resultados vem antes das próprias necessidades, criando um ciclo de desgaste que passa despercebido até que os sinais de esgotamento se tornem evidentes, por meio do corpo em alerta, privação de sono, ansiedade, são alguns sinais.

Desafios esses enfrentados diariamente, mas que agora podem sim fazer parte aos poucos da rotina e de forma gratuita, quando falamos do ecossistema como um todo, principalmente empreendedor o objetivo principal é criar soluções de forma rápida e inclusiva para acesso de todos.

Sansiarai Vargas: falar de saúde mental no empreendedorismo é fundamental | Foto: IG @sansiaraivargas / Reprodução / CP

Em conversa com Sansiarai Vargas, Co Founder e CEO da Menvie e da ZIA, ela destacou como o desgaste emocional afeta diretamente os negócios e qual objetivo da plataforma. A ZIA nasceu com o propósito de ampliar o acesso ao acolhimento emocional através da tecnologia, oferecendo escuta ativa e suporte humanizado 24 horas por dia, diretamente no WhatsApp, em um cenário onde os índices de afastamento por questões emocionais e psicológicas seguem crescendo no Brasil, acreditamos que inovação também é cuidar de pessoas.

“Percebo diariamente o quanto a fragilidade emocional impacta negativamente a jornada do empreendedor. Existe uma linha muito tênue entre o ‘eu’ e a empresa, e quando o negócio passa a consumir integralmente a identidade do fundador, a sobrecarga se torna inevitável. O excesso de responsabilidades, a pressão constante por resultados e a necessidade de sustentar decisões estratégicas em cenários de incerteza comprometem a clareza, a criatividade e até mesmo a capacidade de liderar."

Sansiarai me disse que um empreendedor emocionalmente exausto tende a operar em modo de sobrevivência, tomando decisões mais reativas e menos estratégicas, o que pode comprometer a sustentabilidade e o crescimento do negócio. Falar sobre saúde mental no empreendedorismo, me explicou, tornou-se pauta fundamental, por ser um tema diretamente conectado aos resultados e consequentemente na longevidade dos negócios.

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Autocuidado não é luxo, é sustentabilidade

A reflexão da Sansiarai reforça um ponto importante: autocuidado não é luxo, é sustentabilidade. Respeitar pausas, aprender a delegar, reduzir a autocobrança e entender que descanso também faz parte da estratégia são atitudes que fortalecem não apenas a saúde emocional, mas também a longevidade dos negócios.

Nós mulheres empreendedoras de hoje não queremos apenas crescer financeiramente. Queremos e precisamos crescer, sem se perder no caminho. Porque sucesso também é ter equilíbrio para continuar.

Livros para a jornada do autocuidado

Deixo aqui duas dicas de livros que fazem parte da minha leitura e tem ajudado de alguma forma a começar esse olhar de autocuidado, o processo é difícil mas a transformação é única e recompensadora.

  1. "A Coragem de Ser Imperfeito" Brené Brown: Mostra como a vulnerabilidade, longe de ser uma fraqueza, pode fortalecer relacionamentos, liderança e autoconfiança.
  2. "Essencialismo" Greg McKeown: Ensina a identificar o que realmente importa, reduzindo a sobrecarga e o excesso de demandas que alimentam o estresse.

Agora me conta, como vocês estão por aí em relação à saúde mental, estão de fato olhando para isso? Qual ferramenta estão utilizando para identificar esses sinais?

Até a próxima coluna!

Um ótimo mês de muitos negócios para vocês.

Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.