Lu Brito

Negócios com CNPJ e CPF: o quanto a sua história pessoal movimenta sua empresa

Lu Brito propõe um momento de atenção na rotina para rever a própria narrativa e lembrar de sua trajetória como um ativo estratégico de negócio

Segundo o Sebrae, mais de 55% dos pequenos negócios começaram a partir de experiências pessoais
Segundo o Sebrae, mais de 55% dos pequenos negócios começaram a partir de experiências pessoais Foto : Freepik

Oi, comunidade!

Nos últimos dias, um tema tem sido constante nas conversas e encontros que tenho tido: como contar a nossa história pessoal, que também é parte da história do nosso CNPJ.

No caso das empreendedoras, essa conexão costuma ter um peso extra. Afinal, o CNPJ pode até ser frio, técnico, jurídico... mas o CPF que sustenta esse negócio tem nome, rosto e cicatrizes. É uma mulher que, muitas vezes, começou empreendendo para pagar as contas, criar os filhos sozinha ou provar que é capaz.

Sabemos que, na maioria das vezes, a empreendedora tem muita história por trás da sua venda, que têm alma, têm memória, que carregou sacolas pesadas, enfrentou portas fechadas e encontrou caminhos se posicionando e criando autoridade em seu segmento.

Segundo a pesquisa “O Perfil do Empreendedor Brasileiro” (Sebrae, 2023), mais de 55% dos pequenos negócios começaram a partir de experiências pessoais. Essa estatística mostra o quanto empreender no Brasil é também uma forma de ressignificar dores e transformar vivências em soluções concretas.

E isso tem um valor enorme.

A mulher que abriu um salão porque sofreu racismo capilar. O jovem que criou um delivery porque viu a mãe vendendo comida com dificuldade. A mãe solo que montou um brechó porque passou a vida trocando roupas com vizinhas. São essas histórias reais que moldam negócios que têm identidade, propósito e pertencimento.

Quando a gente empreende com base na nossa história, o produto ou serviço carrega verdade. E é essa verdade que conecta com o cliente, que gera identificação, que cria valor e, principalmente, é isso que nos lembra por que começamos. Mesmo nos dias difíceis, que são muitos, mas que a cada entrega e trabalho concluído nos faz entender a importância de contar a história por trás da empresária, empreendedora.

Mas é claro que isso também traz desafios. Às vezes, é difícil separar o emocional do racional, colocar preço no que tem afeto ou não se sentir pessoalmente atacado diante de uma crítica. Isso faz parte do processo de amadurecimento como empreendedora ou empreendedor, e o equilíbrio vem com o tempo e com consciência.

💡 Uma dica:
Tire um tempo para escrever a origem do seu negócio em primeira pessoa. Não como pitch, mas como história de vida. Reveja essa narrativa quando faltar motivação e lembre que sua trajetória é, sim, um ativo estratégico do seu negócio.

Me conta a sua história?

Um abraço e até a próxima coluna.


Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.