Estamos no final de julho e é impossível não se assustar com a velocidade com que o primeiro semestre do ano passou.
Aproveite essa leitura e faça uma pausa/reflexão sobre tudo que vocês fez até hoje. As conquistas, as derrotas, o acúmulo de tarefas, reuniões, encontros online, sua renda com altos e baixos ou estagnada, vendas do seu negócio. Quantas vezes você falou ao longo dos primeiros meses sobre o que seu negócio faz? Ou ainda, quantas vezes você, que lê a coluna mas não empreende, mencionou para alguém a vontade de empreender ou os desafios dentro do seu trabalho?
Empreender é, muitas vezes, se ver em uma corrida sem linha de chegada. Planejamento, vendas, entrega, financeiro, redes sociais. A lista nunca acaba. Mas será que a gente se lembra que o descanso também é uma parte estratégica do negócio?
Segundo um estudo da Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (ABPOT), 62% dos empreendedores no Brasil relatam sintomas frequentes de estresse, e 38% já apresentam sinais de burnout. Isso se agrava entre empreendedores solos, mulheres e profissionais de negócios periféricos, que acumulam múltiplas funções e enfrentam uma pressão constante para dar tudo certo, mesmo sem rede de apoio.
Existe uma cultura, especialmente entre empreendedores de origem popular, de que precisamos estar sempre produzindo para provar que somos merecedores do sucesso. Que não podemos parar, porque tudo depende de nós. Só que essa lógica, além de injusta, é insustentável. A ideia de que “quem para perde” está nos matando aos poucos e nos afastando da nossa criatividade, saúde mental e capacidade de inovação.
Estou em uma agenda cheia com projetos lindos, com espaços kids pela cidade e eventos fazendo a diferença, com mentorados incríveis em nossos encontros, com convite para fazer parte de eventos lindos, mas feliz, e também cansada.
O cansaço constante compromete decisões importantes, mina a motivação e bloqueia ideias. Negócios de impacto precisam de pessoas inteiras, não exaustas. Pausas não são luxo, são estratégia. São autocuidado profissional e em muitos casos, são também a chave para atravessar fases difíceis com mais clareza e discernimento.
- Identificando e valorizando negócios de impacto
- Do comando à adaptação: o regresso das empreendedoras ao mercado de trabalho
- Julho das Pretas: celebrar, reconhecer e apoiar empreendedoras negras
Meus cinco centavos de contribuição:
Programe ao menos 1 pausa consciente na sua semana. Pode ser uma tarde sem agenda, uma manhã sem celular ou até uma caminhada em silêncio. Escreva no seu planejamento, como uma tarefa importante. Seu negócio agradece e você também.
Um abraço, comunidade!
Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.
