Queridas leitoras e leitores que sei que estão por aqui,
Essa semana, recebi um convite para ser facilitadora de um conteúdo sobre Pitch em um programa de negócios de impacto e também participar como banca avaliadora (eu adoro, não nego). Ao longo da minha jornada, tive a oportunidade de adquirir muito conhecimento. Sou mentora no ecossistema e normalmente sou escolhida também para conduzir negócios de impacto. Eu adoro o tema, mas, às vezes, é desafiador pela banca de avaliação não ter um olhar mais profundo em relação aos negócios de impacto
Trazendo um contexto: negócios de impacto são empreendimentos que visam gerar um impacto desde sua concepção; Buscam resolver problemas sociais ou ambientais, ao mesmo tempo em que geram retorno financeiro de forma sustentável. Esses negócios buscam soluções para problemas socioambientais através de suas operações principais, seguindo a lógica de mercado e buscando lucro. Por isso, existe uma dificuldade no posicionamento e entendimentos sobre negócios de impacto.
À primeira vista, podem parecer apenas mais um na multidão, mas é inegável o tamanho da rede empreendedora por trás de cada esquina, em feiras de bairro e nas redes sociais que pipocam pequenos negócios. No entanto, muitos desses empreendimentos carregam um diferencial poderoso: o impacto social e ambiental. Identificá-los e valorizá-los é crucial para construção de uma cidade sustentável e, quando estamos falando em comunidade, tem tudo a ver com o segmento.
Mas como reconhecer os negócios de impacto? Não se trata apenas de faturamento, mas sim da forma como o negócio se relaciona com a comunidade do entorno. Existem vários negócios com olhar para impacto. Eu mesma sempre tento consumir negócios de empreendedoras nesse segmento, seja na moda circular, na gastronomia, serviço entre outros.
Segundo o levantamento do 4º Mapa de Negócios de Impacto, realizado pela Pipe.Social e Quintessa em 2023, o perfil de fundadores é diverso, a maioria tem entre 25 e 44 anos, com 42% dos negócios liderados por equipes mistas de homens e mulheres. Pela primeira vez, negócios liderados por pessoas de outros gêneros aparecem na pesquisa, indicando maior diversidade.
Em relação à raça, 33% dos empreendedores se identificam como brancos, 25% pertencem a mais de uma raça ou etnia, 11% são pretos e 1% amarelos ou indígenas. Lideranças LGBTQIA+ representam 15%, e pessoas com deficiência, 5%.
Mas como identificar os negócios de empreendedoras de impacto social? Trouxe alguns pontos bem importantes para que vocês possam reconhecer e, quem sabe, passar a consumir. Confira:
Olho no propósito: O que move o negócio? Vai além do lucro? Pequenas empreendedoras de impacto geralmente nascem de uma dor social ou ambiental que buscam solucionar. Observe se a missão da empresa está alinhada a causas como inclusão social, sustentabilidade, educação ou saúde.
Valorização da mão de obra local e justa: Elas priorizam a contratação de pessoas da comunidade, oferecem condições de trabalho dignas e justas, e investem no desenvolvimento de seus colaboradores? Isso é um forte indicativo de impacto social.
Uso de recursos conscientes: Fique atenta à origem dos materiais. Uma boa empreendedora de impacto social utiliza insumos reciclados, orgânicos, de reuso ou de fontes sustentáveis além de minimizar o desperdício em seus processos. Essas são práticas que demonstram preocupação ambiental.
Engajamento comunitário: O negócio interage com a comunidade local? Promove oficinas, eventos educativos, ou destina parte de seus lucros para projetos sociais na região? Essa conexão demonstra um compromisso com o bem-estar coletivo.
Transparência e autenticidade: Empreendedoras de impacto tendem a ser transparentes sobre suas práticas e valores. Busque por negócios que comunicam abertamente seus objetivos e os resultados de suas ações.
Muitos desses empreendimentos surgem da necessidade de resolver problemas que afetam diretamente a vida das pessoas, como o acesso a alimentos saudáveis, a oferta de produtos artesanais que valorizam a cultura local, ou serviços que promovem a inclusão. Os pequenos empreendedores de impacto são verdadeiros motores de mudança. Ao apoiá-los, estamos fomentando a economia local, porque o dinheiro investido nesses negócios circula dentro da própria comunidade, gerando mais empregos e renda para cidade.
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Benefícios em apoiar negócios de impacto
✅ Fortalecer o tecido social: Ao gerar oportunidades e solucionar problemas, eles constroem comunidades mais resilientes e conectadas.
✅ Inspirar novos negócios: O sucesso desses empreendedores serve de inspiração para que outros sigam o mesmo caminho, criando um ciclo virtuoso de impacto.
✅ Construir uma marca para a cidade: Porto Alegre se posiciona como um polo de inovação e responsabilidade social, atraindo investimentos e talentos.
Ao abrir nossos olhos para essas empreendedoras, estamos não apenas consumindo um produto ou serviço, mas também investindo em um futuro melhor para nossa cidade. Da próxima vez que você for comprar algo, observe com atenção: talvez você esteja diante de um pequeno empreendedor de impacto, pronto para fazer a diferença.
Me conta, já conhecia ou conhece algum negócio de impacto?
Até a próxima coluna!
Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.
