Oi, leitoras.
Todos bem?!
Vamos ao texto da semana, que é de uma enorme relevância. Sabendo da importância desse espaço e do meu papel aqui como colunista, acredito que estou conseguindo trazer temas a partir de outro ângulo para vocês e, de alguma forma, plantar uma sementinha, abrir horizontes, aumentar a lente e ser uma agente transformadora.
Hoje, nosso tema é sobre O Julho das Pretas, um mês de luta, reflexão e celebração das mulheres negras na América Latina e no Caribe, com foco especial no Brasil.
O movimento surgiu inspirado no 25 de Julho, que é o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha — data criada em 1992, durante o Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, na República Dominicana. No Brasil, essa data também marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela, uma líder quilombola que resistiu bravamente à escravidão no século XVIII.
O verdadeiro significado do Julho das Pretas vai muito além da celebração: é um tempo de visibilidade, denúncia do racismo e do sexismo, e de reafirmação da luta por direitos, reconhecimento e justiça social para as mulheres negras, que historicamente são as mais afetadas por desigualdades.
Os principais desafios enfrentados pelas mulheres negras no Brasil atualmente são marcados pela interseção de racismo e machismo, o que resulta em obstáculos mais profundos e complexos do que aqueles vivenciados por outros grupos. Os tópicos mais relevantes de luta são: duplo preconceito, violência, desigualdade no mercado de trabalho, desigualdade de renda, acesso limitado à educação, sobrecarga e dupla jornada, sub-representação política, hiperssexualização e estereótipos e falta de políticas públicas específicas.
Durante o mês de julho, coletivos, organizações e comunidades realizam debates, oficinas, marchas, manifestações culturais e políticas para fortalecer o protagonismo das mulheres negras em todas as esferas da sociedade.
Muito mais do que o sétimo mês do ano, julho é o mês de lembrar, celebrar e, sobretudo, dar visibilidade à luta, à resistência e ao protagonismo das mulheres negras. O Julho das Pretas é uma oportunidade para destacar histórias de quem transforma desafios em conquistas, abrindo caminhos e inspirando outras mulheres.
Falar de mulheres negras é falar também de empreendedorismo como estratégia de emancipação. Muitas vezes, empreender é uma necessidade para driblar barreiras de acesso ao mercado de trabalho formal, mas também é um gesto de autonomia e inovação.
São cabeleireiras, estilistas, designers, consultoras, produtoras culturais, donas de pequenos negócios que movimentam a economia local, geram renda e fortalecem as suas comunidades. Conquistamos espaços e estamos fortemente na luta por visibilidade. Por isso, trago imagens de mulheres que vem transformando o ecossistema, se fazem presente, se superam. De alguma forma, compartilhamos o sentimento de vitória em todo palco que subimos.
Comemoro diariamente por tê-las em minha rede, em ter recebido um abraço e um olhar único que traduz o que significa estar naquele espaço. Conheçam seus nomes. Independente das instituições que representam, aqui as trago como são e quem são para além de suas empresas.
A força das empreendedoras negras está na capacidade de criar redes de apoio, de reinventar negócios em contextos adversos e de afirmar a sua identidade num mercado que ainda insiste em inviabilizá-las. Reconhecer e apoiar estas mulheres é urgente, seja divulgando os seus negócios, contratando os seus serviços, consumindo de forma consciente ou pressionando por políticas públicas que fomentem o empreendedorismo negro.
Celebrar o Julho das Pretas é, acima de tudo, garantir que essas vozes sejam ouvidas durante todo o ano. Que cada mulher negra empreendedora seja vista não apenas como resistência, mas como potência transformadora da sociedade.
Um abraço, leitoras!
Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.
