Mariana Reck

Restaurante de Porto Alegre projeta gastronomia gaúcha no Exterior

Mariana Reck explica como o Capincho chegou ao 50 Best Discovery com uma culinária sulista que valoriza produtores locais e ingredientes orgânicos

Prato principal da noite: Costela do dianteiro 16h, molho de carne, purê de moranga e brócolis
Prato principal da noite: Costela do dianteiro 16h, molho de carne, purê de moranga e brócolis Foto : Mariana Reck / Arquivo Pessoal / CP

A gastronomia também pode ser uma forma de conhecer um destino. Em Porto Alegre, o restaurante Capincho vem mostrando que ingredientes e sabores do Rio Grande do Sul podem despertar o interesse de quem viaja em busca de experiências à mesa. A casa, instalada em um charmoso casarão no bairro Moinhos de Vento, tem como proposta uma culinária sulista, com foco nos Pampas gaúchos e forte valorização de produtores locais e de ingredientes orgânicos do bioma.

Recentemente, o Capincho passou a integrar o 50 Best Discovery, guia gastronômico internacional que faz parte do universo do The World"s 50 Best Restaurants, publicação da revista britânica Restaurant. O restaurante é o único do Rio Grande do Sul presente atualmente na lista, colocando a gastronomia gaúcha em uma vitrine internacional.

Reconhecimento internacional para a gastronomia gaúcha

Mais do que um reconhecimento para a casa, a presença em uma lista desse alcance pode contribuir para despertar a curiosidade de visitantes que escolhem seus destinos também pelo que irão comer. Para Porto Alegre, isso significa uma oportunidade de atrair um público interessado em gastronomia e, a partir da experiência no restaurante, conhecer outros lugares, produtores, vinícolas, atrações da Capital gaúcha e do Estado.

É um movimento que aproxima a gastronomia do turismo e mostra como a mesa também pode ser uma porta de entrada para descobrir um destino. O Capincho também acumula outros reconhecimentos. Ocupa a 11ª posição na lista dos 100 melhores restaurantes do Brasil da revista Exame e aparece em primeiro lugar em dois rankings estaduais: o dos 30 Melhores Restaurantes do Rio Grande do Sul, da Revista Sabores do Sul, e o dos 35 Melhores Restaurantes do RS, do Bom Gourmet.

Experiência e identidade culinária

À frente do projeto estão os sócios Marcelo Schambeck, Flávia Mu e Fred Müller. Schambeck, que comanda a cozinha, foi eleito “chef do ano” pela Revista Veja em 2017. A trajetória ajuda a explicar a identidade do Capincho, que há anos aposta em uma cozinha conectada ao território, respeitando a sazonalidade e dando protagonismo a ingredientes e produtores locais.

Tive a oportunidade de conhecer o restaurante recentemente e, depois de experimentar o menu, entendi melhor por que a casa vem conquistando tantos reconhecimentos. A experiência começa antes mesmo de chegar à mesa: o ambiente do casarão, no Moinhos de Vento, cria uma atmosfera acolhedora e sofisticada, enquanto a cozinha apresenta uma leitura contemporânea de ingredientes que fazem parte do repertório regional.

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Os sabores do Capincho

Entre as entradas, provei a Beterraba e batata moranga assadas, requeijão de queijo de cabra, laranja e crocante de batata doce roxa. O prato combina diferentes texturas e sabores e mostra como vegetais podem assumir o protagonismo.

Também experimentei o Tartare de contra-filé com óleo de pimenta e especiarias, pepino, espuma de pepino, iogurte e pó de alga, que acompanha pão crocante. E não poderia faltar o Coração de galinha com molho de ervilha, ervilha fresca, emulsão de alho crioulo negro e pão com alho na brasa foi outra das entradas que provei. O prato parte de um ingrediente muito presente na tradição do churrasco gaúcho e o apresenta de uma maneira completamente diferente.

Prato principal: a costela do dianteiro

Para o prato principal, minha escolha foi a Costela do dianteiro 16h, molho de carne, purê de moranga e brócolis ramoso na brasa com emulsão de nirá, noz pecan e alho frito. Esse é o carro-chefe da casa, e eu entendi por quê. Sensacional! A costela se desmancha e o molho é muito saboroso. E os acompanhamentos também são deliciosos. Foi, para mim, o melhor prato da noite.

As sobremesa têm a proposta de valorizar ingredientes que remetem ao território local | Foto: Mariana Reck / Arquivo Pessoal / CP

Uma sobremesa com toque local

A sobremesa também mantém a proposta de valorizar ingredientes que remetem ao território. Provei a Tarte de chocolate Magian Cacao, coquinho de butiá, sorbet de butiá e poejo, que combina o chocolate com a acidez e o perfume do butiá.

Outra sobremesa que experimentei foi o Sorvete de macela e cítricos da estação, crocante de noz pecan, mel de abelha nativa, hortelã e manjericão. Foi uma das maiores surpresas da experiência. É uma sobremesa muito criativa e diferente, que utiliza ingredientes gaúchos de uma forma pouco convencional e deliciosa.

Para quem viaja em busca de experiências, descobrir um destino também pode começar à mesa. E o Rio Grande do Sul tem cada vez mais histórias para contar por esse caminho.

Mariana Reck é criadora de conteúdo sobre viagens no Instagram, consultora de milhas aéreas e embaixadora do Viva o RS, projeto em parceria com o Sebrae, Setur RS e Wine Locals. Formada em Sistemas de Informação, compartilha experiências e dicas para tornar cada viagem mais acessível e inesquecível.