Nos últimos tempos, meu feed do Instagram ficou cheio de fotos minhas de biquíni e fantasias de Carnaval, mostrando meu corpo como uma mulher real, um corpo cheio de curvas. E o contraste aparece ao rolar o feed e observar a recente aparição de Demi Moore na semana de moda.
Essa aparição de Demi voltou a gerar debates intensos nas redes sociais e na imprensa internacional sobre sua aparência extremamente magra.
Aos 60 anos, a atriz — eternizada por filmes como Ghost — surgiu com um visual elegante e sofisticado, mas o que mais chamou atenção foi sua silhueta extremamente esguia, considerada por muitos como “assustadora” ou “excessivamente magra”.
Durante eventos como a Paris Fashion Week, onde estilistas e celebridades exibem criações que celebram estética, tendência e imagem, o corpo feminino frequentemente se torna parte da narrativa visual, deixando em evidência alguns padrões e estéticas em alta na temporada. Demi Moore, sempre associada a uma imagem de beleza atemporal e disciplina física, apareceu com traços ainda mais definidos, braços e colo visivelmente mais finos.
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Enquanto alguns elogiaram sua elegância e presença marcante, outros levantaram preocupações sobre os padrões de beleza reforçados pela indústria da moda, especialmente em eventos como a Milan Fashion Week, onde a magreza extrema historicamente foi associada à alta-costura. A discussão não gira apenas em torno de Demi, mas sobre a pressão constante que mulheres, inclusive celebridades consagradas, enfrentam para manter uma aparência jovem e magra, muitas vezes sob escrutínio público implacável.
Toda essa discussão e comparação entre corpos e belezas reais estão ligadas, mais uma vez, ao padrão de magreza extrema e ao que se torna aceitável e bonito, não importa a que custo. É importante lembrar que especulações sobre saúde e peso podem ser prejudiciais. A imagem capturada em um evento pode refletir iluminação, ângulo, styling ou até mesmo uma fase específica da vida. No entanto, o episódio reacende um debate antigo: até que ponto a indústria da moda ainda perpetua padrões corporais restritivos? E como isso impacta mulheres comuns que consomem essas imagens diariamente? E aumenta ainda mais esse debate: quantos corpos diferentes observamos nas semanas de moda? E qual é a faixa etária das modelos?
No fim, a presença de Demi Moore na semana de moda não foi apenas sobre roupas ou tendências, mas sobre o corpo feminino como território de julgamento público e sobre como o manipulamos — ou melhor, como nos manipulamos — para que nosso foco seja sempre a busca da beleza e da magreza perfeitas, como se a mulher fosse apenas isso.
A conversa que se seguiu revela que, embora a moda evolua a cada temporada, a relação da sociedade com o corpo da mulher ainda precisa avançar muito.
Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.
