Marina Käfer

O futuro do consumo está nos 50+: onde está o dinheiro e os novos consumidores online

Análise de Marina Käfer sobre como o público 50+ se tornou o principal motor do consumo digital e do desejo das marcas

Com renda, autonomia e familiaridade digital, o público 50+ redefine o consumo online
Com renda, autonomia e familiaridade digital, o público 50+ redefine o consumo online Foto : Freepik / Divulgação / CP

Em 2026, uma transformação silenciosa, mas profunda, está reconfigurando o mapa do consumo no Brasil e no mundo: os 50+ deixaram de ser um público periférico para se tornarem o centro gravitacional da economia digital. Enquanto muitas marcas ainda miram obsessivamente os mais jovens, a realidade dos números revela um cenário diferente e bem mais lucrativo.

As pesquisas mais recentes mostram que a população brasileira com 50 anos ou mais já representa cerca de 27,9% dos brasileiros, e essa fatia tende a crescer, chegando a 40% ou mais até 2050, segundo projeções demográficas.

Essa faixa etária não apenas envelhece, mas amadurece com renda e autonomia financeira, diferentemente dos jovens, que ainda estão em processo de entrada no mercado de trabalho.

Talvez os dados mais impactantes estejam no comércio eletrônico. Uma pesquisa recente de lojas on-line nacionais mostra que os consumidores com 50 anos ou mais foram o grupo que mais cresceu nas compras pela internet em 2024, passando de 33% para 38% de todos os compradores online. O grupo superou, inclusive, perfis mais jovens. O que mais marca essa mudança no consumo 50+ é o uso das redes sociais, especialmente o Instagram: para cada um jovem que entra na plataforma, 21 novos usuários com 65 anos ou mais passam a utilizá-la.

A eficácia de campanhas voltadas ao público 50+ passa por uma mudança de paradigma. Não se trata de “envelhecer” mensagens, mas de reconhecer a autonomia, o poder de decisão e a diversidade desse consumidor. Clareza, utilidade, confiança e relevância são valores centrais, que influenciam tanto a jornada de compra quanto a fidelização às marcas.

À medida que 2026 se aproxima, fica claro que o verdadeiro motor do consumo digital e offline já não está nas gerações mais novas. Ele está nos 50+, onde está o dinheiro e onde estão os novos consumidores online. Marcas que compreendem esse movimento não estarão apenas surfando uma tendência de curto prazo, mas alinhando seus produtos e narrativas a um futuro mais próspero e duradouro.

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Há exemplos claros de quem já entendeu esse cenário. A Chanel vende mais de 80% de seus produtos para o público 50+, mas segue sendo um forte objeto de desejo para as gerações mais jovens. Isso significa que a marca lucra majoritariamente com consumidores maduros e, ao mesmo tempo, preserva seu apelo junto a quem será seu público no futuro.

A conclusão é que marcas brasileiras que souberem unir desejo e venda no mesmo produto, dialogando com diferentes gerações sem fragmentar sua identidade, tendem a dominar o mercado. Em poucas décadas, vivemos uma revolução cultural de grande magnitude, comparável apenas à transformação observada nos anos 1990.

Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.