Marina Käfer

O que vestimos pode mudar o nosso cérebro? Entenda o termo “enclothed cognition”

Marina Käfer explica como as roupas podem influenciar nos processos cognitivos

Efeito “enclothed cognition” tem implicações na moda, no ambiente de trabalho e na autoestima
Efeito “enclothed cognition” tem implicações na moda, no ambiente de trabalho e na autoestima Foto : Freepik

O termo “enclothed cognition”, traduzido para o português, é “cognição vestida”. Embora não tenha uma tradução exata, o conceito da psicologia sugere que nossas roupas influenciam nossos processos cognitivos, emoções, comportamentos e até mesmo nossas habilidades.

A ideia foi proposta em um estudo de 2012 pelos pesquisadores Hajo Adam e Adam D. Galinsky. Eles descobriram que vestir certas roupas pode afetar nossa maneira de pensar e agir, com base no significado simbólico atribuído a elas. No experimento, participantes que usaram jalecos de médicos tiveram um desempenho melhor em tarefas de atenção e concentração do que aqueles que usaram roupas casuais ou que apenas viram o jaleco sem vesti-lo.️️

Isso mostra que não apenas a aparência externa é importante, mas também a forma como nos sentimos e nos identificamos com o que vestimos. O efeito “enclothed cognition” tem implicações na moda, no ambiente de trabalho e na autoestima, reforçando a ideia de que a roupa pode ser uma ferramenta poderosa para melhorar a confiança e o desempenho em diversas situações.

O jeito de vestir muda nossa relação com o mundo e até mesmo com nossos objetivos. Porém, não se sabe se isso ocorre através da autoestima e empoderamento ou se vestir as roupas sem propósito é um tipo de autossabotagem irracional para não atingir o que queremos. Complexo, né?

Então, significa que podemos nos vestir para não conquistar nossos objetivos e culpar o universo por isso? ️️

Faz sentido, sim, pois quando a roupa está alinhada ao propósito e com estilo da pessoa, a performance fica melhor, ela rende mais. E pessoas que não se vestem de acordo com o objetivo, se autossabotam e rendem menos, trazendo uma insegurança que reflete no comportamento.

Quando falamos de estilo pessoal, falamos sobre identidade visual. Isso porque a roupa sempre chega primeiro que toda e qualquer informação sobre a pessoa, então, a relação é: o que está sendo vestido é o que está dentro.

Me conta, você vem transmitindo o que tem dentro de você através da roupa?

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Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.