O Brasil está entre os países que mais realizam cirurgias plásticas no mundo, frequentemente disputando o primeiro lugar com os Estados Unidos. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil é referência mundial na área, especialmente em cirurgias como lipoaspiração, rinoplastia e implantes mamários.
Isso se deve a vários fatores, incluindo a forte cultura da estética, mas o ponto mais importante e preocupante quando falamos em números é a idade das pessoas que estão fazendo os procedimentos. Uma pesquisa feita com crianças entre 8 a 10 anos sobre a insatisfação com o corpo apontou que mais de 60% das crianças não gostam dos seus corpos. Isso não te assusta quando você lê essa frase?
Isso deixa muito claro a pressão estética sobre o corpo das mulheres, ligando corpos ao sucesso, ao amor e acabando com o amor próprio, provocando uma pressão estética e a cultura da magreza.
A cultura da estética e a cultura da magreza estão relacionadas, mas não são exatamente a mesma coisa.
🤔 Cultura da estética
Refere-se à valorização da aparência física como um fator importante na sociedade. No Brasil, isso se manifesta na busca por procedimentos estéticos, desde cirurgias plásticas até tratamentos minimamente invasivos, como harmonização facial e preenchimentos.
Essa cultura é alimentada por influências da mídia, redes sociais e até pelo clima tropical, que incentiva roupas mais curtas e corpos à mostra.
🤔 Cultura da magreza
Já a cultura da magreza é mais específica e está ligada à ideia de que ser magro é um padrão de beleza ideal. Essa mentalidade pode levar a dietas extremas, distúrbios alimentares e um culto ao corpo magro em detrimento da saúde.
Embora essa cultura ainda seja forte, principalmente na moda e no entretenimento, há uma crescente valorização da diversidade corporal e da estética “fitness”, que não foca apenas na magreza, mas também em um corpo definido e atlético.
No Brasil, essas duas culturas se cruzam, mas o país também tem uma forte valorização de corpos curvilíneos, diferindo de outros lugares onde a magreza extrema ainda é mais idealizada.
Nessa contrapartida de comportamentos sociais relacionados a nossa miscigenação, o padrão corporal da magreza extrema retorna nos últimos anos, com a volta de tendências dos anos 2000, como a moda “heroin chic”. O retorno de calças de cintura baixa, tops curtos e silhuetas mais enxutas nas passarelas sugere que a cultura da magreza extrema pode estar se fortalecendo de novo.
No Brasil, apesar da valorização dos corpos curvilíneos, há uma pressão crescente pela magreza, agora disfarçada sob o discurso de “saúde” e “autocuidado”.
Nos últimos dias, observamos diversos comentários nas redes sociais sobre o corpo de Paolla Oliveira, uma mulher com 43 anos, curvilínea, sendo criticada pelo corpo real nos ensaios pré-carnaval. (Paolla Oliveira, a mulher mais linda desse Brasil na minha visão, sendo julgada pelo seu corpo 🥴🥴🥴🥴).
Outro detalhe importante sobre esse retorno de padrão é o boom dos medicamentos para emagrecimento, como a semaglutida (tipo Ozempic), que reflete a busca intensa por um corpo mais magro em tempo recorde. Além disso, influenciadores e celebridades estão cada vez mais aderindo a esse padrão, reforçando-o nas redes sociais.
Então, o recado que eu deixo é: cuide do seu corpo, da sua mente e ame cada parte do seu corpo como lar. ♥️
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Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.
