10 razões para aprender a fazer cerâmica como forma de autocuidado

Descubra como a prática pode melhorar a sua saúde mental, promovendo calma, foco e criatividade para o seu dia a dia

Atividades artesanais contribuem para a prevenção de transtornos psicológicos e melhora da qualidade de vida
Atividades artesanais contribuem para a prevenção de transtornos psicológicos e melhora da qualidade de vida Foto : Freepik

A campanha Janeiro Branco é dedicada à promoção da saúde mental e emocional. Inspirada em movimentos como o Outubro Rosa, ela busca trazer à tona discussões sobre a importância de cuidar do bem-estar psicológico e incentivar a população a buscar apoio especializado quando necessário.

Nesse contexto, atividades como a cerâmica artesanal ganham destaque por contribuírem tanto para a prevenção de transtornos psicológicos quanto para a promoção do bem-estar emocional e a melhora da qualidade de vida.

A prática de moldar a argila é milenar e combina a conexão com a ancestralidade e a consciência do momento presente. Atividades manuais e artesanais, como a cerâmica, têm atraído um grande público que busca alternativas para aliviar o estresse, reduzir a ansiedade e reconectar-se consigo mesmo.

O envolvimento com materiais naturais e o foco necessário para criar uma peça artesanal proporcionam momentos de calma e introspecção, funcionando quase como uma meditação ativa.

À frente de seu ateliê, o ceramista e professor Jef Castelani revela que o trabalho rudimentar de moldar a argila é uma das atividades que mais promovem a sensação de bem-estar. “A cerâmica é um meio de expressão da criatividade que, em sua essência, expande a compreensão de quem somos e como nos conectamos com nós mesmos e com o ambiente”, define.

A seguir, o profissional compartilha 10 benefícios para mergulhar no universo da cerâmica:

1. Estímulo da criatividade

O exercício de criar algo do zero desafia a imaginação e, de acordo com Jef, permite a expressão humana do interno para o externo. Ou seja, a arte reproduz na argila a personalidade de seu autor, que por sua vez, manifesta parte de seus pensamentos, sensações e experiências.

“É uma boa maneira para pessoas de todas as idades conhecerem aquilo que podem realizar. Podemos ser mais criativos do que pensamos e na cerâmica não há maneira certa ou errada”, avalia.

2. Mais foco!

Ao manipular a cerâmica, toda a concentração está focada na tarefa, deixando em segundo plano todas as preocupações e influências externas. “Ser capaz de se fixar totalmente em algo ajuda a mente a relaxar e expandir, além de contribuir para que consigamos destinar essa concentração para outros setores e momentos da vida”, explica o ceramista.

De acordo com ele, esta aptidão coopera na redução do estresse, já as distrações são atenuadas. “Sem contar que toda dor e desconforto ocasionada pela exaustão é aliviada durante o processo”, complementa.

3. Resistência

Colocar a mão na massa demanda do corpo físico. No entanto, de acordo com Jef, não se trata de força, mas a tonificação de mãos, pulsos e braços. Para pessoas propensas às questões de saúde como artrite, mexer com a argila auxilia na melhora da agilidade e do movimento das articulações.

4. Promoção da sociabilidade

Embora a cerâmica seja frequentemente associada a uma atividade solitária e ideal para quem prefere concentrar sua energia de jeito introspectivo no estúdio, ela também pode ser praticada em coletivo com outros aprendizes.

“A atmosfera leve e descontraída é benéfica para aliviar qualquer ansiedade social e facilita o início de uma conversa”, analisa Jef.

5. Imortalidade da arte

O ceramista reflete sobre a compreensão do tempo presente em suas obras. Podendo durar anos, décadas e até séculos, ele ressalta que a arqueologia já foi capaz de recuperar registros desta arte milenar que foram confeccionados por civilizações há muito extintas.

“A cerâmica está entre as artes mais nobres e imortais e uma peça confeccionada hoje pode ser eternizada na vitrine de um museu, preservando as memórias de uma época histórica”, pondera. Para ele, este é um pensamento inspirador.

6. Natureza e sustentabilidade

A cerâmica artesanal utiliza materiais naturais, como argila e minerais, mantendo uma forte conexão com o ecossistema e, ao contrário dos processos industriais, a produção manual consome menos recursos e gera menos resíduos.

Em seu ateliê, Jef adota métodos ecológicos visando minimizar o impacto ambiental. “Toda a argila empregada é reciclada e aproveitamos 100% do material. Além disso, toda a água é reaproveitada e os esmaltes para pintura são preparados com cinzas de árvores como ipês e pinheiros”, detalha.

7. Perspectiva otimista

Entre os pontos positivos experienciados por meio da cerâmica, o artista destaca a melhora na confiança e autoestima.

“No momento da virada de chave da minha vida, a aplicação das técnicas reverberou em mim como uma válvula de escape para meus momentos de infelicidade e se transmutou no suprassumo que me concedeu força e a oportunidade de me (re)conhecer”, compartilha Jef.

8. Qualidade de vida

“A arte é, sem dúvidas, um hobby importante para a autoexpressão”, afirma o artesão que a classifica como um caminho de auto conexão ao mergulhar em novas criações, aprender novas técnicas e finalizá-las: essas etapas cumulam no compromisso vitalício de combinar um entretenimento com finalidade.

9. Sentimento de realização

Ao concluir um trabalho, o artesão experimenta uma sensação de conquista associada à satisfação de ver algo nascer do zero, por suas próprias mãos, e saber que dali surgiu elemento um funcional ou decorativo.

“Desfrutamos da mais verdadeira satisfação acompanhada pelo sentimento incomensurável de gratidão”, ressalta Jef.

10. Oportunidade de empreendedorismo

O artesão destaca que a cerâmica artesanal também é uma oportunidade de negócio. “Com a valorização dos produtos feitos à mão no design de interiores, existe uma demanda crescente por peças personalizadas e sustentáveis”, explica ele, que ainda enaltece o senso de unicidade dos itens manufaturados.

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Por mais que se tente reproduzir a peça da mesma forma, sempre haverá pequenas diferenças em seu molde, dimensões ou cor. “Este é o charme do artesanato e há uma procura cada vez maior que abre portas para quem almeja posicionar a paixão pela cerâmica em uma fonte de renda, seja através de vendas diretas ou de oficinas de ensino”, acrescenta.

Por fim, Jef reafirma que a cerâmica artesanal vai muito além da simples criação de objetos: trata-se de um processo que congrega arte, terapia, sustentabilidade e uma profunda conexão com a história e a natureza.