Pamonha, canjica, paçoca, quentão, bolo de milho, pipoca e caldo quentinho. Basta o mês de junho chegar para que as comidas típicas ocupem escolas, ruas, clubes, festas comunitárias e encontros em família. Mais do que parte do cardápio, os sabores das festas juninas carregam memória afetiva e fazem parte da cultura brasileira.
Mas, junto com o clima de arraial, também costuma aparecer uma dúvida: dá para aproveitar tudo isso sem exagerar? Para a nutricionista Camilla Darwich, do dr.consulta, a resposta é sim. A chave está na moderação, não na proibição.
Segundo a especialista, muitas preparações juninas são feitas com ingredientes que podem ter valor nutricional interessante, como milho, amendoim, coco, mandioca, gengibre e especiarias. O problema, em geral, aparece quando as receitas recebem grandes quantidades de açúcar, leite condensado, creme ou gordura.
“O contexto e a quantidade fazem diferença”, explica Camilla. O milho, por exemplo, pode ser fonte de fibras e energia. Já o amendoim tem gorduras boas e proteínas. Por isso, mais do que classificar os alimentos como vilões, a orientação é observar o conjunto das escolhas ao longo da festa.
Pequenas porções também somam
Um dos cuidados apontados pela nutricionista é evitar o hábito de “beliscar sem perceber”. Experimentar um pouco de tudo pode parecer inofensivo, mas, ao longo da noite, pequenas porções de diferentes preparações podem resultar em um consumo elevado de açúcar, gordura e calorias.
A recomendação é escolher o que realmente dá vontade de comer e priorizar porções menores. Muitas vezes, meia porção de um doce típico ou uma fatia menor de bolo já são suficientes para matar a vontade sem causar desconforto.
Outro ponto de atenção são as bebidas. Quentão, vinho quente, refrigerantes e drinks também podem concentrar açúcar e contribuir para os excessos, especialmente quando consumidos junto com doces e frituras.
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Comer antes da festa pode ajudar
Ir para o arraial em jejum, tentando “compensar” o que será consumido depois, costuma ter o efeito contrário. Ficar muitas horas sem comer aumenta a fome e pode favorecer escolhas impulsivas.
Camilla orienta que a pessoa faça uma refeição leve antes da festa ou mantenha a rotina alimentar do dia. Assim, fica mais fácil aproveitar os alimentos típicos com mais controle e sem a sensação de urgência diante das barracas.
Comer devagar também ajuda. A festa junina envolve música, conversa, brincadeiras, quadrilha e ambiente. Ou seja, não precisa virar uma maratona gastronômica entre uma barraca e outra.
Opções mais leves também fazem parte do arraial
Entre as alternativas que costumam ser menos pesadas estão milho cozido, pipoca com pouca manteiga, mandioca cozida, espetinhos simples e caldos mais leves. Também é possível adaptar receitas tradicionais com menos açúcar e gordura, sem perder o sabor característico da época.
A ideia, reforça a nutricionista, não é transformar a festa em uma lista de restrições, mas permitir escolhas mais equilibradas. Comer uma paçoca ou uma fatia de bolo de milho não precisa vir acompanhado de culpa. O cuidado maior é evitar que uma única noite se transforme em uma sequência de exageros.
Quem precisa redobrar a atenção
Pessoas com diabetes, obesidade, gastrite, refluxo, triglicerídeos elevados, doenças hepáticas ou que passaram por cirurgia bariátrica devem ter mais cuidado com os excessos alimentares. Nesses casos, o consumo exagerado de açúcar, gordura ou bebidas alcoólicas pode provocar mal-estar, desconfortos digestivos e alterações glicêmicas.
A orientação profissional também é importante para quem percebe dificuldade frequente para controlar a alimentação, ganho de peso acelerado, episódios de compulsão, alterações de glicemia ou sintomas digestivos recorrentes.
Para Camilla, alimentação saudável não precisa excluir momentos culturais e sociais. Com equilíbrio, é possível aproveitar a festa junina, manter o cuidado com a saúde e ainda deixar espaço para o principal ingrediente da temporada: o prazer de celebrar.
