Pode acreditar: a maior tendência da Semana de Moda de Copenhague já desfilou na sua casa e, muito provavelmente, está no seu armário. Nesta temporada de primavera/verão, os amados chinelos dominaram o universo fashion, das versões mais casuais até modelos super inovadores.
Famosa como a semana mais criativa do calendário de moda, a CPHFW encerrou sua temporada mais recente na última sexta-feira, 8, mas seus destaques seguem reverberando na internet e inspirando fashionistas pelo mundo. A gaúcha Fernanda Postal é uma delas.
Apaixonada pelo evento, a designer de moda marcou presença em mais uma edição do circuito. Ela acompanhou de perto os desfiles e compartilhou com o Bella Mais os destaques que, segundo ela, merecem um lugar no seu radar de tendências.
Além das grandes apresentações de novas coleções, as ruas da capital dinamarquesa também se tornam passarelas ao longo da programação. Há muito tempo, o street style deixou de ser coadjuvante e conquistou o protagonismo, reunindo diferentes personalidades que se encontram em um ambiente mais tranquilo e amigável que outras capitais da moda.
Fernanda logo conta que se surpreendeu com o número de saltos que viu entre o público presente na cidade. Até quando a proposta eram os chinelos de dedo, a versão com salto virou febre. Ela compara o fenômeno com o hype dos tênis apontado nas últimas edições.
Para a gaúcha, o estilo dinamarquês costuma ser mais sofisticado no dia a dia, mas a semana de moda é o momento perfeito para se expressar e ousar. E Fernanda também entrou no jogo: entregou vários looks ao lado da mãe, que fez todo o roteiro de shows com ela. Entre trocas que envolviam mais de um visual por dia, a correria para chegar a tempo de todas as apresentações e todos os perrengues chiques que viveram, ela admite que mal pode esperar para viver isso de novo.
Mas elas não foram as únicas brasileiras presentes. O público do Brasil foi em peso acompanhar as novidades fashion, especialmente em desfiles como o da Rolf Ekroth, que teve maquiagem assinada pela marca nacional People Color.
E, falando em Brasil, impossível não mencionar o hype dos chinelos. “As Havaianas conquistaram a Europa finalmente”, celebra. Ela esteve no lançamento do novo modelo 3D, criado em parceria com a marca alemã Zellerfeld, e viu de perto o burburinho em torno da novidade apresentada na passarela da opéraSPORT.
Se nos pés os chinelos dominaram, na cabeça o destaque foi outro: as toquinhas de crochê. “Sinceramente, devo ter visto umas 200 pessoas usando. É um acessório que eu já tinha visto começar na Paris Fashion Week, mas agora, em Copenhague, estava a milhão”, afirma.
✨ Texturas, materiais e inovações
Entre as tendências de materiais e acabamentos, Fernanda destaca as sobreposições em camadas, especialmente com rendas, o paetê presente tanto nas passarelas quanto nas ruas, e um trabalho diferenciado no couro, com costuras que criam textura e efeito visual. Nas cores, o rosa claro foi onipresente, surgindo nas araras, nas coleções e nos looks do street style.
Mas a inovação não parou por aí. No showroom da designer finlandesa Sofia Ilmonen, Fernanda conheceu peças modulares que se transformavam com botões, permitindo criar diferentes roupas a partir dos mesmos elementos. É uma proposta que conecta moda, técnica e criatividade de forma sustentável, exatamente como a CPHFW costuma apresentar.
Essa visão está alinhada às metas da própria semana de moda, que desde 2023 exige que todas as marcas participantes cumpram padrões rígidos de sustentabilidade, incluindo uso de materiais responsáveis e práticas de produção de baixo impacto.
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✨ Estampas para ficar de olho
O poá, que já havia aparecido com força na temporada de janeiro, voltou ainda mais popular, especialmente nas versões preto e branco. Mesmo que seja uma padronagem clássica que vai e volta na moda, talvez esse momento seja o pico da tendência.
“Eu vi bastante nas passarelas e muita gente usando na rua, principalmente preto e branco. Talvez fique mais um pouco, mas eu acho que já está chegando no auge. Não sei se daqui um ano vai estar tão hypada quanto está agora. Então é hora de usar”, complementa.
As listras e o floral também chamaram atenção, aparecendo tanto nas passarelas da Marimekko quanto nas da Munthe, e se repetindo nos looks do público.
✨ Muito mais que roupas
Na CPHFW, a experiência começa muito antes da primeira modelo entrar na passarela. Fernanda descreve um clima quase familiar em frente aos locais de desfile: as pessoas chegam cedo, cumprimentam conhecidos que, muitas vezes, só haviam visto pelas redes sociais, trocam impressões sobre os looks e posam para fotos sem pressa, o que é raro em outras grandes semanas de moda.
Essa proximidade entre público e marcas transforma a moda em diálogo. Para quem busca fortalecer comunidades e reforçar valores de forma genuína, é o cenário ideal para uma estratégia orgânica que começa no pré-desfile e se prolonga na atmosfera da apresentação, da passarela à trilha sonora, passando pela comunicação que amarra toda a experiência.
A Fine Chaos é um exemplo claro disso. Segundo Fernanda, a maior parte do público parecia estar ali não apenas pelo dress code da marca, mas porque compartilhava da mesma forma de se expressar.
A diversidade também é parte natural da cultura do evento. Pessoas de diferentes corpos, estilos e histórias dividem o mesmo espaço nas passarelas sem que isso seja tratado como algo excepcional, e talvez seja justamente essa naturalidade que torne a Semana de Moda de Copenhague tão única.
*Sob supervisão de Mauren Xavier
