Copenhague: moda e sustentabilidade para além das passarelas

Designer gaúcha Fernanda Postal traz os detalhes por trás da Copenhagen Fashion Week

Copenhague se mostra conectada ao conceito de um estilo de vida consciente
Copenhague se mostra conectada ao conceito de um estilo de vida consciente Foto : Noor-u-Nisa / Copenhagen Fashion Week / Divulgação / CP

A Copenhagen Fashion Week (CPHFW) já acabou, mas seus impactos vão seguir reverberando no cenário global. Uma das quatro principais semanas de moda, a London Fashion Week, com início amanhã, 20, anunciou que vai adotar a política dos requerimentos de sustentabilidade que Copenhague já segue. Essa decisão comprova a influência da capital dinamarquesa para que a moda seja repensada de maneira consciente.

Com foco em sustentabilidade, inovação e diversidade, a CPHFW chama atenção por sua abordagem única. Ela conta com um plano de ação com diretrizes essenciais para a participação das marcas. Todas as coleções devem atender a padrões que abrangem desde a diversidade e pluralidade na passarela até o cuidado com a cadeia de produção e vida útil das peças.

Esse tema se reflete não só nas coleções apresentadas, mas também na maneira como a cidade e os participantes se engajam com a proposta. A designer gaúcha Fernanda Postal, que esteve presente em todos os dias do evento, compartilhou detalhes do que viu nas ruas de Copenhague para além das passarelas. “Todos os dias tinha alguma palestra aberta ao público sobre tópicos que também envolvem sustentabilidade e carreiras na moda”, conta.

Com um ambiente mais tranquilo e menos agitado que outras capitais da moda, como Paris e Milão, Copenhague se mostra mais conectada ao conceito de um estilo de vida consciente. “Muita gente ia de um desfile para o outro de bicicleta, por exemplo. O astral é bem diferente das outras cidades”, comenta.

Nos bastidores, o acesso mais democrático também é um ponto positivo. Ao contrário de outros eventos, que são muitas vezes têm listas de convidados extremamente restritas, a CPHFW oferece espaços para o público geral, desde palestras a feiras de novos materiais. Isso contribui para que a cidade se torne um centro de aprendizado e discussão sobre moda consciente, não apenas para quem está diretamente envolvido na indústria, mas também para aqueles que buscam entender e se engajar com esse universo.

“Eles envolvem toda a cidade, porque os eventos eram por toda a cidade, e dão espaço tanto para as pessoas que estão assistindo aos desfiles, que tem muita influência, quanto para as pessoas que querem falar de moda, aprender e entrar nesse universo. É realmente diferente”, enfatiza.

O visual nas ruas de Copenhague também se destaca até mesmo entre quem não está participando da semana de moda. “Lá, o estilo é diferente. Parece que eles não fazem esforço nenhum, só colocam uma camisa, um trench coat, uma calça jeans larguinha e ficam impecáveis”, detalha Fernanda. “O estilo deles é muito simples, mas tudo parece perfeitamente colocado junto, sempre pensando no conforto. São peças não muito justas, bem confortáveis e com muitos acessórios também para completar o look.”

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Já nos desfiles, a designer aponta a predominância de materiais com aspecto usado e desgastado, além de sobreposição de peças e aplicações 3D. “Nas passarelas, tinha bastante lenço na cabeça, no cabelo, na cintura ou pendurado. No street style, as pessoas também estavam usando, além de muito casaco de pelo, fox fur, em várias cores e estampas.”

Ao refletir sobre o impacto que a Copenhagen Fashion Week pode ter nas semanas de moda tradicionais, Fernanda acredita que a mudança já começou a acontecer e que a adoção de princípios sustentáveis em eventos como a London Fashion Week é uma prova de que o movimento está ganhando força. “Devagar, eu acho que ela vai acabar dominando todas as outras. Vai chegar um ponto em que a sustentabilidade não vai ser mais um diferencial, ela terá que ser a base da moda.”