O segundo dia da Semana de Alta-Costura de Paris começou com referências a contos como “João e o Pé de Feijão” e peças históricas do guarda-roupa da maison francesa Chanel, que abriu a passarela do evento nesta terça-feira (7). O estilista franco-belga Matthieu Blazy apresentou sua segunda coleção de alta-costura para a marca.
Em um cenário repleto de flores coloridas, trepadeiras e espelhos mágicos, montado no Grand Palais, próximo à avenida Champs-Élysées, na capital francesa, destacaram-se peças com alusões diretas a contos tradicionais. Casacos confeccionados como se fossem de palha, que remetiam a espantalhos e vestidos quase transparentes com plantas trepadeiras bordadas surgiram no desfile.
Detalhes como uma bolsa de mão em forma de ursinho adormecido ou um pato que se transforma em cisne em uma fileira de botões sugeriam outras histórias. Em comunicado, o estilista franco-belga disse ter refletido sobre a vida de Coco Chanel ao idealizar a coleção apresentada.
“Perguntei a mim mesmo se a vida de Gabrielle Chanel era um conto de fadas”, contou Matthieu Blazy. “Em sua biblioteca encontrei o pequeno livro ‘Les Fées, contes des contes’ [Contos de Fadas, na edição brasileira do livro de Charles Perrault] e, junto com os ateliês de alta-costura [da Chanel], exploramos a ideia de roupas que transportam histórias, como livros", explicou Matthieu Blazy.
A modelo que abriu o desfile carregava justamente um exemplar desse livro pertencente à fundadora da marca.
Ao lado desses looks, alguns ornamentados com pedrarias ou plumas, Blazy propôs peças mais clássicas da mítica maison, como seu histórico tailleur, apresentado em múltiplas versões: modelos sem mangas, saias ultracurtas e jaquetas abotoadas nas costas.
Segunda coleção de Blazy
Este desfile era um dos mais aguardados desta edição, ao lado do de Jonathan Anderson para a Dior, por se tratar da segunda coleção de alta-costura de ambos os estilistas. Blazy estreou em janeiro nessa categoria exclusiva da moda com uma proposta muito elogiada inspirada na natureza, marcada por looks sensuais repletos de detalhes florais e vegetais.
O estilista franco-belga, de 42 anos, foi nomeado para a Chanel no fim de 2024, após sua passagem pela Bottega Veneta, do grupo Kering.
Armani e outras casas de moda
Outro destaque desta terça-feira foi o desfile da Armani. Após a morte do fundador, Giorgio Armani, em setembro de 2025, sua sobrinha, Silvana Armani, passou a comandar a alta-costura da marca.
Em janeiro, ela já havia apresentado uma primeira coleção definida como “um Armani clássico, mas com um toque de originalidade”, marcada por ternos fluidos e acetinados e luxuosos vestidos de noite, em uma paleta de preto, branco, rosa-nude e verde-água.
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Os desfiles de quarta-feira da Balenciaga e de Jean Paul Gaultier, que recentemente trocaram de diretores criativos e estiveram ausentes da temporada anterior, figuram entre os momentos mais aguardados desta edição.
Ao todo, 30 marcas apresentarão até quinta-feira suas coleções de alta-costura, uma categoria da moda da qual apenas um grupo restrito de grifes faz parte e cujas criações são destinadas principalmente a eventos de gala e tapetes vermelhos.
