A pele não envelhece da mesma maneira em todas as fases da vida. Aos 30 anos, a oleosidade costuma ser uma característica mais presente. Depois dos 45, a redução de lipídios naturais pode favorecer o ressecamento. Já a partir dos 60, ocorrem mudanças importantes nos microrganismos que vivem na superfície cutânea. Essas transformações foram identificadas em uma pesquisa da Natura que analisou a pele de mulheres brasileiras dos 30 aos 80 anos ou mais.
Conduzido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, o estudo reuniu 180 participantes, divididas em cinco faixas etárias, e examinou aproximadamente mil amostras. O objetivo foi compreender como a microbiota, conjunto de microrganismos presentes na pele, e os lipídios responsáveis pela proteção da barreira cutânea se modificam com o passar dos anos.
A investigação envolveu o mapeamento de mais de 17 bilhões de códigos de DNA e cerca de 20 mil análises de compostos lipídicos. Os resultados ajudam a explicar por que as necessidades de hidratação, proteção e controle da oleosidade podem variar conforme a idade.
Aos 30 anos, a oleosidade ganha destaque
Entre as mulheres a partir dos 30 anos, os pesquisadores identificaram um perfil de pele mais oleoso, acompanhado pela predominância de determinados grupos de bactérias que fazem parte da microbiota cutânea.
Esses microrganismos participam do equilíbrio natural da pele, enquanto os lipídios ajudam a preservar a barreira protetora. A combinação desses fatores influencia características como oleosidade, hidratação e resistência às agressões externas.
Embora a idade seja um dos elementos relacionados a essas mudanças, características individuais e fatores ambientais também interferem no comportamento da pele.
Depois dos 45, a pele tende a ficar mais seca
A partir dos 45 anos, o estudo observou uma redução na produção de lipídios naturais, substâncias que ajudam a manter a hidratação e a integridade da barreira cutânea. Com essa diminuição, a pele pode apresentar maior tendência ao ressecamento.
Essa fase também coincide, para muitas mulheres, com as transições hormonais da transição para a menopausa, que podem influenciar a textura, a elasticidade e a capacidade de retenção de água na pele.
Os resultados reforçam a importância de observar as necessidades individuais e adaptar os cuidados, especialmente quando surgem sinais de ressecamento e desconforto.
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Aos 60 anos, a microbiota passa por transformações
Nas mulheres com 60 anos ou mais, os pesquisadores identificaram uma mudança significativa na composição do microbioma, com aumento da diversidade de microrganismos presentes na pele.
A microbiota cutânea participa de processos relacionados à proteção e ao equilíbrio da superfície da pele. Alterações em sua composição podem acompanhar mudanças na função da barreira cutânea, embora uma diversidade maior não signifique, necessariamente, uma pele mais saudável ou menos protegida.
Os achados mostram que o envelhecimento da pele envolve transformações que vão além das rugas e da perda de firmeza, incluindo alterações que não são percebidas apenas pela aparência.
Aos 70 e 80 anos, a proteção da pele exige atenção
Nas faixas etárias mais avançadas, a pesquisa identificou novas alterações na composição lipídica e na microbiota. Entre as participantes com 70 anos ou mais, houve uma redução importante de óleos naturais que contribuem para a proteção da pele.
No grupo com mais de 80 anos, os resultados apontaram uma diminuição de componentes associados à manutenção da barreira cutânea e da hidratação. Essas alterações podem tornar a pele mais vulnerável ao ressecamento e às agressões externas.
As descobertas indicam que os cuidados na maturidade precisam considerar não apenas a aparência, mas também a preservação das funções naturais da pele.
Pesquisa também avaliou resposta a dermocosmético
Além de investigar as diferenças entre as faixas etárias, a Natura avaliou a resposta da pele ao uso de um produto dermocosmético. Após 30 dias de aplicação do Chronos Antissinais Noturno, os pesquisadores observaram aumento de microrganismos considerados benéficos e alterações favoráveis no equilíbrio dos lipídios protetores nas faixas etárias analisadas.
Os resultados foram apresentados pela empresa como parte de suas pesquisas sobre a relação entre microbiota, composição lipídica e cuidados com a pele. No entanto, os dados divulgados não detalham a existência de um grupo de controle, o que limita conclusões sobre a eficácia comparativa do produto.
“Estudar a pele em nível molecular nos permite identificar particularidades que não são percebidas apenas pela avaliação dos sinais visíveis. Esses dados ampliam nossa capacidade de desenvolver tecnologias mais direcionadas e avançar na personalização do cuidado em diferentes fases da vida”, afirma Manuel Rios Krauss, diretor executivo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Natura.
O que as descobertas representam para os cuidados com a pele?
A pesquisa amplia o conhecimento sobre as transformações que ocorrem na pele feminina ao longo das décadas e pode contribuir para o desenvolvimento de dermocosméticos voltados a diferentes necessidades.
Os estudos da Natura foram apresentados em congressos científicos, incluindo o Congresso Internacional da Federação de Sociedades de Químicos Cosméticos (IFSCC), em 2024, e o Congresso Nacional da Associação Brasileira de Cosmetologia, em 2025. Neste último, um trabalho da empresa recebeu reconhecimento na categoria Biodiversidade.
Mais do que estabelecer uma rotina de beleza para cada idade, os resultados reforçam que a pele passa por transformações contínuas. Por isso, observar suas características e necessidades individuais é tão importante quanto considerar a idade na escolha dos cuidados diários.
