De Santa Cruz do Sul e Marau para duas das passarelas que concentraram os olhares da moda internacional. As gaúchas Valeria Goettert, de 22 anos, e Marcele Dal Cortivo, de 32, estiveram entre os destaques brasileiros da Semana de Moda de Londres, encerrada esta semana, com as coleções de Primavera/Verão 2027.
A temporada reuniu grandes casas, novos criadores e nomes brasileiros, em uma edição marcada pela releitura de códigos clássicos, experimentação nas silhuetas, transparências, cores intensas e também protestos em plena passarela.
Valeria Goettert desfila para a Mulberry
Valeria desfilou para a Mulberry, em uma apresentação especialmente aguardada por marcar o retorno da marca à Semana de Moda de Londres e a estreia de Christopher Kane na direção criativa do prêt-à-porter feminino.
A presença da gaúcha acrescenta mais um capítulo a uma trajetória que começou muito longe desse universo. Natural de Santa Cruz do Sul, ela trabalhava na agricultura e cuidava de animais na propriedade rural antes de ingressar na carreira de modelo.
“Nasci no campo, valorizo minhas raízes e o contato com a natureza”, afirma. Hoje, Valeria acumula trabalhos para grifes como Dior, Chanel, Valentino, Carolina Herrera, Armani e Issey Miyake.
Marcele Dal Cortivo cruza a passarela da McQueen
A também gaúcha Marcele Dal Cortivo, natural de Marau, desfilou para a McQueen, em uma temporada que reforçou a ligação histórica da grife com Londres. Para Marcele, no entanto, a relação com a casa britânica vai muito além da passarela. Há cerca de dois anos, a brasileira ocupa o posto de modelo de prova da McQueen, participando diretamente da rotina de desenvolvimento das coleções. É sobre seu corpo que peças são vestidas, testadas e ajustadas durante o processo criativo.
Aos 32 anos, Marcele reúne ainda trabalhos para Stella McCartney, Louis Vuitton, Marc Jacobs, Celine, Maison Margiela, Giorgio Armani, Chalayan e The Row. Tanto ela quanto Valeria são representadas no Brasil pela JOY Management.
Burberry desconstrói seus próprios clássicos
Entre as coleções que chamaram atenção em Londres, a Burberry voltou a revisitar alguns dos códigos mais reconhecíveis da moda britânica. Sob a direção criativa de Daniel Lee, o tradicional trench coat ganhou novas proporções, volumes inesperados e construções que fugiam da aparência excessivamente polida.
Seda, efeitos de ilusão de ótica e peças com aspecto propositalmente menos perfeito ajudaram a reforçar a ideia de roupas feitas para serem usadas e vividas. O resultado foi uma coleção que manteve referências históricas da marca, mas evitou tratá-las como elementos intocáveis.
- NYFW 2027 começa com clássicos renovados e Brasil no radar
- Modelo gaúcha Carol Trentini abre desfile do Rio Fashion Week
- Rio Fashion Week volta com a audácia da moda brasileira
Di Petsa leva sensualidade à passarela com Jade Picon
Outro nome brasileiro na temporada foi Jade Picon, que fez sua estreia em uma semana de moda internacional ao desfilar para a grife grega Di Petsa, comandada pela estilista Dimitra Petsa. A brasileira apareceu com um vestido preto marcado por recortes, correntes douradas e aberturas que deixavam grande parte do corpo à mostra.
A Di Petsa tornou-se reconhecida internacionalmente principalmente pela técnica que cria a impressão de tecidos permanentemente molhados, explorando sensualidade, movimento e a relação da roupa com o corpo feminino.
H&M tem desfile interrompido por protestos
Nem só de tendências viveu a Semana de Moda de Londres. O desfile da H&M foi interrompido em três momentos por ativistas da PETA, que entraram na passarela para protestar contra o uso de lã. Os manifestantes carregaram cartazes pedindo que a companhia abandonasse o material. A ação levou para dentro do calendário de moda uma discussão recorrente sobre origem de matérias-primas, bem-estar animal e responsabilidade ambiental das grandes redes.
Balonê, transparências e comprimento micro entram no radar
Nas passarelas de Londres, algumas escolhas apareceram em diferentes coleções e ajudam a indicar os caminhos do Verão 2027.
- O balonê ressurgiu em saias, vestidos e construções arredondadas, recuperando uma silhueta que já teve diferentes momentos de destaque na moda.
- As transparências também ganharam espaço, assim como shorts muito curtos, hot pants, minissaias e recortes que ampliam a exposição do corpo.
- Na cartela de cores, duas direções praticamente opostas dividiram a temporada. De um lado, tons suaves, como amarelo-manteiga e verde-menta. Do outro, produções monocromáticas em cores primárias intensas, especialmente vermelho, azul e amarelo.
- As flores também permaneceram, mas distantes do floral romântico tradicional. Surgiram em aplicações maiores, flores únicas de cabo longo e misturas menos previsíveis de estampas.
