NYFW: o verão 2027 aposta no prazer de aparecer

Flores, brilho, volumes, alfaiataria e streetwear mostram uma temporada menos contida e mais interessada em provocar impacto visual

Entre volumes monumentais, drapeados e referências esportivas, a VIVET mistura streetwear e luxo em sua passagem pela NYFW
Entre volumes monumentais, drapeados e referências esportivas, a VIVET mistura streetwear e luxo em sua passagem pela NYFW Foto : Thomas Concordia/Getty Images for VIVET/AFP/CP

Depois de olhar para alguns dos grandes nomes que abriram a temporada, a New York Fashion Week começa a revelar outra história para o verão 2027. Em diferentes passarelas, a roupa ganha volume, textura, brilho e cor, enquanto códigos antes colocados em campos separados, como streetwear e luxo ou alfaiataria e sensualidade, passam a conviver no mesmo look.

O calendário oficial da NYFW ocorre entre 10 e 15 de setembro, mas a movimentação começou antes, com apresentações realizadas já no dia 9. Entre nomes consolidados, estreias e marcas que desfilaram no entorno da programação oficial, o que se desenha não é uma tendência única, mas um desejo comum de abandonar a invisibilidade: a roupa volta a pedir atenção.

VIVET aproxima streetwear e luxo

A VIVET levou à New York Fashion Week uma coleção construída a partir de contrastes. Peças associadas ao streetwear e ao universo esportivo dividiram a passarela com saias drapeadas, casacos de volumes monumentais e materiais de forte apelo tátil. Nas silhuetas, proporções oversized aparecem ao lado de peças mais ajustadas ao corpo, enquanto preto, branco e vermelho formam uma cartela enxuta e de impacto.

A estreia da marca de Kai Cenat aconteceu em 12 de setembro e foi estruturada em três atos, acompanhando uma trajetória que partiu de referências mais ligadas ao moletom e ao sportswear até chegar a construções de alfaiataria. A combinação ajuda a mostrar uma das leituras que atravessam a temporada: as fronteiras entre roupa esportiva, streetwear e moda de luxo estão cada vez menos rígidas.

Flores, plumas, brilho e corseteria marcam a passagem da Oh Polly pela NYFW, em uma coleção que combina romantismo e sensualidade | Foto: JP Yim/Getty Images for Oh Polly LTD/AFP/CP

Oh Polly leva o romantismo para a festa

Antes mesmo da abertura oficial do calendário da NYFW, a Oh Polly apresentou, em 9 de setembro, uma coleção em que a feminilidade aparece sem timidez. Tons de rosa, aplicações florais, bordados brilhantes, plumas e franjas ocupam vestidos ajustados ao corpo, enquanto corsets e referências à lingerie aproximam romantismo e sensualidade.

A delicadeza, porém, não significa discrição. Flores ganham dimensão, o brilho assume protagonismo e as texturas acrescentam movimento às peças, numa estética pensada para ser percebida. É outra face do mesmo movimento que começa a atravessar a temporada: elementos tradicionalmente associados à feminilidade retornam ampliados, ornamentados e com vocação para a festa.

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Flores, laços e volumes esculturais marcam a coleção primavera/verão 2027 da Carolina Herrera, apresentada na NYFW em celebração aos 45 anos da maison | Foto: Kena Betancur/AFP/CP

Carolina Herrera amplia seus próprios códigos

A Carolina Herrera transformou sua passagem pela NYFW em uma celebração dos 45 anos da maison. Sob direção criativa de Wes Gordon, a coleção primavera/verão 2027 recupera elementos ligados à história da marca, como flores, laços, babados e volumes, mas os reposiciona em construções mais leves e em uma escala de maior impacto.

Mais do que olhar para o passado, a coleção mostra como uma identidade consolidada pode acompanhar a mudança de humor da moda sem perder reconhecimento. O romantismo característico da Carolina Herrera permanece, mas surge mais cenográfico, colorido e afirmativo, reforçando uma temporada em que ornamentação e feminilidade deixam de ocupar um lugar secundário.

Entre alfaiataria ampla, assimetrias, brilho e animal print, LaQuan Smith atualiza sua sensualidade característica para o verão 2027 | Foto: Theo Wargo/Getty Images/AFP

LaQuan Smith mistura sensualidade e alfaiataria

LaQuan Smith segue trabalhando com um dos territórios que ajudaram a consolidar sua identidade: a sensualidade. Para o verão 2027, porém, ela aparece acompanhada de alfaiataria ampla, assimetrias, babados, superfícies brilhantes e animal print, criando uma coleção que alterna exposição do corpo e estruturas de maior volume.

Essa convivência entre códigos opostos ajuda a afastar a sensualidade de uma fórmula única. Ternos de proporções generosas, vestidos de brilho intenso, linhas fluidas e estampas marcantes mostram que vestir-se para provocar impacto não precisa significar seguir uma única silhueta. LaQuan Smith integrou o calendário oficial em 14 de setembro, na mesma noite em que Nova York concentrou alguns dos desfiles mais aguardados desta reta final.

Cor, textura e ornamentação marcam a coleção primavera/verão 2027 de Bibhu Mohapatra, inspirada na Marchesa Luisa Casati | Foto: Theo Wargo/Getty Images/AFP

Bibhu Mohapatra faz da ornamentação uma linguagem

Bibhu Mohapatra buscou em Luisa Casati a referência para sua coleção primavera/verão 2027. A aristocrata italiana do início do século 20 ficou conhecida por transformar a própria imagem em manifestação artística, e sua personalidade serve de ponto de partida para uma coleção que associa o vestir à ideia de presença, identidade e poder.

A construção da coleção atravessa ainda diferentes tradições artesanais, reunindo sedas ikat de Odisha, rendas espanholas, contas de vidro venezianas e técnicas de drapeado ligadas à couture. Nesse encontro de referências, cor, textura, joias e detalhes ganham força e transformam a ornamentação em argumento, não apenas em acabamento. O desfile aconteceu em 14 de setembro e integrou o calendário oficial da NYFW.