Depois de olhar para alguns dos grandes nomes que abriram a temporada, a New York Fashion Week começa a revelar outra história para o verão 2027. Em diferentes passarelas, a roupa ganha volume, textura, brilho e cor, enquanto códigos antes colocados em campos separados, como streetwear e luxo ou alfaiataria e sensualidade, passam a conviver no mesmo look.
O calendário oficial da NYFW ocorre entre 10 e 15 de setembro, mas a movimentação começou antes, com apresentações realizadas já no dia 9. Entre nomes consolidados, estreias e marcas que desfilaram no entorno da programação oficial, o que se desenha não é uma tendência única, mas um desejo comum de abandonar a invisibilidade: a roupa volta a pedir atenção.
VIVET aproxima streetwear e luxo
A VIVET levou à New York Fashion Week uma coleção construída a partir de contrastes. Peças associadas ao streetwear e ao universo esportivo dividiram a passarela com saias drapeadas, casacos de volumes monumentais e materiais de forte apelo tátil. Nas silhuetas, proporções oversized aparecem ao lado de peças mais ajustadas ao corpo, enquanto preto, branco e vermelho formam uma cartela enxuta e de impacto.
A estreia da marca de Kai Cenat aconteceu em 12 de setembro e foi estruturada em três atos, acompanhando uma trajetória que partiu de referências mais ligadas ao moletom e ao sportswear até chegar a construções de alfaiataria. A combinação ajuda a mostrar uma das leituras que atravessam a temporada: as fronteiras entre roupa esportiva, streetwear e moda de luxo estão cada vez menos rígidas.
Oh Polly leva o romantismo para a festa
Antes mesmo da abertura oficial do calendário da NYFW, a Oh Polly apresentou, em 9 de setembro, uma coleção em que a feminilidade aparece sem timidez. Tons de rosa, aplicações florais, bordados brilhantes, plumas e franjas ocupam vestidos ajustados ao corpo, enquanto corsets e referências à lingerie aproximam romantismo e sensualidade.
A delicadeza, porém, não significa discrição. Flores ganham dimensão, o brilho assume protagonismo e as texturas acrescentam movimento às peças, numa estética pensada para ser percebida. É outra face do mesmo movimento que começa a atravessar a temporada: elementos tradicionalmente associados à feminilidade retornam ampliados, ornamentados e com vocação para a festa.
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Carolina Herrera amplia seus próprios códigos
A Carolina Herrera transformou sua passagem pela NYFW em uma celebração dos 45 anos da maison. Sob direção criativa de Wes Gordon, a coleção primavera/verão 2027 recupera elementos ligados à história da marca, como flores, laços, babados e volumes, mas os reposiciona em construções mais leves e em uma escala de maior impacto.
Mais do que olhar para o passado, a coleção mostra como uma identidade consolidada pode acompanhar a mudança de humor da moda sem perder reconhecimento. O romantismo característico da Carolina Herrera permanece, mas surge mais cenográfico, colorido e afirmativo, reforçando uma temporada em que ornamentação e feminilidade deixam de ocupar um lugar secundário.
LaQuan Smith mistura sensualidade e alfaiataria
LaQuan Smith segue trabalhando com um dos territórios que ajudaram a consolidar sua identidade: a sensualidade. Para o verão 2027, porém, ela aparece acompanhada de alfaiataria ampla, assimetrias, babados, superfícies brilhantes e animal print, criando uma coleção que alterna exposição do corpo e estruturas de maior volume.
Essa convivência entre códigos opostos ajuda a afastar a sensualidade de uma fórmula única. Ternos de proporções generosas, vestidos de brilho intenso, linhas fluidas e estampas marcantes mostram que vestir-se para provocar impacto não precisa significar seguir uma única silhueta. LaQuan Smith integrou o calendário oficial em 14 de setembro, na mesma noite em que Nova York concentrou alguns dos desfiles mais aguardados desta reta final.
Bibhu Mohapatra faz da ornamentação uma linguagem
Bibhu Mohapatra buscou em Luisa Casati a referência para sua coleção primavera/verão 2027. A aristocrata italiana do início do século 20 ficou conhecida por transformar a própria imagem em manifestação artística, e sua personalidade serve de ponto de partida para uma coleção que associa o vestir à ideia de presença, identidade e poder.
A construção da coleção atravessa ainda diferentes tradições artesanais, reunindo sedas ikat de Odisha, rendas espanholas, contas de vidro venezianas e técnicas de drapeado ligadas à couture. Nesse encontro de referências, cor, textura, joias e detalhes ganham força e transformam a ornamentação em argumento, não apenas em acabamento. O desfile aconteceu em 14 de setembro e integrou o calendário oficial da NYFW.
