Marina Käfer

Mão cheia de anéis está de volta

Marina Käfer mostra que o "ring stacking" ressurge com força, trazendo o maximalismo das joias para o centro da moda com combinações ousadas

Anéis de grande volume, como o modelo de coração e as peças com pérolas, dividem espaço com pulseiras e colares em uma composição que leva o maximalismo dos acessórios ao limite
Anéis de grande volume, como o modelo de coração e as peças com pérolas, dividem espaço com pulseiras e colares em uma composição que leva o maximalismo dos acessórios ao limite Foto : Guilherme Souza / Divulgação / CP

Se existe um detalhe capaz de traduzir o retorno do maximalismo na moda, já explorado pelas marcas internacionais como Chloe e Celine, literalmente está nas nossas mãos. O “ring stacking”, tendência de usar vários anéis combinados, sobrepostos ou distribuídos pelos dedos, ganhou força novamente e aparece como uma das expressões mais evidentes da atual onda de maximalismo no universo das joias.

A proposta é justamente o oposto da discrição. Em vez de escolher apenas um anel como ponto de destaque, a tendência aposta na acumulação: anéis finos misturados aos mais robustos, pedras coloridas ao lado de modelos minimalistas, diferentes acabamentos e até a combinação de dourado e prata.

O objetivo? Ocupar praticamente toda a mão. A estética tem uma forte conexão com o retorno de referências dos anos 80, período marcado pelo excesso também no universo dos acessórios. Maxi brincos, correntes, broches, pulseiras e anéis grandes faziam parte de uma linguagem visual em que o acessório tinha tanta importância quanto a roupa.

A diferença é que o “ring stacking” contemporâneo não reproduz literalmente o visual dos anos 80, ele atualiza aquela lógica de excesso para uma combinação mais eclética, misturando referências vintage, joalheria contemporânea e peças de aparência artesanal.

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Inspirada no maximalismo dos anos 1980, a tendência atualiza o excesso ao misturar joias contemporâneas, referências vintage e peças artesanais | Foto: Guilherme Souza / Divulgação / CP

Nas redes sociais, a tendência também ganhou espaço porque é extremamente visual. Uma única mão pode reunir diferentes texturas, volumes, metais e pedras, criando uma composição que funciona como um styling, dando vida e modernidade ao look.

E a brincadeira não termina nos anéis tradicionais. Os chamados knuckle rings, usados na parte superior dos dedos, aparecem junto aos modelos convencionais, enquanto peças que atravessam dois ou mais dedos aumentam ainda mais o efeito dramático.

Esse movimento faz parte de uma transformação maior que vem acontecendo no mercado de acessórios. Depois de temporadas dominadas por joias discretas, peças delicadas e pelo chamado quiet luxury, começamos a caminhar novamente em direção ao excesso, como mostra a marca Chloe com muitos anéis nas suas campanhas e lançamento.

A lógica aparece não apenas nos anéis, mas também em colares sobrepostos, brincos grandes, broches, pulseiras acumuladas e combinações de diferentes estilos de joias. O acessório deixa de ser apenas um complemento e passa a ocupar o centro da produção.

Se durante os últimos anos a pergunta era qual peça deveria ser retirada para deixar o visual mais sofisticado, agora a lógica parece ser justamente a contrária: quantas peças ainda cabem na mesma produção? No ring stacking, a resposta pode ser: várias. E, aparentemente, a moda está muito confortável com isso.♥️✨

Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.