NYFW 2026: os destaques que estão moldando o verão 2027

Cores, volumes, transparências e beleza glow ganham força nas passarelas de Nova York e apontam caminhos para o verão 2027

Grace Ling levou à passarela da NYFW uma coleção marcada por alfaiataria, vestidos fluidos e elementos metálicos de estética futurista
Grace Ling levou à passarela da NYFW uma coleção marcada por alfaiataria, vestidos fluidos e elementos metálicos de estética futurista Foto : Victor Pagan/Getty Images/AFP/CP

A New York Fashion Week entra na reta final nesta segunda-feira (14) depois de uma temporada que, até aqui, parece pouco disposta a passar despercebida. Nas coleções de Primavera/Verão 2027, o minimalismo não desapareceu, mas passou a dividir espaço com cores mais intensas, referências históricas, mistura de estampas, transparências, trabalho artesanal e uma dose maior de personalidade.

A pluralidade talvez seja justamente a principal característica desta edição. Ao fazer um balanço do terceiro dia da NYFW, a Harper's Bazaar Brasil destacou que fantasia, nostalgia, experimentação e diferentes interpretações do estilo americano passaram a coexistir nas passarelas. De Altuzarra a Anna Sui, de Tibi a Prabal Gurung, não há uma única fórmula apontando para o verão de 2027.

Na beleza, a mudança também começa a aparecer. A pele luminosa continua em alta, mas a estética quase invisível das últimas temporadas ganha companhia de blush mais marcado, olhos esfumados, tons terrosos e cabelos que respeitam a textura natural. A Teen Vogue, ao reunir as tendências de beleza vistas até agora na temporada, apontou justamente o blush evidente, ondas mais naturais e cores mais expressivas entre os elementos recorrentes nos desfiles.

Rendas, florais, volumes amplos e tons terrosos aparecem na coleção de Magda Butrym apresentada em Nova York | Foto: Theo Wargo/Getty Images/AFP/CP

Conner Ives aposta na volta da diversão à moda

Um dos momentos que sintetizam esse movimento veio de Conner Ives. Nascido em Nova York e radicado em Londres, onde construiu boa parte da carreira depois de estudar na Central Saint Martins, o estilista escolheu a cidade natal para sua estreia na NYFW.

Batizada de Across the Pond, a coleção transformou a identidade dividida entre Estados Unidos e Reino Unido em ponto de partida. Western, Art Déco, referências ao flamenco, alfaiataria, vestidos de chiffon, jeans bordados, franjas e cores vibrantes apareceram sem a preocupação de construir um guarda-roupa excessivamente comportado.

Segundo a Hypebae, Ives defende justamente a extravagância e a alegria de se produzir, em uma coleção que pergunta por que a moda deveria ter vergonha de demonstrar paixão pelas roupas. Lila Moss e Iris Law estiveram entre os nomes que cruzaram a passarela. (Hypebae)

A coleção também dialoga com um movimento maior da temporada: depois de anos em que conceitos como luxo silencioso e minimalismo dominaram boa parte da conversa sobre moda, o excesso volta a reivindicar seu espaço.

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Christian Cowan revisita a velha Hollywood

Christian Cowan procurou outra época para falar sobre o presente. Na coleção Primavera/Verão 2027, o estilista britânico partiu da velha Hollywood e da construção pública da imagem feminina para explorar o contraste entre glamour, performance e identidade.

Cowan não buscou reproduzir de maneira nostálgica a era de ouro do cinema. Referências clássicas, como vestidos de festa e peças associadas às estrelas das telas, apareceram desconstruídas, envelhecidas ou reinterpretadas, deslocando o glamour de seu lugar mais perfeito.

A beleza acompanhou esse raciocínio. Assinada pelo beauty artist Marcello Costa, a maquiagem apostou em pele luminosa e hidratada, lábios e olhos em tons amarronzados e blush aplicado de maneira ampla, subindo até as têmporas.

O preto pesado no olhar dá lugar ao lápis marrom esfumado, enquanto a pele aparece com aquilo que Costa define como um “glow confortável”, com viço, mas sem aparência excessivamente molhada. Nos cabelos, lisos com movimento, ondas naturais, tranças e acabamentos molhados reforçam a valorização da textura individual das modelos.

Mais do que uma volta à maquiagem carregada, a proposta aponta para uma beleza novamente perceptível. A maquiagem aparece e participa da construção do look, sem depender de camadas excessivas ou de um acabamento rigorosamente perfeito.

Transparências, rendas e volumes marcantes aparecem na coleção de Christian Cowan, com beleza assinada por Marcello Costa | Foto: Joy Strotz / Divulgação / CP

Do clássico americano à roupa como experimentação

Essa vontade de revisitar códigos conhecidos sem simplesmente repeti-los aparece em outros pontos da temporada. A alfaiataria continua presente, assim como vestidos fluidos, jeans e referências ao guarda-roupa tradicional americano, mas as combinações se tornam menos previsíveis.

Altuzarra, por exemplo, levou à passarela uma coleção inspirada pelas fotografias de Casa Susanna, espaço frequentado nas décadas de 1950 e 1960 por homens que encontravam ali liberdade para experimentar outras expressões de gênero. Cintos abertos, peças que parecem escorregar pelo corpo, couro, xadrez, animal print e flores foram combinados em uma leitura que mistura romantismo e punk.

Anna Sui caminhou em outra direção ao aproximar contos de fadas, referências vintage e a obra da artista britânica Pauline Boty. Já Prabal Gurung investiu em cores intensas e volumes marcantes, enquanto a Tibi partiu de peças cotidianas para alterar proporções e criar combinações cromáticas menos óbvias.

Em comum, essas propostas ajudam a afastar a ideia de que uma única tendência precisa dominar a estação. A força desta NYFW parece estar justamente na convivência entre linguagens.

A threeASFOUR apostou em volumes esculturais, construções geométricas e denim experimental em seu retorno à NYFW | Foto: John Lamparski/Getty Images/AFP

Moda americana também revisita os próprios clássicos

Os nomes mais estabelecidos também procuraram novas maneiras de trabalhar códigos conhecidos. Tommy Hilfiger escolheu o The Plaza Hotel para marcar seu retorno à NYFW e revisitou elementos clássicos do estilo preppy americano.

A Reuters registrou que a coleção, definida pela marca como “Prep Made Current”, atualizou polos, xadrezes e referências tradicionais da grife para uma geração mais jovem. Gigi Hadid abriu o desfile, que também reuniu nomes como Kate Moss e Camila Cabello entre os convidados.

O movimento ajuda a explicar outra característica da temporada: em vez de abandonar suas próprias histórias, algumas das principais marcas americanas estão tentando relê-las para consumidores que não necessariamente têm com esses códigos a mesma relação das gerações anteriores.

Uma mudança importante acontece fora das passarelas

A Primavera/Verão 2027 também marca uma alteração institucional na semana de moda. A política que proíbe o uso de pele animal nas coleções apresentadas no calendário oficial passou a valer nesta temporada.

De acordo com o Council of Fashion Designers of America (CFDA), organizador do calendário oficial da NYFW, a medida havia sido anunciada em setembro de 2025 e entrou em vigor agora. O calendário preliminar desta edição reúne cerca de 70 desfiles e apresentações, além de coleções exibidas digitalmente ou mediante agendamento.

A decisão coloca a discussão sobre materiais e responsabilidade ambiental ao lado das conversas estéticas da temporada e estabelece um novo parâmetro para as marcas interessadas em integrar oficialmente a semana nova-iorquina.

NYFW chega à reta final

A programação nesta segunda-feira (14) tem nomes como Ulla Johnson, Fforme, Diotima, Carolina Herrera, Luar e LaQuan Smith, mantendo o contraste entre diferentes leituras da moda americana.

Na terça-feira (15), último dia da edição, Collina Strada, Sabyasachi e Thom Browne estão entre os nomes que movimentam a programação. Browne será responsável pelo encerramento oficial da temporada. E é justamente neste último dia que o Brasil volta ao calendário.

A PatBO, da estilista mineira Patricia Bonaldi, apresenta sua coleção de Primavera/Verão 2027 nesta terça-feira (15). A marca está programada para uma apresentação by appointment, das 11h às 13h30, no horário de Nova York, formato que permite uma observação mais próxima das peças do que o modelo tradicional de desfile.

A apresentação chega no momento em que a NYFW começa a fechar suas principais mensagens para o próximo verão. Depois de uma semana marcada por cores, nostalgia, experimentação, releituras do glamour e pela recuperação do prazer de se vestir, a expectativa agora se volta para a maneira como a PatBO colocará sua identidade brasileira dentro dessa conversa.