A New York Fashion Week já começou a revelar os caminhos da moda para a primavera-verão 2027, mas o Brasil ainda tem lugar marcado na programação. No último dia da temporada, 15 de setembro, a PatBO, de Patricia Bonaldi, apresenta sua nova coleção em Nova York, reforçando a presença da moda brasileira em um dos calendários mais importantes do mundo.
Até lá, há bastante coisa para observar. Ralph Lauren, Coach, Tommy Hilfiger, Diane von Furstenberg e Proenza Schouler estão entre os nomes que já mostraram suas propostas, enquanto Michael Kors, Calvin Klein, Khaite, Carolina Herrera e Thom Browne ainda integram a programação.
E os primeiros desfiles já permitem identificar uma conversa que atravessa marcas bastante diferentes: a moda está voltando ao passado, mas sem intenção de simplesmente copiá-lo. Alfaiataria, códigos preppy, bolsas históricas e referências aos anos 1970 reaparecem acompanhados por novas proporções, cores, texturas e uma vontade maior de ornamentação.
O clássico americano está menos comportado
Ralph Lauren deu a largada extraoficial à temporada na quarta-feira (9), reafirmando elementos que transformaram a marca em uma das principais representantes do estilo americano. Desta vez, porém, o guarda-roupa clássico ganhou uma leitura mais romântica e irreverente.
Segundo a Reuters, a coleção Primavera 2027 misturou alfaiataria tradicional com calças volumosas, casacos em azul-marinho e branco, jaquetas jeans com plumas, ternos claros e vestidos longos. O próprio estilista definiu a proposta como uma interpretação irreverente do romantismo.
A edição americana da ELLE também destacou essa volta aos códigos históricos da marca, com gravatas, coletes de brocado, tricôs e novas maneiras de construir e combinar a alfaiataria.
Na Coach, Stuart Vevers também recorreu à memória para celebrar os 85 anos da marca. A Vogue observou que a coleção não funciona exatamente como uma retrospectiva. Ternos de aparência amassada, trench coats longos, vestidos cortados no viés, transparências, lantejoulas e bolsas revisitadas ajudaram a transformar referências do arquivo em uma imagem deliberadamente jovem.
Tommy Hilfiger leva o preppy de volta ao Plaza
Talvez nenhum desfile tenha traduzido essa retomada de códigos históricos de maneira tão explícita quanto Tommy Hilfiger. O estilista escolheu o The Plaza Hotel, onde viveu por anos, para marcar seu retorno à NYFW. Antes da apresentação, a coluna Vitrine, da Veja, já havia chamado atenção para a relação pessoal de Hilfiger com o endereço e para a escolha de um dos símbolos da velha Nova York como cenário da coleção.
Na passarela, apareceu o repertório imediatamente reconhecível da marca: polos, xadrez, listras, peças de inspiração universitária e referências náuticas. Mas tudo passou por atualização. A Reuters destacou polos oversized, bucket hats xadrezes e o uso das tradicionais cores da grife em uma coleção que o estilista chamou de “Prep Made Current”, com o objetivo de aproximar seus códigos clássicos da geração Z. Gigi Hadid abriu o desfile, que também teve Kate Moss e Camila Cabello entre os convidados.
A FashionNetwork também ressaltou justamente essa combinação entre o universo preppy e uma abordagem mais colorida e contemporânea. Em vez de abandonar sua identidade, Hilfiger parece interessado em descobrir até onde consegue esticá-la.
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Cor e textura ganham espaço
Se Ralph Lauren, Coach e Tommy Hilfiger revisitam alguns dos códigos mais conhecidos da moda americana, Diane von Furstenberg voltou às passarelas mostrando que discrição não parece estar entre as prioridades desta temporada.
Depois de quase uma década sem um desfile da marca na NYFW, a DVF apresentou a primeira coleção de Henry Zankov como diretor artístico. A Reuters destacou o retorno das estampas, das cores vibrantes e do vestido envelope que ajudou a construir a identidade da grife desde os anos 1970.
Já a ELLE americana observou que Zankov levou para a casa sua conhecida relação com cor e estamparia. Florais, animal print, transparências e tricôs ajustados ao corpo apareceram em combinações que defendem justamente o contrário da moda silenciosa: a ideia é ser vista.
A Proenza Schouler mostrou outra possibilidade para esse movimento. Em sua segunda coleção como diretora criativa da marca, Rachel Scott parece mais disposta a imprimir sua própria linguagem.
Segundo a ELLE Brasil, a rigidez observada em sua estreia deu espaço a formas mais soltas, tricôs de aspecto artesanal, bordados, florais e estampas inspiradas em cianotipia. A coleção também recupera um dos acessórios mais conhecidos da história recente da grife: a PS1, lançada em 2008, volta repensada como PS1 Walker.
Mais ornamentação, menos medo de aparecer
Na Tory Burch, a conversa avançou para texturas e decoração. A estilista definiu a coleção a partir das ideias de beleza, utilidade, humor e alegria. A ELLE Brasil destacou a mistura de tricôs, bordados e drapeados com alfaiataria em vinho e azul-marinho. Cardigãs, echarpes e bolsas recebem detalhes decorativos, enquanto casacos aparecem usados como vestidos.
Christian Siriano seguiu por um caminho ainda mais teatral. A coleção, inspirada no romantismo francês do século 18, apresentou corsets, volumes, ornamentações e uma passagem dos looks monocromáticos para rosas e roxos intensos. A WWD relacionou a proposta a uma espécie de Maria Antonieta contemporânea, enquanto a Reuters destacou o caráter dramático da apresentação.
Ainda é cedo para decretar as tendências definitivas do verão 2027. Mas o início da NYFW sugere uma mudança de temperatura depois de temporadas dominadas pela estética extremamente limpa.
Não significa necessariamente que o maximalismo tenha vencido o minimalismo. Significa que cor, textura, ornamentação, memória e personalidade voltaram a ocupar espaço na conversa.
O que esperar da NYFW até o dia 15
A programação desta sexta-feira (11) reúne dois dos nomes mais aguardados da temporada. Michael Kors Collection apresenta sua visão para o próximo verão e, algumas horas depois, será a vez da Calvin Klein Collection.
A expectativa em torno da Calvin Klein aumentou desde a chegada de Veronica Leoni à direção criativa. A estilista vem trabalhando uma interpretação do minimalismo da marca que procura dialogar com sua história sem simplesmente reproduzir os anos 1990. Monse, Eckhaus Latta e Simkhai também aparecem entre os destaques do dia.
No sábado (12), a programação ganha peso com Altuzarra, Conner Ives, Anna Sui, Prabal Gurung e Khaite. Conner Ives merece atenção particular: nascido em Nova York, o estilista construiu boa parte de sua trajetória em Londres e faz sua primeira apresentação no calendário nova-iorquino.
O domingo (13) coloca lado a lado estéticas bastante diferentes. Area, COS, Sandy Liang, Magda Butrym, Sergio Hudson, Brandon Maxwell e Grace Ling estão entre as marcas programadas. A estreia de Magda Butrym na NYFW é uma das movimentações internacionais a observar nesta edição.
Na segunda-feira (14), Ulla Johnson, Diotima, Carolina Herrera, Luar e LaQuan Smith devem concentrar parte das atenções. É também um dia interessante para acompanhar diferentes interpretações da feminilidade, da alfaiataria e da roupa de festa dentro da própria moda nova-iorquina.
A terça-feira (15) encerra a temporada com uma programação diversa. A PatBO fará sua apresentação by appointment, entre 11h e 13h30min, no horário de Nova York. O dia ainda reúne Collina Strada, a estreia de Sabyasachi no calendário oficial e Thom Browne, responsável pelo encerramento da semana.
