Na última sexta-feira, 8, o governo do México denunciou um caso de apropriação cultural envolvendo a marca americana Adidas. Autoridades locais informaram que buscam reparação da empresa para uma comunidade do estado de Oaxaca, após acusar a semelhança do modelo de sandálias lançado pela marca a um design tradicional da região.
O designer americano de ascendência mexicana Willy Chavarría, responsável pelo desenho do calçado em colaboração com a Adidas, se pronunciou no sábado, 9, lamentando a apropriação do desgin e o fato do item não ter sido “desenvolvido em parceria direta e significativa com a comunidade oxaqueña”. Chavarría afirmou que o lançamento “não está à altura do respeito e do enfoque colaborativo” que merece a comunidade de Villa Hidalgo Yalálag.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum também falou a respeito do caso:
“É uma propriedade intelectual e coletiva, tem que haver uma reparação, tem que se cumprir a lei do patrimônio e vamos ver se na conversa isso se resolve; estamos também estudando a via legal”, apontou durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira, 7.
Salomón Jara, governador de Oaxaca, mencionou a possibilidade de ações judiciais, enquanto a vice-secretária federal de Desenvolvimento Cultural, Marina Núñez, afirmou que o povo de Yalálag “se viu plagiado e (...) sofreu esta apropriação cultural”.
Segundo o governo mexicano, a Adidas concordou em se reunir com autoridades de Oaxaca para discutir o caso, embora não tenha sido informado o tipo de reparação que será buscada.
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Chavarría, que frequentemente incorpora referências à sua ascendência em suas criações, já esteve no centro de outra polêmica no fim de junho, quando o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o acusou de “glorificar criminosos” em um desfile durante a Semana de Moda de Paris.
O caso das Oaxaca Slip-On soma-se a outros episódios recentes em que o México denunciou a apropriação cultural e o uso não autorizado de expressões artísticas de comunidades locais por grandes marcas, como Shein, Zara e Carolina Herrera.
