Séruns, essências, máscaras faciais, hidratantes e rotinas com várias etapas ajudaram a transformar a K-beauty em um fenômeno mundial. Inspirado nos cuidados com a pele popularizados pela indústria de beleza da Coreia do Sul, o conceito ganhou força nas redes sociais e despertou o interesse de quem busca hidratação, viço e prevenção dos sinais de envelhecimento.
Mas a multiplicação de produtos também acendeu um alerta: copiar rotinas vistas na internet ou combinar diferentes ativos sem considerar as necessidades da própria pele pode provocar irritações e até comprometer a barreira cutânea.
Segundo a dermatologista Tainah de Almeida, muitos cosméticos associados à K-beauty têm formulações interessantes, especialmente quando o objetivo é hidratar e fortalecer a pele. “Ingredientes como centella asiática, mucina e niacinamida podem ser ótimos aliados. O ponto de atenção é entender que um produto que funciona muito bem para uma pessoa não necessariamente será a melhor escolha para outra”, explica.
Entre os ingredientes que ganharam popularidade estão ainda ácido hialurônico, extratos vegetais e diferentes ativos voltados à hidratação e ao cuidado da barreira cutânea.
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Produto viral nem sempre é o ideal
O problema pode surgir quando o número de visualizações e recomendações nas redes sociais passa a ser o principal critério para escolher um cosmético. Fragrâncias, conservantes e determinados extratos presentes nas fórmulas podem desencadear irritações ou reações alérgicas, principalmente em pessoas com pele sensível. O mesmo vale para ativos que exigem maior cuidado no uso, como retinoides e alguns ácidos.
“Nem todos os produtos viralizados são adequados para todos os tipos de pele. Pessoas com maior sensibilidade podem, inclusive, piorar o quadro ao utilizar substâncias que não são indicadas para elas”, alerta Tainah. A recomendação é observar não apenas a promessa feita nas redes sociais, mas também a composição do produto e sua indicação.
Mais etapas não significam mais resultados
As famosas rotinas coreanas com várias etapas também não precisam ser reproduzidas integralmente. Segundo a dermatologista, um dos problemas observados no consultório é justamente a utilização simultânea de muitos produtos. “Um dos erros que mais observo é a sobrecarga de ativos. Já recebi pacientes no consultório com a pele irritada justamente por misturarem muitos produtos sem orientação”, relata.
Além dos cosméticos utilizados, características individuais e ambientais interferem nos resultados. Clima, exposição solar, oleosidade, sensibilidade e fototipo, por exemplo, podem fazer com que uma rotina adequada para determinada pessoa ou região não tenha o mesmo efeito em outra. “É interessante entender o conceito da K-beauty, principalmente a valorização do cuidado diário, mas não precisamos reproduzir uma rotina com muitas etapas para ter uma pele saudável”, afirma.
Como aderir à K-beauty com segurança
Para quem quer experimentar produtos inspirados na beleza coreana, a orientação é começar por uma rotina mais simples e introduzir novidades gradualmente. Dessa forma, também fica mais fácil identificar uma eventual irritação ou reação.
Outro cuidado está na procedência. Cosméticos comercializados regularmente no Brasil devem atender às normas sanitárias aplicáveis no País. Na compra de produtos importados, especialmente pela internet, é importante observar origem, fabricante, composição e validade.
Preços muito abaixo do praticado no mercado, canais de venda pouco conhecidos e promessas de resultados rápidos ou milagrosos também merecem desconfiança. “Antes de realizar a compra, recomendo olhar além da embalagem. É importante entender o que há naquela fórmula, qual é a procedência do produto e, principalmente, se aqueles ativos fazem sentido para a sua pele”, reforça a dermatologista.
No fim, a lógica que tornou a K-beauty popular pode ser mais importante do que a quantidade de frascos na bancada: manter uma rotina consistente de cuidados com a pele. A diferença está em adaptar essa tendência às necessidades individuais, sem transformar cada novidade viral em uma nova etapa obrigatória. O uso precoce de cosméticos, por exemplo, é um dos temas que acende o alerta.
