Das máscaras faciais à escolha correta do sérum, as atuais rotinas de cuidados com a pele da geração Z apresentam uma lista grande de produtos: demaquilantes, esfoliadores, tônicos, cremes, protetor solar, limpadores e até essências. Com protocolos de skincare cada vez mais ricos em ativos, os jovens adultos têm movimentado o mercado da beleza com “carrinhos de compra” sempre cheios.
Segundo dados da Intel Market Research, o mercado global de produtos de beleza da Geração Z deve chegar a US$ 208 bilhões ainda em 2026. A transformação da indústria também fica evidente na próxima década: a consultoria projeta que o valor dos gastos pode triplicar até 2034, com movimentação acima de US$ 592 bilhões.
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De acordo com o médico generalista Octávio Guarçoni, as rotinas de skincare passaram por mudanças significativas na última década, acompanhando o envelhecimento de parte dos jovens, que, agora, se aproximam dos 30 anos de idade. “O amadurecimento dos cuidados com o corpo, cabelo e a pele passa a ser visto como indispensável na rotina”, diz o médico.
“A febre da ‘pele perfeita’ surgiu no imaginário das crianças dos anos 2000, a famosa Geração Z, que cresceu assistindo propagandas que prometiam peles sem acne, espinhas ou manchas. Isso nos auxilia à entender por que tantos jovens usam o skincare como motor de transformações pessoais e da própria indústria”, afirma Octávio Guarçoni.
O consumo da Geração Z ajuda a ilustrar por que o mercado de cuidados com a pele aparece à frente de outros nichos como cuidados com o cabelo, fragrâncias e maquiagem, de acordo com estudo da McKinsey & Company, “From aisle to algorithm”. Na América Latina e no Brasil, o movimento é exemplificado com nécessaires cheias de balms, óleos, brumas e mists hidratantes, que integram alguns dos produtos e ativos em alta na indústria da beleza.
Procedimentos estéticos
Com o mercado de beleza mundial crescendo 5% ao ano até 2030, Octávio afirma que a procura atual está voltada para resultados visíveis e imediatos. Tratamentos estéticos aparecem como uma opção considerada pelo público mais novo: “Os jovens chegam ao consultório com rotinas de skincare consolidadas e, cada vez mais, buscam procedimentos que complementam esses cuidados”, diz o profissional.
“Limpeza de pele, peelings, lasers para acne e manchas, bioestimuladores de colágeno e tecnologias para melhorar a textura da pele estão entre os mais procurados”, cita Octávio. “A prioridade, para eles, é manter a pele saudável e prevenir o envelhecimento, sempre com resultados naturais. A tendência é que mais e mais estratégias de cuidados surjam ao longo do caminho, mas é preciso cuidado com as armadilhas de ter várias rotinas”, ressalta o médico.
Em meio às celebrações do Dia Internacional do Autocuidado, comemorado no dia 24 de julho, Octávio aponta que o cuidado individualizado passa por outras etapas, como uma boa rotina de sono, alimentação balanceada e exercícios físicos, além da rotina de cuidados com a pele e tratamentos estéticos.
O médico alerta para a adoção de “protocolos” que, mesmo em alta, podem não dialogar com os traços e características dos pacientes. “Procedimentos como skinbooster, bioestimulador de colágeno, lasers e protocolos como K-beauty e o J-Beauty, para melhorar a qualidade da pele, estão entre as mais comentadas nas redes sociais”, descreve o médico.
“No entanto, nem sempre o que está em alta é o mais indicado para todos”, afirma Octávio. “A estética deve respeitar a individualidade de cada paciente, os traços e as características. Muitas vezes, a melhor conduta é indicar outro caminho para garantir resultados naturais, seguros e harmônicos”, aponta o profissional.
