O primeiro dia da Semana de Alta Costura de Paris, na segunda-feira (26), contou com o desfile de seis casas de moda: Schiaparelli, Julie de Libran, Georges Hobeika, Dior, Rahul Mishra e Imane Ayissi. O destaque ficou para a Dior, que apresentou uma coleção de inspiração floral no desfile ocorrido no Musée Rodin, em Paris.
A partir de uma proposta que busca "proteger" a arte da renomada casa de moda francesa, a coleção marcou a estreia do estilista Jonathan Anderson na alta-costura. Brincando com volumes e texturas, Anderson trouxe peças drapeadas que se assemelham a tulipas, decotes que deixam os ombros à mostra como pétalas caídas e elegantes golas que lembram lírios d'água.
Com musselina e organza desfiada, o estilista criou composições de penas que integram a malha em minivestidos. A paleta exibida combinou looks monocromáticos em preto e branco com silhuetas de cores intensas, como laranja, verde e azul celeste.
Desde as estruturas dos vestidos até os acessórios, a coleção primavera-verão 2026 estava repleta de referências florais, cuja origem se encontra na chegada de Anderson à direção criativa da Dior. Seu antecessor, o estilista britânico John Galliano, deu a Anderson um buquê de ciclâmen, que, segundo a marca, simbolizou "um revezamento poético da transmissão criativa".
Para Anderson, a alta-costura "é uma arte em vias de extinção que só sobrevive por meio de sua prática. Criá-la é protegê-la". O desfile da Dior foi um dos mais esperados e contou com a presença de inúmeras estrelas, incluindo a cantora Rihanna e as atrizes Anya Taylor-Joy, Jennifer Lawrence e Greta Lee.
O estilista norte-irlandês de 41 anos, ex-diretor artístico da espanhola Loewe, foi nomeado à frente das coleções femininas e de alta-costura em junho, poucas semanas depois de sua chegada à Dior Homme, tornando-se o primeiro designer desde Christian Dior a supervisionar as três linhas da casa, pertencente ao grupo LVMH.
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Para ficar de olho
O segundo dia de desfiles, nesta terça-feira (27), começou com a Chanel, que estreou seu novo estilista, Matthieu Blazy. O franco-belga de 41 anos foi nomeado no final de 2024 para a maison do duplo C após sua passagem pela Bottega Veneta (do grupo Kering). Ao lado de Anderson, Blazy foi o centro das atenções por sua primeira coleção feminina durante a Semana de Moda de Paris em outubro de 2025.
A apresentação de Armani também foi marcante. Foi a primeira coleção de alta-costura exibida pela marca sem a supervisão de seu fundador, Giorgio, que morreu em setembro aos 91 anos.
A casa italiana Valentino, marcada pela morte de seu fundador aos 93 anos na semana passada, também figura no calendário, assim como Elie Saab, Viktor&Rolf e Zuhair Murad. Outros estilistas como Julien Fournier e Miss Sohee revelarão também suas peças selecionadas.
Em contrapartida, duas marcas lendárias, Balenciaga e Jean Paul Gaultier, cujos diretores criativos, Pierpaolo Piccioli e Duran Lantink, foram nomeados recentemente, estarão ausentes nesta temporada.
Ao contrário da Semana de Moda de Paris, a alta-costura é realizada em janeiro para a temporada de verão e em julho para a de inverno, somente na capital francesa. Trata-se de uma especificidade francesa em que são apresentadas peças únicas, sempre feitas à mão, destinadas, sobretudo, às grandes galas e aos tapetes vermelhos.
Veja a seguir as casas de moda que deram início aos desfiles:
