Imagem pessoal e autoestima depois dos 50: quando vestir-se é reencontro

Consultoria de imagem ganha espaço entre mulheres maduras que buscam se expressar com autenticidade e se reconhecer em frente ao espelho

Na maturidade, imagem pessoal é reflexo de escolhas e trajetória e não de regras externas
Na maturidade, imagem pessoal é reflexo de escolhas e trajetória e não de regras externas Foto : Freepik / Divulgação / CP

Na maturidade, a imagem que se vê no espelho nem sempre acompanha a transformação que acontece por dentro. O corpo muda, as prioridades se reorganizam, o tempo passa a ter outro valor e, com ele, o desejo de ser reconhecida na própria aparência. É nesse ponto que muitas mulheres 50+ encontram na consultoria de imagem uma ferramenta de reconexão com a autoestima e com o estilo que desejam cultivar.

“Não se trata de seguir regras ou fórmulas, mas de entender quem você é agora, depois de tantas fases e experiências”, explica Marina Kober, consultora de imagem e criadora do método KO.BI. Ela participou do episódio mais recente do podcast e videocast Fala 50+, que debateu os atravessamentos entre moda, identidade e liberdade na maturidade.

🎧Você pode escutar o podcast Fala 50+

O trabalho com imagem pessoal, segundo Marina, começa muito antes da escolha das roupas: passa por entender a rotina da cliente, seu ritmo, seu momento de vida e o que ela deseja comunicar. “Tem gente que quer praticidade, outras buscam ousadia. O importante é que faça sentido para cada uma”, afirma.

Estilo não tem idade: tem história

A ideia de que existem roupas “adequadas” para determinadas faixas etárias ainda ronda o imaginário coletivo. Cabelo curto, saias discretas, tons neutros. “São crenças antigas, que muitas vezes a própria mulher reproduz sem perceber”, aponta Marina. Mas ela observa que as clientes 50+ têm algo em comum: sabem muito bem o que gostam e o que não querem mais. "Elas chegam mais decididas, com repertório de vida. Só precisam, muitas vezes, de um empurrão para romper com esses bloqueios."

Symone Rech, fundadora da plataforma de tendências New & Now, também esteve no episódio. Para ela, a construção da imagem pessoal tem impacto direto na autoestima e isso está longe de ser vaidade. “Se eu não me reconheço no que visto, há um ruído. Quando o vestir se alinha com quem somos, tudo muda: a forma como ocupamos o espaço, como nos relacionamos e como nos sentimos.”

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Mais do que aparência: é presença

O processo não é sobre transformar, mas sobre revelar. “Às vezes, a cliente diz: ‘Acho lindo esse estilo, mas não sei onde encontrar’. Ou: ‘Queria usar isso, mas não posso mais’. Nosso trabalho é mostrar que ela pode, sim e que pode do seu jeito”, diz Marina. Na prática, isso significa transitar por diferentes lojas, ajustar modelagens, pensar em combinações que façam sentido para aquela mulher e não para o que o mercado espera dela.

Para quem viveu décadas cuidando dos outros, trabalhar a imagem é, muitas vezes, um gesto de cuidado consigo, diz Marina. “E mais do que uma busca por beleza, é um reencontro com a própria história agora escrita com mais liberdade”

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