Mulheres acima de 50 anos ganham espaço no mercado de trabalho e no empreendedorismo

Profissionais experientes redefinem o mercado com uma combinação de resiliência e inovação

Mulheres experientes trazem uma visão estratégica e inovadora
Mulheres experientes trazem uma visão estratégica e inovadora Foto : Freepik / Divulgação / CP

Com o aumento expressivo da população com 60 anos ou mais no Brasil, o mercado de trabalho e o empreendedorismo estão experimentando transformações significativas, especialmente no que se refere à participação de mulheres acima de 50 anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a parcela da população com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 14,7% entre 2012 e 2021, somando atualmente mais de 31 milhões de pessoas. Esse contexto tem estimulado uma nova dinâmica social e econômica, refletindo o aumento do número de mulheres empreendedoras e atuantes em diversos setores.

Sheila Cohen, diretora comercial da Ettera, empresa de tecnologia que atua no modelo de assinatura "as a service", comenta que esse fenômeno abre portas para que profissionais experientes explorem novas oportunidades e desafios. “Com o envelhecimento populacional, há uma valorização de profissionais que trazem consigo um repertório vasto de conhecimento e experiência, o que enriquece a cultura organizacional e promove uma troca de ideias muito rica”, explica.

Crescimento do empreendedorismo 50+

A pesquisa do Sebrae, realizada em 2022, reforça essa realidade ao indicar que 29% dos proprietários de empresas no Brasil têm mais de 50 anos. Além disso, 18,2% das startups no país foram fundadas por pessoas com 46 anos ou mais, conforme levantamento da Associação Brasileira de Startups. Isso sinaliza uma crescente participação de pessoas seniores, sobretudo mulheres, no mercado de negócios, abrindo espaço para a criação de empresas que trazem soluções inovadoras com base em vivências sólidas e uma visão estratégica aprimorada.

Para muitas dessas mulheres, o empreendedorismo 50+ representa uma alternativa interessante ao mercado corporativo tradicional. Além da possibilidade de conquistar uma renda extra e alcançar maior autonomia, empreender após os 50 anos permite que as mulheres equilibrem melhor suas vidas pessoais e profissionais, mantendo-se socialmente ativas e com um sentido renovado de propósito. “As mulheres dessa faixa etária trazem consigo uma confiança inestimável, fruto de anos de experiência e aprendizado, o que favorece decisões mais assertivas e soluções inovadoras para os desafios enfrentados”, aponta Cohen.

Experiência e inovação andam lado a lado

A valorização da experiência é vista na Ettera como um diferencial competitivo. A empresa, que aposta na pluralidade geracional, conta com um grupo de executivos com mais de 50 anos, que assumem cargos estratégicos e colaboram ativamente para o crescimento da organização. “Aliar a experiência dos mais velhos com a visão inovadora dos mais jovens cria uma sinergia poderosa. Essa combinação não apenas aprimora a tomada de decisões, mas também potencializa o sucesso dos negócios”, afirma Cohen.

Além disso, Cohen enfatiza a importância de uma cultura organizacional que promova o desenvolvimento contínuo de seus colaboradores, independentemente da idade. Na Ettera, a pluralidade etária não é apenas uma decisão estratégica, mas parte integrante da estrutura organizacional, onde a troca de conhecimentos é incentivada e se torna um pilar fundamental para a inovação.

Experiência e propósito

Sheilla Cohen é um exemplo de como a experiência adquirida ao longo da vida profissional pode ser transformada em vantagem competitiva. Ela compartilha que, mesmo após os 50 anos, jamais considerou a aposentadoria como uma opção. “Amo o que faço, e minha vivência trouxe vantagens que só o tempo pode proporcionar, como o entendimento profundo do mercado e uma rede de confiança construída ao longo de anos de trabalho.”

Para Cohen, essa experiência se traduz em uma série de habilidades valiosas, como a resiliência, a capacidade de adaptação e uma visão estratégica bem-apurada. No setor de tecnologia, por exemplo, ela acredita que as mulheres 50+ são essenciais já que muitas vezes sua experiência permite enxergar oportunidades e lacunas que os profissionais mais jovens podem deixar passar.

Desafios enfrentados pelas mulheres 50+

Embora as oportunidades estejam crescendo, Cohen reconhece que ainda existem desafios específicos para mulheres acima de 50 anos que desejam se destacar no mercado de trabalho ou empreender. Segundo ela, algumas das principais barreiras incluem a adaptação às novas tecnologias e o preconceito que persiste em alguns ambientes corporativos. “A resiliência e a visão estratégica, características que se aprimoram com o tempo, são ferramentas poderosas para enfrentar esses obstáculos”, explica.

A Ettera, por exemplo, promove um ambiente inclusivo e diverso, onde a idade não é vista como um limitador, mas como um ativo valioso. Sheila acredita que, para superar as barreiras, é fundamental que as mulheres se mantenham atualizadas e abertas ao aprendizado contínuo, acompanhando as inovações e tendências do mercado.

Empreendedorismo feminino e o setor de tecnologia

O setor de tecnologia, historicamente dominado por jovens, tem sido alvo do interesse de mulheres 50+, que estão ingressando nesse campo com uma visão madura e inovadora. A participação feminina sênior tem sido especialmente relevante em áreas como a inteligência artificial e a análise de dados, onde a experiência permite identificar demandas específicas e resolver problemas de forma diferenciada.

“A entrada dessas mulheres no setor de tecnologia é transformadora”, aponta Cohen. “Com sua bagagem e perspectiva, elas agregam uma visão diferenciada que é essencial para a inovação. Além disso, contribuem para a criação de produtos e serviços que atendem melhor a um público diversificado, trazendo benefícios não só para as empresas, mas para toda a sociedade.”

O papel das startups e a transformação do ecossistema de inovação

O ambiente de startups também está mudando. As mulheres 50+ que decidem empreender nesse setor estão trazendo um novo dinamismo e desafiando estereótipos, provando que inovação e juventude não são sinônimos. A pesquisa da Associação Brasileira de Startups destaca que 18,2% das startups no Brasil foram fundadas por pessoas com 46 anos ou mais, o que reforça a presença das “fifties” no ecossistema de inovação.

Para Cohen, o segredo para enfrentar o cenário instável e as rápidas mudanças tecnológicas é a capacidade de adaptação. “Lidar com a instabilidade global e tecnológica é um desafio tanto para empreendedores quanto para líderes empresariais. A flexibilidade e a adaptabilidade são essenciais para se antecipar às tendências e se manter relevante no mercado.

Benefícios e legado da diversidade geracional

A Ettera tem investido na construção de um legado baseado na diversidade geracional, vendo essa pluralidade como uma forma de fortalecimento organizacional. A presença de mulheres e homens 50+ em posições estratégicas não apenas incentiva a inclusão, mas também amplia o alcance de soluções e produtos, tornando a empresa mais competitiva.

Cohen enfatiza que o ambiente inclusivo da Ettera cria um espaço onde jovens e experientes aprendem uns com os outros, promovendo um ciclo contínuo de aprendizado e inovação. Esse diferencial, segundo ela, contribui para a criação de soluções mais completas e que atendem melhor as necessidades do mercado. “A pluralidade etária faz com que a empresa esteja sempre renovada e atenta às necessidades de todos os públicos”, destaca.

Oportunidades para o futuro

O mercado de trabalho para mulheres 50+ no Brasil está em franca transformação, e a tendência é que essa participação continue crescendo. Para Cohen, o futuro é promissor, especialmente para aquelas que continuam a buscar desenvolvimento pessoal e profissional. “Nunca é tarde para empreender ou iniciar uma nova carreira. A experiência, quando bem aproveitada, é um ativo poderoso que pode fazer a diferença em qualquer setor.”

Com o apoio de políticas inclusivas e empresas que valorizam a pluralidade, como a Ettera, as mulheres 50+ estão mudando o mercado e demonstrando que a idade não limita o potencial de inovação. Em um cenário de constantes transformações, essas profissionais trazem uma perspectiva diferenciada, fortalecendo o mercado e contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e diversificada.

Para mulheres que buscam entrar ou se destacar no mercado, Cohen sugere: “Mantenha-se curiosa, invista em sua educação contínua e não subestime o valor da sua experiência. O mercado está cada vez mais aberto para profissionais que sabem transformar vivências em inovação e que trazem um olhar empático e resiliente para os negócios.”

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