Até 75% das grávidas desenvolvem melasma, revela estudo

Condição, marcada por manchas acastanhadas na pele, tem forte relação com alterações hormonais da gestação e pode persistir por anos após o parto

O melasma é uma doença de pele benigna, mas emocionalmente angustiante
O melasma é uma doença de pele benigna, mas emocionalmente angustiante Foto : Freepik

O melasma é uma condição dermatológica caracterizada pelo surgimento de manchas acastanhadas, geralmente simétricas, que podem ter padrão superficial, profundo ou misto. Normalmente, as lesões surgem com maior frequência em áreas expostas ao sol, e sua intensidade tende a ser mais acentuada em pessoas de pele mais escura, que possuem maior propensão à hiperpigmentação.

“A radiação solar continua sendo o principal fator desencadeante, embora outros elementos como luz visível, calor, alterações hormonais, predisposição genética, uso de cosméticos e medicamentos fotossensibilizantes, além do estresse, também contribuam para o surgimento ou agravamento do quadro, explica o Flégon David, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Melasma na gestação

A gravidez é um período acompanhado por inúmeras mudanças fisiológicas profundas que afetam todos os sistemas do corpo.

Durante a gestação, o risco de surgimento ou agravamento do melasma aumenta devido à elevação dos hormônios estrogênio, progesterona e MSH, que estimulam a produção de melanina.

“É fundamental adotar fotoproteção rigorosa desde o primeiro trimestre, priorizando filtros físicos e evitando a exposição solar nos horários de maior intensidade”, orienta Flegon.

De acordo com estudo da National Library of Medicina, publicado em outubro de 2024, o melasma é uma doença de pele benigna, mas emocionalmente angustiante, que reduz a qualidade de vida das pacientes, com taxas de prevalência durante a gravidez variando de 36,4% a 75%. Preocupantemente, até 30% dos casos persistem após o parto, mesmo dez anos depois.

Como tratar?

A fotoproteção é considerada a base do tratamento e da prevenção. O uso de filtro solar de amplo espectro (UVA/UVB) aliado à proteção contra a luz visível — especialmente com bloqueadores físicos, como o óxido de ferro — potencializa a eficácia da proteção.

“O padrão-ouro no tratamento tópico combina hidroquinona, tretinoína e corticosteroides (TCC), que apresentam melhores resultados do que o uso isolado das substâncias”, afirma.

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Antioxidantes como vitamina C, cisteamina, silimarina, glutationa e o extrato vegetal Polypodium leucotomos, peelings químicos e tecnologias como laser toning e pulsed lasers também podem ser indicados, sempre com avaliação médica.

O dermatologista alerta ainda que a exposição a fontes de luz intensa — como luz azul e LEDs — e ao calor excessivo pode piorar o melasma. Em alguns casos, tratamentos orais como ácido tranexâmico e suplementos com Polypodium leucotomos podem ser recomendados, assim como novas formulações que utilizam sistemas de entrega por nanopartículas e lipossomas, que aumentam a penetração e eficácia dos ativos.

👉 O especialista reforça que, embora o melasma não tenha cura definitiva, o controle é possível com a combinação de cuidados diários, tratamentos adequados e acompanhamento dermatológico contínuo.