A Fertilização in Vitro (FIV) deixou de ser vista como um tratamento restrito, experimental ou inacessível. Hoje, é uma das técnicas de reprodução humana mais eficazes e utilizadas em todo o mundo, capaz de oferecer novas possibilidades para mulheres e casais que enfrentam dificuldades para engravidar.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), mais de 40 mil ciclos de FIV são realizados anualmente no Brasil, com resultados cada vez mais expressivos graças ao avanço das tecnologias de fertilização, cultivo embrionário e análise genética. Mas afinal, em quais casos esse procedimento é realmente recomendado?
“A FIV não deve ser vista como a última opção, mas sim como uma alternativa estratégica em situações específicas. Cada caso é único e exige avaliação detalhada, mas quando bem indicada, pode fazer toda a diferença entre a frustração e a realização do sonho de ter um filho”, explica Vamberto Maia Filho.
O ginecologista e obstetra especializado em reprodução humana lista 5 situações clínicas em que a FIV é considerada a estratégia mais indicada para alcançar a gravidez. Confira:
1. Obstrução ou dano nas trompas uterinas
As trompas uterinas desempenham papel essencial no processo natural da fecundação, pois é nelas que óvulo e espermatozoide se encontram. Quando há obstruções, aderências ou mesmo a retirada das trompas em função de cirurgias, a fecundação natural se torna inviável.
“Nesses casos, a FIV é a alternativa mais segura porque elimina completamente a dependência das trompas. Fecundamos o óvulo em laboratório e transferimos o embrião diretamente para o útero. É como criar um atalho que devolve à paciente a chance de engravidar, mesmo quando as trompas já não oferecem essa possibilidade”, explica.
2. Idade materna avançada
Após os 35 anos, a fertilidade feminina começa a declinar significativamente, e após os 40 essa queda é ainda mais acentuada. Nesses casos, a Fertilização in Vitro tem sido uma grande aliada para mulheres que adiam a maternidade por razões pessoais, profissionais ou de saúde. E, quando há planejamento antecipado, o congelamento de óvulos surge como um recurso fundamental para preservar a fertilidade.
“O congelamento de óvulos permite que a mulher utilize óvulos mais jovens e de melhor qualidade no futuro, aumentando consideravelmente as chances de sucesso em uma gestação tardia. Nesse contexto, FIV entra como a técnica capaz de viabilizar essa gravidez, seja com óvulos próprios previamente congelados ou com óvulos compartilhados. Essa combinação de tecnologias democratizou a maternidade tardia, transformando em realidade um sonho que antes era muito mais difícil de alcançar”, afirma.
3. Baixa reserva ovariana
Com o passar do tempo, especialmente após os 35 anos, a quantidade e a qualidade dos óvulos tendem a diminuir. Em alguns casos, doenças, tratamentos médicos ou até fatores genéticos podem acelerar esse processo.
“A estimulação ovariana realizada durante a FIV permite que aproveitemos ao máximo os óvulos disponíveis naquele ciclo, ampliando as chances de sucesso. Mesmo em situações em que a mulher apresenta poucos óvulos, a técnica ajuda a identificar e selecionar os melhores, garantindo uma oportunidade que o processo natural não conseguiria oferecer”, comenta o especialista.
4. Infertilidade masculina
Mais de 40% dos casos de infertilidade têm algum fator relacionado ao homem, como baixa produção de espermatozoides, alterações na forma ou na motilidade. Para esses casos, a FIV associada à técnica de ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide) se tornou um divisor de águas.
“A ICSI revolucionou os tratamentos masculinos. Hoje conseguimos fecundar um óvulo mesmo com um número muito reduzido de espermatozoides ou em casos de baixa motilidade. Isso devolveu a milhares de casais a possibilidade de realizar o sonho de ter filhos biológicos, algo impensável há algumas décadas”, destaca Vamberto.
5. Endometriose
A endometriose é uma doença que afeta milhões de mulheres no Brasil e pode provocar infertilidade por diferentes mecanismos: desde alterações anatômicas até inflamações que afetam a qualidade dos óvulos.
“A endometriose muitas vezes compromete não só a anatomia do sistema reprodutivo, mas também o ambiente hormonal e a receptividade do útero. A FIV ajuda a driblar essas barreiras porque controla a fecundação fora do corpo e permite escolher embriões saudáveis para a transferência, aumentando as chances de sucesso mesmo em casos de endometriose avançada”, ressalta o médico.
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6. Síndrome do Ovário Policístico
A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma das causas mais comuns de infertilidade feminina, segundo o Ministério da Saúde. A síndrome é caracterizada por desequilíbrios hormonais que podem dificultar a ovulação regular. Muitas mulheres com SOP enfrentam ciclos menstruais instáveis ou até mesmo ausência de ovulação, o que reduz bastante as chances de engravidar naturalmente.
“A FIV se mostra uma solução extremamente eficaz para pacientes com SOP porque permite induzir a ovulação de forma controlada e garantir que haja óvulos maduros para a fecundação. Além disso, conseguimos monitorar todo o processo de estimulação ovariana com segurança, minimizando riscos como a síndrome de hiperestimulação. Esse controle oferece às mulheres com SOP uma chance real de engravidar, mesmo após longos anos de tentativas frustradas”, conclui.
