Bebida simples, acessível e fácil de incluir no dia a dia, o chá é lembrado por quem está ou já esteve em processo de emagrecimento. Ao contrário das crenças populares, que afirmam que a bebida “acelera o metabolismo” e “ajuda a queimar gordura”, o chá não deve ser encarado como uma bebida milagrosa para emagrecer.
Segundo o médico nutrólogo Nataniel Viuniski, mestre em nutrição e alimentos, e membro do Conselho Para Assuntos Nutricionais da Herbalife, o chá pode até ser um aliado do processo de perda de peso, mas não atua como protagonista. “O emagrecimento acontece quando há um conjunto de hábitos bem estruturados, como a alimentação equilibrada e a prática de atividade física, que levam a um déficit calórico, além de um sono adequado e consistência ao longo do tempo”, explica o nutrólogo.
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Para compreender os benefícios reais do chá, é preciso entender como ele funciona no organismo e no processo de emagrecimento. A seguir, veja o que é mito e o que é verdade sobre a bebida:
1. Chá emagrece sozinho: mito
Apesar de estar muito associado à perda de peso, nenhum chá é capaz de provocar emagrecimento de forma isolada. Algumas variedades, como chá verde, preto e mate, contêm compostos bioativos, como a cafeína, que podem aumentar levemente o gasto energético, melhorar o foco e ajudar a prolongar a disposição durante o dia ou até na prática de atividade física.
Isso pode contribuir para um gasto calórico um pouco maior, mas o efeito é discreto e insuficiente para gerar perda de gordura significativa por conta própria. “Os chás podem contribuir, mas não substituem uma estratégia bem estruturada que envolve mudanças na alimentação e no estilo de vida”, ressalta Nataniel.
2. Chás podem trazer benefícios para a saúde além do emagrecimento: verdade
Embora o impacto no peso seja limitado, os chás, especialmente os derivados da planta Camellia sinensis, como o chá verde, vêm sendo estudados por seus possíveis efeitos na saúde. Uma análise publicada no British Journal of Nutrition a partir de diferentes estudos sugere que o consumo regular da bebida pode contribuir para uma leve redução da pressão arterial ao longo de algumas semanas.
O chá verde, por exemplo, pode reduzir discretamente a glicose em jejum, como indica uma análise publicada no Nutrition & Metabolism. Já estudos com grandes populações, divulgados no American Journal of Clinical Nutrition e no Annals of Internal Medicine, também associam o consumo regular de chá a menor risco de doenças cardiovasculares, como AVC, e de mortalidade geral.
Mesmo com resultados positivos, é importante ter cautela ao interpretar os estudos, aponta o nutrólogo Nataniel. Para o especialista, eles mostram associação entre o consumo regular de chá e a redução de doenças, e não necessariamente uma relação de causa e efeito.
3. Adoçar o chá com adoçante atrapalha o emagrecimento: mito
Existe uma preocupação comum de que adoçantes possam estimular a liberação de insulina ou “confundir” o metabolismo, prejudicando o emagrecimento. Até o momento, evidências mais robustas não sustentam essa hipótese.
Uma revisão sistemática com análise publicada no European Journal of Clinical Nutrition mostra que adoçantes não calóricos têm efeito neutro sobre glicemia e resposta insulínica na maioria das pessoas. Já uma análise no Journal of Endocrinological Investigation aponta que a substituição do açúcar por adoçantes pode ajudar a reduzir a ingestão calórica diária, o que pode favorecer o controle do peso, especialmente a longo prazo.
“Por outro lado, o adoçante acaba estimulando o hábito de buscar o sabor doce”, pontua o nutrólogo. De acordo com ele, isso pode dificultar a mudança de padrão alimentar para algumas pessoas.
4. Chás podem ser consumidos sem restrição: mito
O fato de serem naturais não significa que os chás possam ser consumidos livremente, sem qualquer cuidado. Chás com cafeína, como chá verde, chá preto e chá mate, podem causar efeitos como ansiedade, palpitações, irritação gastrointestinal e insônia, especialmente em pessoas mais sensíveis ou quando ingeridos em excesso. “É importante evitar o consumo no fim do dia, principalmente por pessoas mais sensíveis à cafeína”, orienta o nutrólogo.
Produtos com apelo “detox” ou efeito laxativo merecem atenção. Eles podem provocar perda excessiva de líquidos e minerais, causar desconforto intestinal e, quando usados com frequência, podem prejudicar o funcionamento natural do intestino. “Algumas plantas podem interagir com fármacos ou agravar condições de saúde”, diz o especialista.
“Gestantes, pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, problemas cardíacos ou renais, e quem faz uso contínuo de medicamentos devem ter cuidado redobrado”, afirma o especialista. Nesses casos, é importante consumir chás sob a orientação de um médico ou nutricionista.
5. Incluir chá na rotina pode ser uma estratégia saudável: verdade
Quando consumido de forma adequada, o chá pode ser um aliado interessante dentro de uma rotina voltada ao emagrecimento e à saúde. Ele contribui para a hidratação, pode substituir bebidas calóricas, como refrigerantes e sucos industrializados, e oferece compostos com potencial antioxidante e efeitos metabólicos leves.
Uma forma prática de consumo é adaptar o tipo de chá ao momento do dia: opções com cafeína, como chá verde, preto ou mate, se encaixam melhor pela manhã ou antes da atividade física; e versões sem cafeína, como camomila ou erva-doce, são apropriados à noite, para não interferir no sono. A recomendação geral é manter o consumo moderado, em torno de até 1 litro por dia, ajustando conforme a tolerância individual.
