Chá emagrece? Veja cinco mitos e verdades sobre a bebida

Quando consumidos com regularidade e dentro de uma rotina saudável, os chás podem trazer benefícios ao organismo além do emagrecimento

Mesmo sendo naturais, chás merecem atenção no consumo
Mesmo sendo naturais, chás merecem atenção no consumo Foto : Magnific / Divulgação / CP

Bebida simples, acessível e fácil de incluir no dia a dia, o chá é lembrado por quem está ou já esteve em processo de emagrecimento. Ao contrário das crenças populares, que afirmam que a bebida “acelera o metabolismo” e “ajuda a queimar gordura”, o chá não deve ser encarado como uma bebida milagrosa para emagrecer.

Segundo o médico nutrólogo Nataniel Viuniski, mestre em nutrição e alimentos, e membro do Conselho Para Assuntos Nutricionais da Herbalife, o chá pode até ser um aliado do processo de perda de peso, mas não atua como protagonista. “O emagrecimento acontece quando há um conjunto de hábitos bem estruturados, como a alimentação equilibrada e a prática de atividade física, que levam a um déficit calórico, além de um sono adequado e consistência ao longo do tempo”, explica o nutrólogo.

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Para compreender os benefícios reais do chá, é preciso entender como ele funciona no organismo e no processo de emagrecimento. A seguir, veja o que é mito e o que é verdade sobre a bebida:

1. Chá emagrece sozinho: mito

Apesar de estar muito associado à perda de peso, nenhum chá é capaz de provocar emagrecimento de forma isolada. Algumas variedades, como chá verde, preto e mate, contêm compostos bioativos, como a cafeína, que podem aumentar levemente o gasto energético, melhorar o foco e ajudar a prolongar a disposição durante o dia ou até na prática de atividade física.

Isso pode contribuir para um gasto calórico um pouco maior, mas o efeito é discreto e insuficiente para gerar perda de gordura significativa por conta própria. “Os chás podem contribuir, mas não substituem uma estratégia bem estruturada que envolve mudanças na alimentação e no estilo de vida”, ressalta Nataniel.

2. Chás podem trazer benefícios para a saúde além do emagrecimento: verdade

Embora o impacto no peso seja limitado, os chás, especialmente os derivados da planta Camellia sinensis, como o chá verde, vêm sendo estudados por seus possíveis efeitos na saúde. Uma análise publicada no British Journal of Nutrition a partir de diferentes estudos sugere que o consumo regular da bebida pode contribuir para uma leve redução da pressão arterial ao longo de algumas semanas.

O chá verde, por exemplo, pode reduzir discretamente a glicose em jejum, como indica uma análise publicada no Nutrition & Metabolism. Já estudos com grandes populações, divulgados no American Journal of Clinical Nutrition e no Annals of Internal Medicine, também associam o consumo regular de chá a menor risco de doenças cardiovasculares, como AVC, e de mortalidade geral.

Mesmo com resultados positivos, é importante ter cautela ao interpretar os estudos, aponta o nutrólogo Nataniel. Para o especialista, eles mostram associação entre o consumo regular de chá e a redução de doenças, e não necessariamente uma relação de causa e efeito.

3. Adoçar o chá com adoçante atrapalha o emagrecimento: mito

Existe uma preocupação comum de que adoçantes possam estimular a liberação de insulina ou “confundir” o metabolismo, prejudicando o emagrecimento. Até o momento, evidências mais robustas não sustentam essa hipótese.

Uma revisão sistemática com análise publicada no European Journal of Clinical Nutrition mostra que adoçantes não calóricos têm efeito neutro sobre glicemia e resposta insulínica na maioria das pessoas. Já uma análise no Journal of Endocrinological Investigation aponta que a substituição do açúcar por adoçantes pode ajudar a reduzir a ingestão calórica diária, o que pode favorecer o controle do peso, especialmente a longo prazo.

“Por outro lado, o adoçante acaba estimulando o hábito de buscar o sabor doce”, pontua o nutrólogo. De acordo com ele, isso pode dificultar a mudança de padrão alimentar para algumas pessoas.

4. Chás podem ser consumidos sem restrição: mito

O fato de serem naturais não significa que os chás possam ser consumidos livremente, sem qualquer cuidado. Chás com cafeína, como chá verde, chá preto e chá mate, podem causar efeitos como ansiedade, palpitações, irritação gastrointestinal e insônia, especialmente em pessoas mais sensíveis ou quando ingeridos em excesso. “É importante evitar o consumo no fim do dia, principalmente por pessoas mais sensíveis à cafeína”, orienta o nutrólogo.

Produtos com apelo “detox” ou efeito laxativo merecem atenção. Eles podem provocar perda excessiva de líquidos e minerais, causar desconforto intestinal e, quando usados com frequência, podem prejudicar o funcionamento natural do intestino. “Algumas plantas podem interagir com fármacos ou agravar condições de saúde”, diz o especialista.

“Gestantes, pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, problemas cardíacos ou renais, e quem faz uso contínuo de medicamentos devem ter cuidado redobrado”, afirma o especialista. Nesses casos, é importante consumir chás sob a orientação de um médico ou nutricionista.

5. Incluir chá na rotina pode ser uma estratégia saudável: verdade

Quando consumido de forma adequada, o chá pode ser um aliado interessante dentro de uma rotina voltada ao emagrecimento e à saúde. Ele contribui para a hidratação, pode substituir bebidas calóricas, como refrigerantes e sucos industrializados, e oferece compostos com potencial antioxidante e efeitos metabólicos leves.

Uma forma prática de consumo é adaptar o tipo de chá ao momento do dia: opções com cafeína, como chá verde, preto ou mate, se encaixam melhor pela manhã ou antes da atividade física; e versões sem cafeína, como camomila ou erva-doce, são apropriados à noite, para não interferir no sono. A recomendação geral é manter o consumo moderado, em torno de até 1 litro por dia, ajustando conforme a tolerância individual.