Entenda a relação entre saúde mental e saúde cardíaca

Tratamento psicológico reduz 70% das internações por doenças cardíacas, aponta estudo

Índice crescente de distúrbios psicológicos tem relação com aumento de doenças cardíacas
Índice crescente de distúrbios psicológicos tem relação com aumento de doenças cardíacas Foto : Pexels

Quem comanda o corpo é o cérebro, enviando os estímulos na hora certa para que todos os órgãos continuem trabalhando, mas a mente também tem um papel fundamental no funcionamento do organismo. Quem nunca sentiu uma dor física causada por um problema psicológico? Distúrbios como ansiedade, depressão e pânico podem afetar diversas estruturas corporais e, principalmente, o coração.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos últimos 10 anos, o índice de depressão cresceu 18,4%, sendo agravado pela pandemia, que aumentou em 25% os casos de distúrbios psicológicos. Isso levou a cada vez mais pessoas desenvolverem doenças cardiovasculares, já que as taxas de estresse, sedentarismo e hipertensão também aumentaram.

“Os sintomas dos transtornos ansiosos e depressivos já são considerados fatores de risco para o sistema cardiovascular. Em um estudo recente foi observado que, ao tratar a depressão e a ansiedade, o risco de hospitalização de pessoas cardíacas cai cerca de 70%, além de também derrubar a chance de morte e de reinternação”, explica a doutora Salete Nacif, cardiologista do Hcor.

Outro fato é que, ao cuidar da mente, também se cuida do coração, pois as oscilações de humor diminuem, fazendo com que os hormônios atrelados ao estresse e à ansiedade não sejam liberados ou fluam em quantidade menor. Entretanto, as mulheres devem ter um pouco mais de cuidado, já que têm mais chances de desenvolverem distúrbios mentais e enfrentam, normalmente, estresse psicossocial.

“Um estudo publicado no Jornal do Colégio Americano de Cardiologia aponta que a desvantagem socioeconômica, as dificuldades na infância e a violência entre parceiros são estressores que podem causar doenças cardiovasculares em mulheres. Programas de gerenciamento de estresse podem ser usados em conjunto com a reabilitação cardíaca, promovendo o relaxamento muscular e a melhora no enfrentamento do problema”, aponta.

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Ter uma alimentação balanceada, ingerir pouco álcool e não fumar fazem parte dos três pilares mais importantes para prevenir doenças. Além disso, fazer exercício físico é um ótimo aliado, pois libera endorfina, um hormônio que gera bem-estar e promove a sensação de recompensa.

“É importante que pessoas com distúrbios ansiosos e depressivos consigam ter momentos de lazer e diversão. Um sono restaurador também desempenha funções primordiais no tratamento da saúde mental, já que proporciona o relaxamento necessário para o cérebro. Por fim, a psicoterapia, associada à terapia medicamentosa, quando necessária, pode ser outra aliada importante”, diz a especialista.

Ela reforça que nenhum sintoma deve ser ignorado, seja ele psicológico ou físico. Quanto antes o diagnóstico acontecer, mais fácil será encontrar o tratamento mais apropriado para gerar cada vez mais saúde e bem-estar.