Mulheres buscam atendimento mais rápido para câncer colorretal

Estudo revela que 63% delas procuram ajuda imediata ao perceberem sangue nas fezes, contra 54% dos homens

Pesquisa mostra que 63% das mulheres que perceberam sangue nas fezes buscaram atendimento imediatamente
Pesquisa mostra que 63% das mulheres que perceberam sangue nas fezes buscaram atendimento imediatamente Foto : Magnific / Divulgação / CP

As mulheres tendem a procurar atendimento médico mais rapidamente ao perceber um possível sinal de câncer colorretal. Entre as entrevistadas que relataram já ter identificado sangue nas fezes, 63% buscaram ajuda imediatamente. Entre os homens que passaram pela mesma situação, o percentual foi de 54%.

O dado faz parte da pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C.Camargo Cancer Center, feita pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados. O levantamento ouviu 2.015 pessoas com 16 anos ou mais nas 27 unidades da Federação.

A diferença de nove pontos percentuais revela uma maior disposição das mulheres para procurar atendimento diante de um sinal de alerta. Ainda assim, os resultados gerais mostram uma distância preocupante entre reconhecer a gravidade de um sintoma e efetivamente buscar orientação médica.

Sintomas e reação: O que a pesquisa revela

Entre todos os participantes da pesquisa, 9% afirmaram já ter percebido sangue nas fezes. Desse grupo, 59% procuraram imediatamente um médico, posto de saúde ou hospital. Outros 40% não tiveram a mesma reação: 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar, 10% aguardaram dias ou semanas antes de buscar atendimento e 7% recorreram a remédios caseiros ou fizeram mudanças na alimentação.

Outros 3% foram à farmácia comprar medicamentos por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de procurar orientação profissional.

Prevenção: Não dependa dos sintomas

A maior rapidez das mulheres na busca por atendimento é um dado positivo, mas o câncer colorretal pode não provocar sintomas em seus estágios iniciais. Por isso, os cuidados não devem começar somente quando alguma alteração aparece no organismo.

O câncer colorretal é um tumor que se desenvolve no intestino grosso, formado pelo cólon e pelo reto. Na maioria dos casos, começa a partir de pólipos, pequenas lesões que podem crescer lentamente e se transformar em câncer ao longo dos anos. Quando a doença é identificada precocemente, apresenta altas chances de cura.

A pesquisa mostra que oito em cada dez brasileiros consideram grave a presença de sangue nas fezes ou uma mudança no funcionamento do intestino que persista por mais de um mês. No entanto, apenas 42% classificam esses sinais como “muito graves”.

A associação entre os sintomas e o câncer de intestino também ainda não é totalmente firme. Embora 67% dos entrevistados concordem que sangue nas fezes ou alterações intestinais prolongadas podem indicar a doença, somente 24% concordam fortemente com essa possibilidade. A maior parcela, 43%, demonstra uma percepção moderada.

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Quais sinais precisam ser investigados

Além do sangue nas fezes, é importante observar alterações persistentes do hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre, dor ou desconforto abdominal, sensação de evacuação incompleta, anemia, cansaço excessivo e perda de peso sem causa aparente.

Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer. O sangramento, por exemplo, também pode estar relacionado a outras condições, como hemorroidas. A recomendação, porém, é não tentar estabelecer o diagnóstico em casa nem esperar indefinidamente que o sinal desapareça.

Mudanças persistentes precisam ser avaliadas por um médico, independentemente da idade da paciente.

Rastreamento e conhecimento

Mesmo diante da incidência da doença, a maioria da população ainda desconhece um dos exames utilizados para o rastreamento precoce. Segundo a pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center, feita pela Nexus, 67% dos brasileiros nunca ouviram falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes.

O exame identifica pequenas quantidades de sangue que não podem ser vistas a olho nu e pode ajudar a encontrar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes.

Apenas 11% dos participantes disseram já ter realizado o procedimento, enquanto 21% conheciam o exame, mas nunca o haviam feito. O desconhecimento chega a 85% entre pessoas de 16 a 24 anos e também é maior do que a média entre homens, pessoas com menor renda e participantes que estudaram apenas até o Ensino Fundamental.

Um resultado positivo não representa, sozinho, o diagnóstico de câncer, mas indica a necessidade de investigação complementar. Já um resultado negativo reduz a probabilidade de lesões, porém não exclui completamente a doença, especialmente quando existem sintomas persistentes.

A colonoscopia é considerada o principal exame para diagnóstico e rastreamento porque permite visualizar o interior do intestino, realizar biópsias e retirar pólipos durante o próprio procedimento, evitando que essas lesões evoluam para câncer.

Exames preventivos: Recomendações e fatores de risco

Para pessoas sem sintomas e com risco habitual para a doença, o rastreamento costuma ser recomendado a partir dos 45 anos. Até alguns anos atrás, a orientação geral era começar aos 50, mas a idade foi antecipada diante do aumento dos casos entre adultos mais jovens.

Dados do A.C.Camargo Cancer Center apontam crescimento médio anual de 7,6% nos casos registrados em pessoas com menos de 50 anos entre 2000 e 2023.

Não existe uma única explicação para esse aumento. Entre os fatores que podem contribuir estão alimentação rica em produtos ultraprocessados e carnes processadas, baixo consumo de fibras, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

A recomendação de iniciar o rastreamento aos 45 anos é destinada a pessoas assintomáticas. Quando há sangue nas fezes, alteração persistente do funcionamento intestinal, dor abdominal, anemia ou perda de peso inexplicada, a avaliação médica deve ocorrer em qualquer idade.

Diante do crescimento da doença no País, especialistas do A.C.Camargo reforçam a importância de não ignorar sinais do câncer de intestino como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente, além da realização de exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.

“O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, comenta o Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.

Incidência e alerta para a população

De acordo com estimativa do Instituto Nacional de Câncer citada no levantamento, o Brasil deve registrar 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no triênio de 2026 a 2028. Com isso, a doença aparece como o segundo tipo de tumor com maior incidência entre os brasileiros.

A pesquisa mostra que as mulheres demonstram maior disposição para agir diante de um sinal de alerta. Esse cuidado, porém, precisa ir além da reação aos sintomas e incluir consultas, exames indicados para cada faixa etária e investigação de mudanças persistentes.

No câncer colorretal, procurar ajuda rapidamente e manter o rastreamento em dia pode fazer diferença no diagnóstico e nas possibilidades de tratamento. Para saber mais sobre como prevenir o câncer colorretal, é fundamental estar atento às informações atualizadas.

Sobre a pesquisa

A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou presencialmente 2.015 pessoas com idade a partir de 16 anos, nas 27 unidades da Federação, entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.