O que ninguém te conta sobre o uso indiscriminado de vitaminas

Popular entre quem busca performance e longevidade, o consumo de vitaminas sem indicação médica pode causar mais danos do que benefícios

Em muitos casos, o que parece prevenção pode se transformar em risco
Em muitos casos, o que parece prevenção pode se transformar em risco Foto : Freepik

Em meio ao crescimento da busca por saúde, longevidade e alta performance, o consumo de suplementos vitamínicos se tornou rotina para milhões de brasileiros. No entanto, a ingestão excessiva de vitaminas, especialmente sem orientação médica, pode trazer sérios riscos à saúde.

“Vitaminas são fundamentais para o funcionamento do organismo, mas devem ser consumidas com critério. A automedicação com suplementos pode gerar sobrecarga hepática, distúrbios metabólicos e até problemas cardiovasculares”, afirma o nutrólogo clínico Alexandre Curvelo Caldas, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad), 59% da população brasileira adulta consome algum tipo de suplemento regularmente e 30% fazem isso por conta própria, sem qualquer orientação profissional.

De acordo com o especialista, as vitaminas participam de processos cruciais, como digestão, reparo celular e replicação de DNA e RNA. No entanto, a maioria delas não é produzida pelo corpo e precisa ser obtida por meio da alimentação. “Uma dieta rica e variada –composta por frutas, verduras, legumes e leguminosas, e que pode incluir laticínios, ovos e carnes – costuma ser suficiente para atender às necessidades do organismo e garantir uma boa saúde”, explica Curvelo.

Para o profissional, o caminho mais seguro e eficiente para manter o equilíbrio nutricional continua sendo uma alimentação natural, colorida e variada. “Vale lembrar que dietas que excluem alimentos de origem animal como ovos, laticínios e carnes também podem ser equilibradas e saudáveis, desde que bem planejadas e ajustadas às necessidades de cada indivíduo”, reforça.

A recomendação do especialista é clara: antes de iniciar qualquer suplementação, é fundamental buscar orientação médica e realizar exames laboratoriais. “Em muitos casos, o que parece prevenção pode se transformar em risco”, finaliza Alexandre.

Para quem tem pouco tempo, devido à rotina intensa, manter uma alimentação rica em nutrientes é um desafio, mas não é impossível. O especialista destaca cinco atitudes simples que ajudam a manter o equilíbrio nutricional sem precisar recorrer automaticamente a suplementos:

• Planeje suas refeições da semana: uma lista de compras bem feita evita improvisos e reduz o consumo de alimentos ultraprocessados;
Tenha frutas lavadas e picadas na geladeira: facilita o consumo entre tarefas e evita o desperdício;
Monte marmitas balanceadas: arroz, leguminosas (feijão, lentilha), legumes e proteína magra são uma base eficiente;
• Invista em lanches naturais: castanhas, iogurte natural, ovos cozidos e sanduíches de pão integral são boas opções rápidas;
Evite longos períodos de jejum não planejado: isso pode levar ao excesso de fome e escolhas alimentares ruins.