Pós-Carnaval: o que fazer para desinchar e retomar a rotina

Especialistas explicam o que acontece no organismo e orientam estratégias de hidratação e alimentação para reduzir os sintomas da ressaca

A água de coco é uma aliada importante para se recuperar depois após a folia
A água de coco é uma aliada importante para se recuperar depois após a folia Foto : Freepik / Divulgação / CP

Depois de dias intensos de Carnaval, o corpo costuma cobrar a conta. Dor de cabeça, fadiga, enjoo, inchaço, irritabilidade e dificuldade de concentração são alguns dos sinais mais comuns após o consumo excessivo de álcool, noites mal dormidas e alimentação desorganizada. Mas o que, de fato, acontece no organismo e como se recuperar sem recorrer a soluções radicais?

Do ponto de vista nutricional, a ressaca é um conjunto de reações inflamatórias que impactam fígado, pâncreas, trato gastrointestinal e cérebro. O resultado é um organismo inflamado, desidratado e metabolicamente desregulado.

A nutricionista Bruna Mombach Dietrich explica que a ressaca é provocada principalmente pelo acetaldeído, substância tóxica formada durante a metabolização do álcool no fígado. “Além disso, o álcool tem efeito diurético, provocando desidratação, desequilíbrio de eletrólitos e hipoglicemia. Também estimula mediadores inflamatórios e prejudica a qualidade do sono, afetando a recuperação fisiológica”, detalha.

A primeira medida é recuperar o equilíbrio hídrico. A nutricionista Thainara Gottardi orienta que uma pessoa de 70 quilos pode precisar entre 2,5 e 3,5 litros de líquidos ao longo do dia seguinte à festa, ajustando conforme peso e condições individuais.

Bruna reforça que a hidratação deve ser frequente, em pequenos goles ao longo do dia. “Ter uma garrafa por perto ajuda a lembrar de beber água. Também podem ser usadas águas saborizadas com frutas ou chás.”

A água de coco aparece como aliada importante. Para Thainara, ela tem vantagem sobre isotônicos industrializados por oferecer potássio e magnésio sem excesso de sódio e corantes. Frutas como melancia, melão e morango ajudam tanto na hidratação quanto no fornecimento de antioxidantes. Pepino e folhas como alface contribuem para o equilíbrio dos eletrólitos.

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O erro das dietas radicais

Outro ponto de atenção é a tentativa de “compensar” os excessos com restrições severas. Thainara alerta que jejuns prolongados e cortes bruscos podem piorar o quadro metabólico. “O corpo não precisa de privação, mas de nutrientes específicos para reparar o dano celular causado pelo álcool e pelos ultraprocessados.”

Bruna concorda que o ideal é manter refeições fracionadas, equilibradas e de fácil digestão. Para estabilizar a glicemia, recomenda incluir fontes de carboidratos como arroz, batata, aveia, pão, tapioca e frutas, combinadas com proteínas leves como ovo, iogurte natural ou frango, além de verduras e legumes.

Alguns nutrientes têm papel estratégico nesse processo. O ovo, por exemplo, é rico em cisteína, aminoácido envolvido na degradação do acetaldeído. Peixes fornecem ômega-3, associado à modulação inflamatória. Aveia contribui com fibras que favorecem a saúde intestinal.

O metabolismo do álcool também reduz vitaminas do complexo B e minerais como zinco. Vegetais verde-escuros como couve, brócolis e rúcula, ajudam a ativar enzimas hepáticas. Cúrcuma e gengibre podem auxiliar na redução de náuseas e inflamação.

Para quem sente enjoo, Bruna sugere chás de gengibre ou hortelã. Já Thainara recomenda preparações práticas, como um shot matinal com limão e cúrcuma ou suco de couve com abacaxi, gengibre e água de coco.

Quanto tempo dura a ressaca?

Em média, os sintomas duram cerca de 24 horas, mas podem se prolongar em casos mais intensos. Nas primeiras horas, o foco deve estar na hidratação constante, alimentação leve e repouso.

As especialistas alertam que alimentos muito gordurosos, ultraprocessados ou com grande quantidade de açúcar tendem a piorar a sensação de mal-estar. O excesso de cafeína também pode agravar a desidratação.

Além da ressaca imediata, Bruna lembra que o álcool pode sobrecarregar a função renal, induzir estresse oxidativo e afetar a imunidade. “Nenhuma alimentação elimina totalmente os riscos, mas uma alimentação saudável e variada pode favorecer uma recuperação mais rápida.”