No Dia Mundial da Pré-eclâmpsia, lembrado em 22 de maio, especialistas reforçam a importância do pré-natal rigoroso para reduzir complicações graves durante a gestação. A condição, que pode evoluir de forma silenciosa no início, segue entre as principais causas evitáveis de morte materna no Brasil.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80 mil mulheres e 500 mil bebês morrem todos os anos no mundo em decorrência da pré-eclâmpsia. No Brasil, a doença responde por um em cada quatro óbitos maternos e atinge cerca de 1,5% das gestantes. Em primeiras gestações, esse índice pode ultrapassar 7%. O cenário é mais grave em regiões de menor desenvolvimento socioeconômico, onde a mortalidade materna associada à condição pode chegar a 22%.
Um dos desafios está no fato de que muitas mulheres não apresentam sintomas evidentes no início do quadro. Por isso, o acompanhamento durante a gravidez deve incluir monitoramento da pressão arterial, exames periódicos e avaliação dos fatores de risco. Entre os sinais de alerta estão dor de cabeça intensa, alterações visuais, dor na parte superior do abdome, inchaço acentuado e ganho de peso abrupto.
“Na pré-eclâmpsia, observar apenas os sintomas mais evidentes não basta. Um pré-natal rigoroso, com monitoramento contínuo da pressão arterial, exames periódicos e avaliação dos fatores de risco, permite identificar precocemente qualquer alteração e evitar complicações graves. O ideal é que a gestante realize consultas pelo menos uma vez por mês”, afirma o médico Eduardo Cordioli, diretor de Obstetrícia do Grupo Santa Joana.
Rastreamento no início da gestação
O rastreamento permite identificar, ainda no início da gravidez, gestantes com maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia. Protocolos internacionais combinam, no primeiro trimestre, informações do histórico materno, pressão arterial média, Doppler das artérias uterinas e biomarcadores.
Essa avaliação ajuda a orientar medidas preventivas. Em gestantes com indicação clínica, o uso de ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciado preferencialmente antes de 16 semanas e mantido até 36 semanas, pode reduzir a ocorrência da doença e de desfechos associados. A indicação, no entanto, deve ser sempre feita por profissional de saúde.
Além da avaliação clínica e dos exames tradicionais, ferramentas de inteligência artificial integradas ao prontuário eletrônico começam a ampliar a capacidade de identificação de riscos ao longo da gestação. Esses sistemas organizam dados, acompanham pressão arterial e exames laboratoriais e geram alertas que podem apoiar a equipe médica na detecção de padrões de risco.
Evidências recentes também apontam para esse caminho. Um estudo publicado em 2026 na JAMA Network Open mostrou que modelos baseados em dados rotineiros de prontuário eletrônico podem prever o risco de pré-eclâmpsia em intervalos curtos no fim da gestação. Outras pesquisas indicam avanços semelhantes na estratificação de risco já no primeiro trimestre.
“A tecnologia não substitui a experiência clínica, mas amplia a capacidade de monitoramento e resposta das equipes. Esse avanço é especialmente relevante em cenários de alto risco, nos quais pequenas alterações podem sinalizar deterioração materna”, diz Cordioli.
Mesmo com o avanço das ferramentas digitais, a prevenção da pré-eclâmpsia segue baseada no acesso a um pré-natal de qualidade. Consultas regulares, exames atualizados, orientação individualizada e busca rápida por atendimento diante de sinais de alerta continuam sendo as principais medidas para reduzir riscos para a mãe e o bebê.
