A progesterona é um dos hormônios mais importantes no corpo da mulher. Ela participa de processos que vão desde o ciclo menstrual até a gestação, além de ter impacto no sono, no metabolismo ósseo e até no sistema cardiovascular.
Esse hormônio é produzido principalmente pelos ovários, após a ovulação, e pela placenta, durante a gravidez. Também é fabricado em pequenas quantidades pelas glândulas suprarrenais (localizadas acima dos rins), mas nesse caso apenas como intermediária na produção de outros hormônios.
- Menopausa e saúde íntima feminina guiam nova clínica em POA
- A irritabilidade da menopausa não é só hormonal
- Etarismo: como preconceito de idade afeta corpo e mente
- Quem empreende sozinha precisa mesmo fazer tudo sozinha?
Principais funções da progesterona
No ciclo menstrual
Todos os meses, após a ovulação, o ovário forma o corpo lúteo, uma espécie de glândula temporária que secreta progesterona. O hormônio age diretamente no endométrio (revestimento interno do útero), deixando-o mais espesso, vascularizado e rico em nutrientes, pronto para receber o embrião caso ocorra fecundação. Se não houver gravidez, o corpo lúteo regride e os níveis de progesterona caem, desencadeando a menstruação.
Além disso, a progesterona provoca outros efeitos sutis: eleva um pouco a temperatura corporal basal, o que pode ser útil para mulheres que acompanham as fases do ciclo – seu aumento consistente, por pelo menos três dias, indica que a ovulação já ocorreu. A progesterona também torna o muco cervical mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides.
Na gravidez
Quando ocorre fecundação, o embrião passa a produzir um hormônio chamado beta hCG, que mantém o corpo lúteo ativo e garante a produção de progesterona até que a placenta esteja formada e assuma essa função pelo resto da gravidez.
Durante toda a gestação, a progesterona age como uma verdadeira “guardiã”. Entre suas funções estão: manter o útero estável, reduzindo suas contrações e prevenindo o risco de aborto precoce e favorecer a implantação e o desenvolvimento da placenta, essencial para nutrir o bebê.
Atuar no sistema nervoso central, provocando sonolência e sensação de relaxamento, especialmente no primeiro trimestre – sim, aquele cansaço do início da gravidez pode ter uma explicação hormonal. Participar da preparação das mamas para a amamentação, em conjunto com o estrogênio.
No sistema nervoso
A progesterona pode ter efeito calmante e indutor de sono, pois age em receptores cerebrais ligados ao relaxamento. Não por acaso, muitas mulheres percebem alterações de humor ou maior necessidade de descanso na fase pós-ovulatória.
Esse efeito também pode ser aproveitado quando a progesterona natural micronizada é administrada por via oral durante a menopausa, ajudando a aliviar queixas de insônia.
Nos ossos e na circulação
Em parceria com o estrogênio, a progesterona também dá sua contribuição para o metabolismo ósseo e a proteção cardiovascular, ressaltando a importância do equilíbrio hormonal para a saúde da mulher.
Na menopausa
Com a menopausa, os ovários diminuem a produção hormonal. O estrogênio e a progesterona caem, e alguns sintomas podem aparecer, interferindo na qualidade de vida da mulher. Quando isso ocorre, a reposição hormonal pode ser prescrita, desde que não haja contraindicações, como histórico de câncer.
A progesterona tem um papel indispensável na reposição hormonal: proteger o endométrio. Isso porque, se a mulher faz uso apenas de estrogênio, o revestimento interno do útero pode crescer de forma exagerada, aumentando o risco de câncer. A progesterona, nesse caso, age como um “contrapeso”.
Assim, mulheres que ainda têm útero, ou aquelas que removeram o útero devido a endometriose, e recebem terapia de reposição com estrogênio precisam também da progesterona, seja por via oral, vaginal ou pelo uso de sistemas intrauterinos (DIU).
*Revisão técnica: Alessandra Bedin, ginecologista, obstetra e nutróloga do Einstein Hospital Israelita (CRM 90562 / RQEs 19534 e 87355); Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Einstein Hospital Israelita (CRM 73681 / RQE 19282); Priscilla Duarte, ginecologista e obstetra do Einstein Hospital Israelita (CRM 197515); Sergio Podgaec, ginecologista e obstetra do Einstein Hospital Israelita (CRM 72644)
