Cuidado, empatia e conexão: um amor que se esconde por trás das portas de uma banca de jornais, em Gravataí

Cão adotou uma banca de jornais com um lar e ganhou um “pai”

César já tem certa idade, é um cão de grande porte, tem um espírito protetivo, é esperto e especial
César já tem certa idade, é um cão de grande porte, tem um espírito protetivo, é esperto e especial Foto : Fernando Mendes / Divulgação/ CP

Uma história de muita empatia, cuidado e também de conexão se esconde por trás das portas de uma banca de revistas que funciona no Centro de Gravataí. Quem passa pelo local não consegue deixar de perceber uma grande caixa de papelão, com cobertinhas, encostada ao lado de fora, e um aviso com letras garrafais: “Não mexa na casa do César". O dono da banca, Fernando Mendes, conta que César é o nome do cão que há um ano e meio apareceu circulando pelo local e adotou a banca de jornais como seu novo lar.

"Eu o chamo de César porque ele é parecido com o personagem principal da Saga do Planeta dos Macacos. Tem o focinho branco e os olhos arregalados e pretos", assim explica o livreiro sobre o batismo do cachorro, que ele diz ser fruto das enchentes. "Com certeza ele é um dos cães que se perdeu ou que foi perdido durante a enchente."

Mendes diz que logo que o cão apareceu criou uma conexão forte com o animal. "César não é um cachorro qualquer. Ele é educado, entende o que estou falando, tem bom-senso e adora crianças. Eu acredito que na família antiga dele tinha crianças, porque quando passa um grupo aqui na frente, ele sai atrás, eufórico, pedindo um chamego. É visível. Ele adora as crianças", assinalou. Em 18 meses, ambos fizeram companhia um ao outro, durante as manhãs e tardes de trabalho. E a sintonia e amizade entre os dois só aumentou. "Eu moro afastado do Centro, no bairro Morada Gaúcha, e todos os dias fechava a banca e o César se acomodava na casinha, que se parece mais com uma cabana. No dia seguinte, ele estava ali, me esperando. Ele conhece até o barulho do carro, um Meriva prata", frisou.

Após um temporal

Até que em uma tarde, após um temporal, na hora em que Mendes se preparava para de ir embora, César correu para dentro do carro do revisteiro e se pôs a fazer companhia também na residência. "Olhei para ele no banco traseiro e parecia que ele falava comigo. Levei ele para casa. Hoje, acordamos todos os dias e vamos juntos para a banca de jornais. No fim do expediente, voltamos para casa. Eu digo que foi ele quem me adotou, ele me escolheu. É impressionante o nosso vínculo e nossa ligação. Parece que ele é um parente meu e que nos conhecemos há anos."

Mendes considera que César seja idoso. Não é um cão jovem. Basta observar sua dentição. “Tem grande porte, um espírito protetivo, é guardião, esperto e especial. Um pouco abusado, também." Mendes, que administra a banca de jornais há mais de 40 anos, é divorciado, tem dois filhos, um neto e, até a chegada de César, dividia a casa com uma gata e com um cachorro. Agora são dois cães e a gata. "É uma dádiva ter o César por perto. Nosso carinho é recíproco. É sem explicação. Em troca dessa harmonia, recebo uma clientela querida, uma freguesia rodeada de amigos. O César veio para suprir o que faltava", assinalou o dono da banca de jornais.

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