Moradores da Região Metropolitana e do Vale do Sinos que têm aproveitado o clima ameno, o período de recesso e de férias escolares para visitar as dependências do Parque Zoológico, em Sapucaia do Sul, demonstraram insatisfação com a atual situação do espaço e também dos animais. Em 2025, o local recebeu cerca de 25 mil visitantes por mês, com tempo médio de permanência superior a quatro horas.
Segundo relatos, enquanto alguns animais possuem recintos amplos, rodeados por árvores, arbustos e grandes lagos para se banhar; outros estão alojados em espaços menores, rodeados por concreto e, por vezes, aparentemente, em situação de abandono e exclusão. Áreas precárias, dificuldade de acesso e interdições de espaços também figuram na lista das denúncias que moldam o descontentamento das famílias.
Além disso, troncos, madeiras e galhos, em grande quantidade, espalhados pelo passeio poluem e confundem o roteiro da visitação. Moradora de Porto Alegre, Maria Rita Silveira Resmini, esteve há duas semanas no local levando os netos para passear.
"Saí de lá com o coração partido. O que vi não foi educação ambiental, foi uma exibição de crueldade e descaso sob o pretexto de modernização. O recinto do tigre é visivelmente desconfortante. Não tem sombra e o animal fica o tempo inteiro exposto, como se fosse uma vitrine. Ele deveria ter o direito de se manter reservado."
A indignação da eletricista aumentou ainda mais quando se deparou com um rastro de árvores tombadas que, na opinião dela, retira a sombra e o frescor do ambiente. Para Maria Rita, os espaços deveriam ser planejados para o animal ser o que realmente é. "Não podemos aceitar que animais majestosos vivam em condições degradantes, enquanto a natureza ao redor é destruída por máquinas. O zoológico precisa de vida, não de mais cimento."
Aline da Rosa Siqueira, saiu de Nova Santa Rita, para desfrutar do ambiente com a família. Assim como Maria Rita, ela também fez críticas aos espaços reservados aos animais. "Falta sombra e algumas áreas são muito pequenas, apertadas. Em dias de forte calor, os animais sofrem. Deveria haver mais democracia, com amplos espaços para todos."
AÇÕES REVITALIZAÇÃO E ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL
Por meio de nota, a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) informou que a administração do Parque Zoológico realiza de forma contínua ações de atualização, manutenção e qualificação dos recintos dos animais, de acordo com as necessidades específicas de cada espécie e com as diretrizes técnicas vigentes. "Todos os recintos existentes atendem à legislação ambiental e às normativas aplicáveis".
"Nesse sentido, a qualificação dos recintos não se restringe exclusivamente à ampliação de áreas físicas, mas à realização de outras ações que incluem o enriquecimento ambiental, rotinas de manejo, estímulos comportamentais e organização dos espaços de forma compatível com os padrões naturais de cada animal", diz a nota.
A Sema informou que vem implementando um conjunto contínuo de ações de revitalização. As melhorias abrangem tanto as áreas de visitação quanto a reorganização de espaços de apoio às atividades de manejo, educação ambiental e atendimento ao público. "Destacam-se a reforma das pracinhas e das churrasqueiras, a revitalização dos acessos aos sanitários e a ampliação da comunicação visual com totens informativos, mapas e placas de sinalização, facilitando a orientação dos visitantes".
"Quanto a eventuais remanejamentos de espécies, estes são avaliados de forma técnica e criteriosa, considerando o bem-estar animal, condições sanitárias, a compatibilidade entre espécies e a disponibilidade de áreas adequadas", destacou.
CUIDADOS EXTRAS NO VERÃO
Sobre os recintos, todos possuem áreas frescas e com sombra, para sofrerem com as altas temperaturas. Alguns recintos são equipados com piscinas, aspersores de água, áreas de lamas e áreas reclusas que muitas vezes ficam for a da observação do público, tudo para auxiliar os animais nos dias de muito calor. Além disso, existem cuidados extras no verão com a alimentação, como os picolés de frutas e de carnes para diversas espécies e frutas da estação, mais ricas em água.
RETIRADA DE EUCALIPTOS COM RISCO DE QUEDA
A Sema disse ainda que, em dezembro de 2025, foi iniciada a retirada pontual de eucaliptos, espécie exótica, que se encontravam condenados, com risco iminente de queda. Em razão da proximidade com recintos de animais, a execução dos serviços ocorreu de maneira cautelosa e gradual, com técnicas que minimizam ruídos e vibrações, fatores potencialmente estressores à fauna mantida no local.
"Esse cuidado operacional impacta diretamente no ritmo da execução e na logística de retirada do material lenhoso. No momento, a administração do Parque aguarda a etapa final do contrato, que compreende a remoção das toras, troncos e galhos remanescentes".
MANUTENÇÃO ANUAL CUSTA R$ 10 MILHÕES
O custo anual estimado para a manutenção das atividades do Parque Zoológico é da ordem de R$ 10 milhões, considerando os contratos de serviços terceirizados e a aquisição de materiais de consumo essenciais ao funcionamento da unidade, como alimentação dos animais, insumos veterinários, medicamentos e outros itens diretamente relacionados ao manejo e ao bem-estar da fauna sob guarda do Estado.
Os custos referentes à remuneração dos servidores públicos lotados no Parque somam aproximadamente R$ 4 milhões/ano. O governo do Estado informou ainda que no momento não há novos estudos específicos voltados à concessão do Parque Zoológico à iniciativa privada.
ZOO POSSUI 1,3 MIL ANIMAIS ACOLHIDOS EM UMA ÁREA DE 160 HECTARES
O Parque Zoológico está inserido em uma área aproximada de 160 hectares, que contempla, de forma integrada, área verde, espaços de visitação, recintos de animais, áreas destinadas ao manejo e à manutenção e áreas produtivas de apoio, assegurando condições adequadas para a conservação da fauna e a qualificação da experiência dos visitantes. Atualmente, o Zoo mantém sob sua guarda cerca de 1,3 mil animais, pertencentes a mais de 130 espécies.
