Os Estados Unidos são a maior economia do mundo e, qualquer movimento por lá, gera repercussões globais. Por isso, o resultado das eleições americanas tem impacto no Brasil e, indiretamente, em cada um de nós. Logo após a vitória de Donald Trump, conversei com o professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Maurício Andrade Weiss. O mercado financeiro já estava com grande expectativa sobre as decisões que seriam tomadas pelo republicano.
Weiss explicou que, a cada mudança de governo, é natural que ocorra certa instabilidade econômica, ainda mais considerando a importância dos EUA e da sua moeda no restante do mundo. A previsão é que Trump adote uma política de isenção de impostos, resultando no aumento da dívida pública. Isso pode justificar uma elevação futura na taxa de juros.
“Não sabemos se isso vai acontecer e se essa relação vai se concretizar. Mas mesmo que não se concretize, a expectativa que os agentes (financeiros) têm que isso aconteça é suficiente para determinar um impacto na taxa de câmbio dos países emergentes como um todo”, explicou Maurício Andrade Weiss.
Uma eventual alta do dólar seria o impacto mais direto na população. Quando a moeda norte-americana sobe em comparação com o real, não são só os produtos importados que ficam mais caros, mas a produção brasileira que negocia insumos em dólar também eleva o valor das suas mercadorias.
Outro efeito do modelo econômico protecionista está no mercado exportador brasileiro. Com o incentivo da produção americana, os produtos que vêm de outros países, como o Brasil, ficam menos atrativos ao mercado dos EUA. Nesse sentido, o setor agrário está em alerta e o segmento do aço gaúcho, por exemplo, também pode ser prejudicado. Inclusive empregos podem ser ameaçados, conforme o professor da Ufrgs.
“Por outro lado, os EUA adotando protecionismo, abre espaço para outros países adotarem a mesma prática para proteger a indústria nacional. Abre espaço para o Brasil também adotar. Isso pode favorecer indústrias domésticas, favorecendo a economia local e a geração de emprego.”
Efeito nas exportações
- A proteção do mercado doméstico inclui medidas como aumento de tarifas sobre importações, subsídios para indústrias nacionais e restrições a empresas estrangeiras que tentam acessar o mercado dos EUA.
- No seu antigo mandato, Trump incentivou fortemente a produção doméstica de petróleo e gás. Esses esforços reduziram a dependência dos EUA de importações de petróleo.
- Os EUA são grandes parceiros comerciais do Brasil. No primeiro semestre, as exportações para o mercado americano atingiram valor recorde de 19 bilhões de dólares, alta de 12% ante mesmo período de 2023, segundo a Câmara de Comércio Brasil – EUA (Amcham).
- O principal produto que contribuiu para o avanço das vendas brasileiras para os EUA foi o petróleo, com um aumento de 202%; seguido do petróleo bruto, 108%; café, 44%; e celulose, 21%.
- Se os EUA alcançarem altos níveis de suficiência energética, pode haver uma menor dependência de petróleo do Oriente Médio e de outros países, como o Brasil. Isso poderia alterar as dinâmicas geopolíticas.
- É possível que, com uma maior oferta americana de petróleo, os preços dos barris baixem no mercado, a menos que a demanda mundial cresça.
