Mercado, ações e reações

Investir em renda variável pede atenção aos cenários

Investidor precisa ter perfil mais arrojado em determinadas negociações
Investidor precisa ter perfil mais arrojado em determinadas negociações Foto : I-Hwa Cheng / AFP

O mercado financeiro é sensível a quase todos os acontecimentos econômicos e políticos. As reações, muitas vezes, se mostram fortes como as de uma criança contrariada, o que alimenta aquela expressão que se vê por aí sobre o “menino mercado”. A semana começou com um pregão que precisou ser interrompido em razão de perdas do índice Ibovespa vistas no primeiro dia depois da reeleição do presidente Lula. A expectativa que não se consolidou quanto à vitória do adversário Flávio Bolsonaro fez a Bolsa de Valores B3 cair quase 14% e o dólar pular para R$ 5,60 para depois fechar em R$ 5,40. Na noite desta quinta-feira, 29, o dólar chegou a R$ 5,38, cotações ainda altas se comparadas aos cálculos dos próprios analistas do setor que abastecem o Boletim Focus do Banco Central. Naquele mesmo dia do circuit breaker da Bolsa, mecanismo que faz com que os negócios parem para acalmar ânimos, o Focus trazia estimativa de R$ 5,05 para a moeda americana em 2026.

Economistas também observam que Bolsa e câmbio balançam em toda a eleição, o tal do trend eleitoral que amplia oscilações. Alguns especialistas, porém, alertam igualmente que o que ocorre em um único pregão pode ser uma “amostra” de dificuldades com investimentos no país caso o governo não consiga um melhor controle sobre gastos, juros e inflação. O indicador de preços oficial está acima do limite de 4,50% em 12 meses e fechou em 4,58% na última leitura. E a taxa Selic é a mais alta do mundo: 13,75% ao ano. O economista e consultor Martin Kirsten relembra que a reação do mercado no pós eleição era ligada à expectativa por uma gestão mais reformista, já que o governo atual vinha sendo percebido como mais gastador.

O mercado financeiro está nos chamados investimentos de renda variável, e por isso quem aplica recursos nesse universo não tem como saber quanto a ação de uma empresa estará custando amanhã, diferente de uma poupança ou CDB, aplicações da renda fixa com remuneração de “tantos” por cento ao mês e pronto. Como na variável as coisas não são tão simples, sobra para o dólar. Quando o investidor da Bolsa percebe que negociar ações está turbulento ele “se protege” comprando moeda. E quanto mais dólar se compra num momento assim, mais caro fica justamente por causa da procura, o que em consequência tira força do real.

NA PRÁTICA

  • Dito tudo isso, renda variável precisa de perfil de investidor que segure o tranco, mas há meios de amenizar. E afinal de contas, mesmo sendo um universo cíclico, de altos e baixos, é possível ter ganhos além do especificado em um investimento fixo.
  • Fundos de ações, por exemplo, facilitam a vida do iniciante, conforme Martin Kirsten já tinha comentado. Comprar cotas de um fundo por meio de uma corretora de valores tira o peso da decisão sobre quais ações comprar e vender, já que isso é feito por um operador. Paga-se pelo serviço, mas a recompensa é reduzir as dúvidas.
  • As consultorias estão aí, mas vale pesquisar sobre renda variável e há dicas bem boas para aproveitar. Os cursos da B3, todos gratuitos, podem ser acessados aqui. Boa aula.

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