Economia Simples

Qual a relação entre a Selic alta e os recordes da Bolsa?

Expectativas dos investidores têm aumentado procura por ações brasileiras

Cresce a percepção de que o ciclo da taxa de juros está próximo do fim
Cresce a percepção de que o ciclo da taxa de juros está próximo do fim Foto : Lula Marques / ABr / Divulgação / CP

Um dia após o Copom manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, o Ibovespa voltou a bater recorde. O principal índice da bolsa brasileira chegou a 154.352 pontos na manhã de ontem. O fechamento foi o 12° em alta, na mais extensa sequência desde 1997. A bolsa ainda obteve o nono encerramento consecutivo em nível histórico.

A princípio, pode parecer uma contradição, porque juros altos costumam esfriar a economia. Mas, no mercado financeiro, esse movimento tem lógica.

A alta na procura e a valorização das ações refletem as expectativas dos investidores. Mesmo com a Selic ainda elevada – estamos no maior nível dos últimos 20 anos – cresce a percepção de que o ciclo da taxa está próximo do fim. E quando o mercado acredita que os juros vão começar a cair nos próximos meses, ele se antecipa e começa a comprar papéis antes que eles fiquem mais caros.

Nesse cenário, o investidor estrangeiro tem desempenhado papel central em todos esses recordes que estamos vendo. Para ele, muitas ações brasileiras ainda são consideradas “baratas”. Além disso, entra na conta outro fator: a perspectiva de redução dos juros nos Estados Unidos. Isso faz com que a tendência seja o uso do dinheiro global em países onde é possível obter retornos mais elevados, como nesse caso o Brasil.

Até o fim de outubro de 2025, os investidores estrangeiros acumulavam entrada líquida de R$ 25,94 bilhões na B3, apontou um levantamento da Elos Ayta. Segundo a consultoria, esse resultado demonstra que, apesar da volatilidade pontual e de momentos de cautela, o estrangeiro mantém uma visão otimista sobre o mercado brasileiro.

A euforia da bolsa, portanto, não fala exatamente do que está acontecendo neste exato momento, mas de uma aposta nos próximos meses. Agora resta acompanhar se as expectativas do mercado vão se concretizar e o que isso vai significar daqui para frente.

Como funciona

  • O Ibovespa, criado em 1967, atingiu a marca de 100 mil pontos pela primeira vez em 2019.
  • Esse índice da B3 é formado pelas ações com maior volume negociado na bolsa. O valor representa a quantia, em moeda corrente, de uma carteira a partir de uma aplicação hipotética. Se o índice fecha em 100 mil pontos, quer dizer que a cesta de papéis que compõem essa carteira vale R$ 100 mil. A alta e baixa refletem a valorização ou desvalorização desse conjunto.
  • Dessa forma, o índice espelha o comportamento dos investidores, nacionais e estrangeiros, em relação aos papéis mais negociados na B3.
  • Nos casos de alta, significa que as empresas estão atraindo o interesse dos investidores e, com a demanda crescente, o valor de suas ações valorizam. Essa valorização é medida em pontos.
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