Carlos Corrêa / Interino
O ano eleitoral no Grêmio começou antes mesmo de a bola rolar. E o apito inicial foi dado na segunda-feira, quando o clube lançou em suas redes sociais o documentário "Inolvidable", sobre a passagem de Luis Suárez pelo Grêmio. Os torcedores mais afeitos ao noticiário dos últimos anos no clube, no entanto, atentaram para um fato: a quase ausência do então vice de futebol à época, Paulo Caleffi. O que muito provavelmente não é uma coincidência.
Qualquer pesquisa do noticiário da época é suficiente para lembrar que Caleffi teve atuação decisiva na vinda do atacante uruguaio, ainda que não tenha sido, obviamente, o único responsável. No entanto, enquanto demais dirigentes, entre os quais o presidente Alberto Guerra e o então diretor de futebol Antônio Brum, participam com entrevistas mais formais, específicas para o documentário, os trechos em que Caleffi aparece são todos de uma outra entrevista para o programa do jornalista Duda Garbi.
"Não assisti porque já sabia o que vinha. O que posso te referir é que fui surpreendido com a minha imagem sendo utilizada, um trecho da entrevista ao Duda Garbi. Porque eu não fui convidado a participar como entrevistado", que reitera: “Desconheço a razão de não ter sido convidado para participar do documentário. Apenas o presidente pode responder isso”.
O ex-dirigente é um dos nomes especulados para a eleição presidencial de setembro deste ano, na qual os nomes ainda estão sendo testados. Nem o próprio Guerra indica se vai buscar a reeleição - nos bastidores, a versão mais corrente dá conta que ele não pretende concorrer. Neste cenário, Caleffi afirma que a decisão sobre o documentário não surpreende e revela inclusive que estaria sendo perseguido por pessoas próximas à atual gestão.
"Estão constrangendo as pessoas que organizam as minhas palestras pelo Interior. O que é infantil, porque partem da premissa que eu fico falando que contratei o jogador sozinho. E quem assistiu às palestras sabe o quanto é equivocado esse argumento. Elas são uma ode ao Grêmio, uma homenagem. O que eu conto são detalhes da negociação", afirma o ex-dirigente.
Ainda que cite a atuação da direção como um todo naquele final de 2022, o então vice de futebol assegura que sua viagem ao Uruguai em 30 de dezembro daquele ano foi decisiva para a contratação de Suárez. "Quem teve que pegar o avião fui eu. Tínhamos que ir porque o negócio havia sido encerrado quando houve uma dissonância em uma questão contratual. Senão jamais era para ter ido", revela.
Questionado se será candidato à presidência do clube neste ano, Caleffi desconversa, mas não confirma, nem nega. Diz que não é o momento para se falar em candidatura. No entanto deixa a porta aberta: "Se no momento oportuno existir um projeto que seja inovador em termos de gestão para o clube e eu me depare com isso, vou aderir a uma conversa com quem me trouxer isso. Mas não sou candidato de mim mesmo e não vou ter essa postura de se declarar candidato".
A direção do Grêmio foi procurada por esta coluna para comentar a (pouca) participação de Paulo Caleffi no documentário. A assessoria de comunicação do clube, no entanto, alegou que o ex-dirigente aparece em três trechos e que portanto, o presidente Alberto Guerra não iria comentar. "Não haverá uma manifestação do Grêmio a respeito", afirmou a comunicação.
