A guerra entre Rússia e Ucrânia volta a colocar sobre a mesa a possibilidade de uma nova rodada de negociações para interromper as hostilidades. A reunião trilateral, mediada pelos Estados Unidos, poderá começar em 10 de novembro, em Abu Dhabi, segundo a agência chinesa Xinhua. O encontro, porém, nasce cercado de incertezas, diante do impasse sobre a sequência dos temas a serem discutidos. Moscou e Kiev divergem sobre o que deve vir primeiro: um cessar-fogo ou um acordo territorial.
Enquanto os diplomatas tentam encontrar uma fórmula para a paz, os campos de batalha continuam sendo utilizados como instrumentos de pressão. Os ataques recentes, de ambos os lados, revelam que, antes de sentarem à mesa, russos e ucranianos parecem determinados a conquistar vantagens militares. O problema é que, quanto mais a guerra avança, mais difícil se torna construir um entendimento capaz de interromper o conflito.
PRESSÃO
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que ele e o presidente Donald Trump compartilham o objetivo de encerrar a guerra, mas divergem quanto aos meios de alcançá-lo, formulação que preserva o canal aberto sem esconder a diferença de método. E a diferença maior está ligada à exigência de Trump de que Zelensky pare de atacar as refinarias russas. Nesta quinta-feira, porém, Kiev desfechou um grande ataque contra uma refinaria em Nvokuybyshevsk, na região russa de Samara. A justificativa seria a restrição, por parte dos Estados Unidos, no fornecimento de terminais Starlink às forças ucranianas.
ESCALADA
Um drone russo atingiu uma estação ferroviária em Dnipro, no centro da Ucrânia, provocando a morte de 14 pessoas. O ataque reforça a dimensão devastadora de uma guerra que já ultrapassa todos os limites de uma disputa territorial. Kiev respondeu com o maior ataque de drones contra Moscou, ampliando a pressão sobre a capital russa. A ofensiva demonstra que a Ucrânia, mesmo diante das dificuldades, ainda dispõe de capacidade para atingir alvos em território inimigo.
IMPASSE
As divergências entre os dois países permanecem profundas. Vladimir Putin insiste em assegurar o controle dos territórios reivindicados por Moscou, enquanto Zelensky não pode aceitar concessões que representem uma capitulação política e militar. A ordem das negociações é, portanto, mais do que uma questão diplomática: significa definir quem terá de ceder primeiro. Sem garantias concretas, qualquer proposta de cessar-fogo corre o risco de se transformar apenas em uma pausa para reorganizar as forças.
APOIO
A União Europeia mantém seu firme apoio à Ucrânia, tanto no campo financeiro quanto no militar, entendendo que a resistência de Kiev é fundamental para a segurança da Europa. Já Donald Trump adotou uma postura que favorece Moscou. Além de interromper o envio de ajuda americana à Ucrânia, o presidente dos Estados Unidos suspendeu restrições e retomou compras de diesel russo, abrindo uma importante fonte de receita para o governo de Putin. A contradição enfraquece a pressão internacional sobre o Kremlin.
PERSPECTIVA
A reunião prevista para Abu Dhabi poderá representar mais uma oportunidade de diálogo, mas os antecedentes não autorizam grandes expectativas quanto a avanços concretos. Rússia e Ucrânia continuam distantes em suas exigências, enquanto os ataques se intensificam e a confiança entre os dois lados praticamente desapareceu. Sem disposição para compromissos e sem uma estratégia internacional coerente, a diplomacia corre o risco de permanecer refém da guerra. A paz, por enquanto, parece muito mais uma promessa do que uma possibilidade concreta.
