Reino Unido e Ucrânia se tornaram os mais novos alvos das agressões verbais do presidente Donald Trump. Os ataques ao Reino Unido se devem ao fato de o governo britânico não ter aderido à guerra que os Estados Unidos e Israel resolveram travar contra o Irã. Quando viu o Estreito de Ormuz fechado pela Marinha iraniana, Trump pediu ajuda aos seus parceiros da Otan.
No entanto, nenhum dos países-membros da organização atendeu seu pedido. E o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, foi incisivo em representar a voz dos europeus, dizendo: “Esta guerra não é nossa”. Isto enfureceu Trump, que passou a fazer pronunciamentos contra interesses britânicos.
ILHAS
O primeiro que fez foi em 31 de agosto de 2026, quando declarou que estava reavaliando a posição oficial de neutralidade do país sobre a soberania das ilhas Malvinas/Falkland. Questionado no Salão Oval, Trump afirmou: “Eu sempre reavalio todas as posições, e essa é apenas uma entre muitas”. O presidente americano não esclareceu se a postura oficial de neutralidade – mantida em parte na Guerra das Malvinas em 1982 – será alterada para apoiar a reivindicação da Argentina.
O pronunciamento ocorreu em meio à proximidade de Trump com o governo argentino de Javier Milei, que reivindica formalmente a soberania do arquipélago. Movimento que ressurgiu por ocasião da Copa do Mundo quando, após vitória sobre os ingleses, os jogadores argentinos exibiram uma faixa com os dizeres: “Las Malvinas son argentinas”. A possibilidade de mudança gerou preocupação em Londres, que mantém a administração de fato das ilhas..
IRLANDA
Não bastasse isto, no sábado, 12, Trump disse que adoraria ver a Irlanda do Norte unificar-se com a República da Irlanda. A declaração, feita durante sua visita a Dublin, provocou reações em Londres. Especialmente de políticos unionistas, que defendem a permanência da porção norte da ilha, chamada de Irlanda do Norte, no Reino Unido.
Comentários de Trump foram feitos semanas depois de o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmar que um referendo sobre a saída da Irlanda do Norte do Reino Unido estava “fora de questão”.
“Bem, não quero causar problemas, mas vou dizer a vocês: adoraria vê-la unificada”, disse o presidente americano a jornalistas ao lado do primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin. “Isso vai acontecer, com o tempo. Acho que seria uma coisa fantástica.”
HISTÓRIA
A Irlanda do Norte foi palco durante muitos anos de lutas fratricidas entre católicos e protestantes. Os católicos chegaram a constituir o IRA, Exército Republicano Irlandês, na tradução para o português, responsável por múltiplos atentados na região.
O que acontece é que a Irlanda é formada por uma ilha, que era composta por 32 condados e predominantemente católica. Ocorre que, quando buscou sua independência, Londres concedeu para 26 condados, mas conservou os outros seis, para onde mandou levas de protestantes e que formaram a Irlanda do Norte. Daí a razão das históricas confrontações na área entre católicos e protestantes. Agora, que a região está apaziguada, Trump se vale desse fato histórico para cutucar o governo britânico que não quer ajudá-lo na guerra que ele criou, e em que está enredado, no Golfo Pérsico. Vendo o preço do petróleo subir e afetar a economia norte-americana.
PETRÓLEO
O petróleo é hoje a grande preocupação de Trump. E isto é o que o levou a disparar contra outro aliado: a Ucrânia, a quem alertou para “não atacar o diesel russo”.
Ora, o grande trunfo da Ucrânia na atual guerra tem sido atacar as fontes de energia da Rússia. Com isto, abala a principal e quase única fonte de receita do país.
A Ucrânia tem abalado o moral do governo Putin com os ataques desse tipo, que vão de Moscou à Sibéria. Pedir para parar é pedir a capitulação da Ucrânia. Porém, pelo que se vê, Trump não está nem um pouco preocupado com os seus aliados e, sim, com os seus interesses.
